Recuperação judicial no agro cresce 22% no 1º trimestre
Levantamento inédito da Serasa Experian indica alta expressiva entre produtores pessoa jurídica, enquanto o uso de inteligência artificial em modelos preditivos tem ajudado no mapeamento prévio do risco de crédito no campo

O agronegócio brasileiro contabilizou 474 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre de 2026, montante que representa uma alta de 21,9% em comparação com as 389 solicitações registradas no mesmo período de 2025. Os dados inéditos foram apurados pelo indicador da Serasa Experian, que contempla informações referentes a produtores rurais atuantes como pessoa física, pessoa jurídica e empresas ligadas à cadeia do setor.
De acordo com a avaliação do head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta, os resultados apurados no início deste ano evidenciam a continuidade de desafios que já vinham afetando a saúde financeira de parte dos produtores e empresários do campo. “O ambiente de crédito mais seletivo, combinado à manutenção de custos elevados de produção e ao maior nível de alavancagem dos produtores, continuou afetando o fluxo de caixa no campo. Dessa forma, os pedidos voltaram a crescer no início de 2026, mas ainda não retomaram os níveis mais elevados observados em meados do ano passado. Daqui para o meio e o fim do ano, a evolução do cenário dependerá da capacidade de geração de receita, do comportamento das margens e das condições de renegociação dos compromissos. Por isso, reforçamos que renegociar e manter um planejamento financeiro deve ser prioridade enquanto a recuperação judicial precisa permanecer como o último recurso”, destaca o executivo.
Na divisão por Unidades Federativas, considerando a soma total de solicitações entre produtores rurais pessoas físicas, pessoas jurídicas e empresas da cadeia do agronegócio, o estado de Mato Grosso liderou o volume de requerimentos no primeiro trimestre de 2026, alcançando 135 registros. Na sequência da classificação geral do Top 10 estados com maior volume de pedidos no ano, aparecem Goiás, Paraná e Mato Grosso do Sul.
Entre os produtores rurais que atuam como pessoa jurídica, foram contabilizados 196 pedidos de recuperação judicial entre janeiro e março de 2026. A quantidade ficou 73,5% acima das 113 solicitações realizadas no primeiro trimestre de 2025, representando o maior crescimento anual entre os três perfis analisados. No recorte por atividade dentro dessa categoria, o cultivo de soja concentrou 137 pedidos, seguido pela criação de bovinos, com 42 registros. Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul lideraram a classificação por estados entre os produtores PJ.
Já os produtores rurais que atuam como pessoa física realizaram 182 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre de 2026. O resultado representa uma redução de 6,7% em relação às 195 solicitações registradas no mesmo período de 2025.
Na análise por porte de propriedade, os produtores classificados como “sem propriedades” concentraram 60 pedidos. O grupo pode abranger, por exemplo, arrendatários ou integrantes de grupos familiares e econômicos relacionados à atividade rural. Em seguida, apareceram os pequenos proprietários, com 44 solicitações, os grandes, com 41, e os médios, com 37. Na distribuição por Unidade Federativa para as pessoas físicas, Mato Grosso registrou o maior número de pedidos no período, seguido por Paraná e Goiás.
Por sua vez, as empresas com atividades relacionadas à cadeia do agronegócio fizeram 96 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre de 2026. O número representa um crescimento de 18,5% diante das 81 solicitações registradas no mesmo período de 2025.
As agroindústrias de transformação primária responderam pelo maior volume nessa categoria, com 23 pedidos. Na sequência ficaram as indústrias de processamento de agroderivados, com 19, e os serviços de apoio à agropecuária, com 15. Na avaliação estadual para empresas da cadeia agro, Paraná, São Paulo e Mato Grosso ocuparam as primeiras posições em número de solicitações.
Para auxiliar o mercado diante dessa oscilação, a Serasa Experian utiliza inteligência artificial em modelos preditivos, como o Agro Score, para analisar informações específicas do agronegócio e identificar antecipadamente mudanças no perfil financeiro de produtores e empresas. Ao reconhecer padrões de instabilidade antes que as dificuldades se agravem, essa ferramenta apoia avaliações de risco mais precisas e decisões de crédito adequadas às características de cada agente.
Entre as soluções da datatech está o Agro Score, desenvolvido para considerar particularidades da atividade rural. O acompanhamento das informações permite identificar, com meses de antecedência, perfis que começam a apresentar sinais de deterioração financeira. Análises realizadas com a ferramenta mostraram, por exemplo, que o Agro Score médio dos produtores rurais pessoas físicas que posteriormente solicitaram recuperação judicial já era significativamente inferior ao da população rural em geral três anos antes da formalização do pedido.
“Quando a avaliação considera as particularidades da atividade rural, é possível reconhecer sinais que uma análise genérica pode não capturar. A combinação de dados, inteligência artificial e modelos preditivos permite diferenciar os níveis de risco e tornar a concessão de crédito mais segura, sem restringir de maneira indiscriminada o acesso aos recursos necessários para o desenvolvimento do setor”, explica Marcelo Pimenta.
As informações são da Assessoria de Imprensa.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Crescimento puxado por pessoas jurídicas: O agronegócio somou 474 pedidos de recuperação judicial no 1º trimestre de 2026 (alta de 21,9%), alavancado principalmente pelos produtores rurais PJ, que registraram alta de 73,5% com forte peso da cultura de soja.
- Mato Grosso na liderança geral: Considerando todas as categorias analisadas (produtores PF, PJ e empresas da cadeia), o estado de Mato Grosso liderou o volume de solicitações no país com 135 pedidos no período.
- Prevenção via Inteligência Artificial: Modelos preditivos como o Agro Score conseguem identificar sinais de deterioração financeira de produtores rurais até três anos antes de o pedido de recuperação judicial ser formalizado.





















