Coluna Fragmentos: Estava à toa na vida... | aRede
PUBLICIDADE

Coluna Fragmentos: Estava à toa na vida...

A coluna ‘Fragmentos’, assinada pelo historiador Niltonci Batista Chaves, publicada entre 2007 e 2011, retorna como parte do projeto '200 Vezes PG', sendo publicada diariamente entre os dias 28 de fevereiro e 15 de setembro

Em 30 de dezembro de 1966, o JM publicou nota com base na informação da Assessoria de Imprensa do Ministério da Guerra negando que “A Banda”, música composta por Chico Buarque, estivesse censurada
Em 30 de dezembro de 1966, o JM publicou nota com base na informação da Assessoria de Imprensa do Ministério da Guerra negando que “A Banda”, música composta por Chico Buarque, estivesse censurada -

João Gabriel Vieira

@Siga-me
Google Notícias facebook twitter twitter telegram whatsapp email

Há alguns dias a imprensa brasileira noticiou que uma música inédita composta, em 1974, por Raul Seixas e Paulo Coelho será gravada pelo cantor Roberto Frejat. Até ai, nada de excepcional. Porém, a canção – denominada “Gospel” – é mais uma das centenas de músicas que sofreram com a censura durante a ditadura militar no Brasil.

Geralmente os regimes autoritários se valem de um eficiente sistema de controle de informações e de censura, ferramentas que se completam e têm papel fundamental na construção e disseminação dos valores e sentidos defendidos pela ordem vigente.

Em períodos de exceção, como por exemplo, a ditadura militar brasileira (1964-1985), os veículos de comunicação de massa (tvs, rádios, revistas e jornais), artistas, cantores, compositores, intelectuais, escolas, universidades, igrejas, líderes populares etc., são vigiados de perto e acabam por ser classificados como apoiadores ou inimigos do regime.

Também seria enganoso imaginar que durante a ditadura militar os aparelhos e os agentes responsáveis pelo controle da informação e pela censura só atuaram em grandes centros como Rio de Janeiro e São Paulo. Ao contrário, eles estiveram presentes por todo território nacional e fizeram com que jornais existentes em cidades do interior brasileiro também fossem “fiscalizados” pelos censores a serviço do regime.

O JM, que circulou ininterruptamente durante os 21 anos da ditadura militar, não saiu ileso das ações dos mecanismos de controle. Quando do golpe de 31 de março de 1964 o jornal pertencia ao político e empresário ponta-grossense João Vargas de Oliveira, o qual, após apoiar inicialmente o regime, logo manifestou sua insatisfação em um artigo publicado em 06 de agosto daquele mesmo ano. “Não, a revolução que eu sonhei, não foi essa que está ai!”, escreveu Vargas de Oliveira no JM.

Durante os primeiros anos da ditadura o jornal ponta-grossense ainda pode manifestar algum descontentamento com o regime. Porém, a partir do AI-5, decretado em 13 de dezembro de 1968, e da tomada de poder pela chamada “Linha Dura” do Exército, assim como o que ocorreu com os grandes jornais brasileiros, restou ao JM adotar um tom de colaboracionismo pleno com a ditadura.

.

O material original, com mais de 170 colunas, será republicado na íntegra e sem sofrer alterações. Por isso, buscando respeitar o teor histórico das publicações, o material apresentará elementos e discussões datadas por tratarem-se de produções com mais de uma década de lançamento. Além das republicações, mais de 20 colunas inéditas serão publicadas. Completando assim 200 publicações.

Publicada originalmente no dia 30 de agosto de 2009.

Coluna assinada por Niltonci Batista Chaves. Historiador. Professor do Departamento de História da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Doutor em Educação pela Universidade Federal do Paraná.

PUBLICIDADE

Conteúdo de marca

Quero divulgar right