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Soja atinge melhor cotação do ano puxada pelo Porto de Paranaguá

Impulsionado por incertezas climáticas nos Estados Unidos e forte movimentação externa, grão acumula alta de 4,5% na primeira semana de julho

Oleaginosa brasileira se aproxima de R$ 140 por saca
Oleaginosa brasileira se aproxima de R$ 140 por saca -

Publicado por Eduarda Gomes

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O mercado global de soja registrou forte movimentação ao longo desta semana, gerando reflexos diretos e expressivos nos portos brasileiros, com destaque especial para o Porto de Paranaguá, no Paraná. A saca de 60 quilos do grão atingiu a sua melhor cotação do ano corrente, sendo comercializada a R$ 139,71 na última terça-feira (07). Esse avanço consolida uma alta acumulada de 4,5% apenas na primeira semana de julho, impulsionada pelo cenário externo e pelas crescentes preocupações com as condições climáticas nas regiões produtoras globais.

A sustentação do preço final da soja no mercado interno brasileiro repousa sobre um tripé fundamental de indicadores econômicos: as cotações vigentes na Bolsa de Chicago (CBOT), o prêmio praticado nos portos nacionais e o comportamento do dólar frente à moeda brasileira. Quando o dólar ganha força perante o real, o produto nacional torna-se financeiramente mais barato e consideravelmente mais competitivo para os compradores estrangeiros.

De acordo com Yedda Monteiro, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro, há uma dinâmica particular que diferencia o principal porto paranaense dos demais complexos do país. Enquanto em outras regiões portuárias os preços oscilam estritamente conforme o fluxo logístico local, o Porto de Paranaguá atua de forma consolidada como a principal referência nacional para o estabelecimento dos prêmios. "Mesmo com o dólar trabalhando na faixa de R$ 5,15 tivemos a redução do prêmio porque a alta da soja n Bolsa de Chicago acabou fazendo esse papel de compensação", analisa Monteiro.

CLIMA NOS EUA

A arrancada observada nos preços internacionais nesta semana foi impulsionada diretamente pelas previsões meteorológicas voltadas para o cinturão agrícola (Corn Belt) dos Estados Unidos. Os principais centros de meteorologia apontam para a iminência de uma onda de calor intenso combinada com condições de seca severa para os próximos 14 dias.

Yedda Monteiro reforça que o período compreendido entre os meses de junho e agosto é historicamente classificado no setor como o "mercado de clima" norte-americano. Trata-se da janela temporal mais sensível para a definição do teto de produtividade das lavouras de soja e de milho no hemisfério norte, razão pela qual o mercado financeiro antecipa-se e precifica os potenciais impactos produtivos de forma imediata.

Paralelamente, o relatório da consultoria StoneX contendo as estimativas para o terceiro trimestre aponta que, seguindo o modelo registrado em anos anteriores, o El Niño tende a elevar os índices pluviométricos e atenuar os períodos de estiagem durante o verão norte-americano. Tal configuração climática poderia, em tese, favorecer o rendimento dos campos, porém, a intensidade com que o fenômeno se manifestará tem gerado forte incerteza entre os operadores de mercado.

Segundo a especialista de Inteligência de Mercado da StoneX, Ana Luiza Lodi, embora o balanço global de oferta e demanda de soja apresente-se confortável no momento atual, a consolidação da produtividade real nos Estados Unidos permanecerá como o fator primordial e decisivo na formação dos preços internacionais ao longo dos próximos meses. As informações são da CNN Brasil.

DISPUTA PELA DEMANDA CHINESA

No cenário de comércio exterior, a China, que detém o posto de maior importadora mundial da oleaginosa, iniciou as aquisições do grão norte-americano para dar cumprimento ao seu compromisso anual estabelecido em 25 milhões de toneladas. No decorrer desta semana, a estatal chinesa Cofco realizou a compra, a preço de balcão, de 300 mil toneladas do produto com embarques programados para o período entre setembro e novembro. Analistas de mercado avaliam que a instabilidade climática e as dúvidas sobre a produtividade final nos EUA influenciaram de forma direta essa decisão de compra antecipada, visto que, em condições normais, os preços da commodity tendem a recuar com a progressão da colheita no território norte-americano.

Apesar do avanço territorial dos Estados Unidos por meio da evolução de sua safra e do cumprimento de acordos bilaterais, o Brasil mantém elevados níveis de competitividade no cenário internacional. Essa resiliência comercial é garantida pelo expressivo volume físico disponível, decorrente da safra recorde colhida pelo país.

"A perspectiva é de que o Brasil continue participando das compras chinesas no segundo semestre. Será uma soja um pouco mais cara no segundo semestre? Sim! No entanto, a gente precisa lembrar que tivemos uma safra recorde", destaca Yedda Monteiro.

A análise conjuntural indica que se, por um lado, a consolidação e o avanço das compras chinesas nos EUA podem exercer pressão de baixa sobre os prêmios da soja brasileira nos portos nacionais, por outro lado, a eventual confirmação de problemas climáticos que reduzam de forma efetiva a produtividade norte-americana dará um suporte sólido e duradouro para a elevação das cotações na Bolsa de Chicago.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Cotação Recorde no Ano: A saca de 60 kg da soja brasileira atingiu R$ 139,71 no Porto de Paranaguá, acumulando alta de 4,5% na primeira semana de julho e registrando o valor mais alto de 2026 até o momento.

- Fator Climático nos EUA: Previsões de calor intenso e seca nos próximos 14 dias para o cinturão agrícola norte-americano geram incertezas e impulsionam as cotações na Bolsa de Chicago, contrabalançando o recuo nos prêmios portuários brasileiros.

- Disputa de Mercado com a China: A China iniciou compras sazonais nos EUA (com aquisição de 300 mil toneladas pela Cofco), mas o Brasil segue altamente competitivo para o segundo semestre devido ao grande volume remanescente de sua safra recorde.

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