Geada, chuvas e preços baixos desafiam lavouras e produtores no Paraná
Boletim do Deral aponta perdas por frio no milho e feijão de segunda safra, atraso na colheita do café e crise de rentabilidade no arroz e na mandioca

O outono paranaense tem imposto uma rotina de desafios para o setor agropecuário. Entre os dias 12 e 18 de maio de 2026, o clima no Estado foi marcado por uma forte instabilidade: começou com tempo estável e frio matinal, passou pelo avanço de frentes de chuva a partir de quinta-feira (14) e terminou com um período úmido, marcado por temperaturas baixas e ocorrência de geadas em diversas regiões, especialmente nas áreas de baixada. O cenário climático impactou diretamente o ritmo das colheitas e a qualidade de culturas importantes, enquanto fatores de mercado pressionam a rentabilidade de outros cultivos. As informações são do Boletim de Condições de Tempo e Cultivo do Departamento de Economia Rural (Deral), divulgado nesta terça-feira (19).
Para o milho segunda safra, que está com 100% da área estimada implantada, as chuvas recentes foram fundamentais para recuperar a umidade do solo e sustentar o potencial produtivo. O monitoramento aponta que 82% das lavouras estão em boas condições, 13% em média e 5% em situação ruim, com a fenologia concentrada nas fases de floração (11%), frutificação (18%), maturação (63%) e colheita iniciada (8%). Apesar do benefício da umidade, as geadas registradas causaram danos severos, como a queima de folhas em áreas de baixada, o que deve provocar uma redução na produtividade final. Já o milho de primeira safra teve seu ciclo encerrado e encontra-se 100% colhido, registrando condições de lavoura e maturação totalmente concluídas.
O feijão segunda safra vive uma situação ainda mais crítica devido ao frio. Com lavouras distribuídas entre as fases de frutificação (1%), maturação (42%) e colheita (57%), a cultura apresenta ampla variabilidade: 45% estão em boas condições, 36% em média e 20% em situação ruim. As geadas provocaram perdas significativas, principalmente nas plantações em estágio reprodutivo, comprometendo parte expressiva do potencial produtivo. A produtividade nas áreas já colhidas é considerada irregular. Em decorrência da menor oferta da leguminosa gerada por esses impactos, a tendência no mercado é de elevação nos preços do feijão.
IMPACTOS EM OUTRAS CULTURAS
A colheita do café foi iniciada de forma gradual no Paraná, apresentando boa frutificação e enchimento de grãos em lavouras que estão 91% em boas condições, 8% em média e 1% em situação ruim, divididas entre frutificação (31%) e maturação (69%). No entanto, as chuvas recorrentes limitaram o avanço dos trabalhos de campo e afetaram a qualidade do produto colhido. Somado a isso, os produtores enfrentam escassez de mão de obra para as operações e uma tendência de queda nos preços de mercado com o avanço da colheita.
A batata segunda safra também sofre com o clima úmido. Beneficiada pela umidade no solo para o desenvolvimento vegetativo (que concentra 92% das lavouras em boas condições), a cultura teve a colheita iniciada (46% em maturação e 35% colhida). Contudo, as precipitações frequentes interrompem o trabalho das máquinas e geram perdas qualitativas nos tubérculos. Cenário semelhante vivem a cana-de-açúcar, que teve a colheita paralisada temporariamente pelas chuvas, embora mantenha bom desenvolvimento pela recuperação da umidade do solo; e a soja segunda safra, cujas operações de colheita seguem em ritmo lento, aguardando janelas de tempo firme para evitar novas perdas de qualidade.
PREÇOS ABAIXO DO CUSTO E AVANÇO POSITIVO DO TRIGO
Na contramão dos problemas climáticos, o arroz irrigado e a mandioca enfrentam uma severa crise econômica. A colheita do arroz irrigado avança com bom desempenho produtivo, e a da mandioca segue o cronograma com boas produtividades nas áreas de dois ciclos. Apesar disso, a comercialização de ambos esbarra em preços desfavoráveis que operam abaixo dos custos de produção. De acordo com o Deral, os prejuízos e o desestímulo financeiro atual devem resultar na redução da área cultivada dessas duas culturas na próxima safra.
Por outro lado, as culturas de inverno trazem otimismo. O trigo registrou avanço significativo no plantio, atingindo 48% da área prevista, com 34% em germinação e 66% em desenvolvimento vegetativo. As lavouras estão 100% em boas condições, favorecidas pela excelente umidade do solo na implantação. O relatório aponta que as geadas recentes não causaram impactos significativos ao trigo já implantado, embora algumas regiões registrem redução de área em função dos altos custos de produção. A cevada segue caminho similar, com 15% da área plantada, apresentando 25% em germinação, 75% em desenvolvimento vegetativo e 93% das áreas em boas condições.
Por fim, o setor de horticultura e pecuária registrou impactos pontuais. Na região de Curitiba e outras áreas de baixada, as hortaliças sofreram com geadas de baixa intensidade, gerando danos leves e necessidade de replantio em áreas desprotetidas, enquanto cultivos protegidos por mantas resistiram bem. Nas pastagens, embora haja boa disponibilidade de massa verde geral, o frio e a geada reduziram o ritmo de crescimento do capim e provocaram danos significativos em pontos isolados, afetando a oferta de alimento para o rebanho. Na fruticultura, a colheita de tangerina está em plena atividade, com frutos ainda pequenos (calibre abaixo do ideal) e preços em queda pela alta oferta, mas com expectativa de melhora no tamanho dos frutos devido às chuvas.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Prejuízos pelo Clima: As geadas e o frio intenso no Paraná causaram queima de folhas no milho safrinha e perdas significativas no feijão segunda safra em estágio reprodutivo, o que deve reduzir a produtividade e elevar o preço do feijão no mercado.
- Crise de Rentabilidade: Apesar da boa produtividade nas lavouras, os produtores de arroz irrigado e de mandioca enfrentam preços de venda abaixo do custo de produção, gerando prejuízos e projeção de retração na área plantada para a próxima safra.
- Otimismo no Trigo: O plantio do trigo atingiu 48% da área estimada no Estado com condições 100% favoráveis; a boa umidade do solo impulsionou o desenvolvimento inicial, e as plantações não foram afetadas pelas geadas recentes.





















