Seria o amor capaz de derreter medo e repressão?

‘Frozen – Uma Aventura Congelante’ é um autêntico produto da Disney. Ou quase. Tem muita magia, música e cor, como orienta a cartilha. Mas também tem duas princesas (?) com preocupações maiores do que simplesmente devotar suas vidas à procura de um príncipe. Candidatos até existem, porém os caminhos para se chegar ao “the end” são os mais tortuosos possíveis e, como expõe o subtítulo, repletos de aventura e ação, mais do que o romance propriamente dito.
A história é uma adaptação livre do conto de fadas ‘A Rainha da Neve’, escrita por Hans Christian Andersen, em 1845. Essa versão dos diretores Chris Buck e Jennifer Lee enfoca duas irmãs princesas, Anna e Elsa. Na infância, ambas são inseparáveis, mas, graças aos poderes de congelar tudo, Elsa provoca um acidente que quase tira a vida da pequena Anna. O próprio medo somado ao temor dos pais faz com que Elsa seja criada procurando inibir e ocultar o tempo todo o dom que possui.
No dia em que é coroada rainha, Elsa sofre um descontrole emocional e acaba congelando todo o reino. Ainda mais temerosa, refugia-se para uma montanha. A cena na qual ela constrói um castelo para si e se afirma livre para ser quem realmente é chama a atenção pelas entrelinhas, pelo subtexto que ultrapassa o mero entendimento infantil.
Como também manda a cartilha da Disney, Frozen é uma animação pontilhada, do início ao fim, do tradicional humor pueril, que tanto encanta os pequenos. Basta prestar atenção nas reações deles na sala escura. Mas esse humor atrai (por que não?) igualmente os adultos. Que o diga o simpático e inspirado Olaf, o boneco de neve que ganha vida e enriquece o time de personagens.
A solução para o conflito principal surpreende e demonstra que, quando se fala de cinema estadunidense, o “esqueleto” pode até ser o mesmo, mas o preenchimento tem lá seus toques de originalidade.
Tiago Luiz Bubniak





















