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Bizarrice em cada fotograma

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Tiago Bubniak

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Sim, o título deste texto condiz perfeitamente com o que se vê em ‘Mapas para as Estrelas’ e, também, com a filmografia do diretor, David Cronenberg. O cineasta canadense é conhecido por obras como ‘Cosmópolis’, ‘Marcas da Violência’, ‘Na Hora da Zona Morta’, ‘A Mosca’ e ‘Videodrome – A Síndrome do Vídeo’, além de outras. Em seus trabalhos, Cronenberg usa com frequência a bizarrice como ponto de partida para o questionamento da realidade. Essa marca permite que seu nome seja lançado na lista dos cineastas autorais, ou seja, aqueles com sensibilidade para entregar obras de características bem específicas. Qual cinéfilo não é capaz de reconhecer, por exemplo, Quentin Tarantino, Pedro Almodóvar ou Tim Burton quando está diante de um de seus filmes?

Em ‘Mapas para as Estrelas’ (não ouse confundir com ‘A Culpa é das Estrelas’ porque isso seria confusão na certa), o alvo de Cronenberg é o mundo das celebridades e seus personagens satélites: assessores, produtores, gurus, familiares. O elenco traz nomes como Julianne Moore, John Cusak, Mia Wasikowska e Robert Pattinson para dar vida a um leque de personagens com confusões psicológicas, egos patologicamente inflados, inseguranças e preocupações ascendentes com a fama, esse “bem” ilusório, imaterial e fugaz, mas capaz de conceder muito poder e grana.

Que alvo! Que cineasta! Combinar esse tema com esse diretor é juntar a fome com a vontade de comer. E o prato que se consegue com os ingredientes listados no parágrafo anterior é indigesto até para quem está habituado com a filmografia do canadense. Mas não interprete isso como algo ruim. Muito pelo contrário. A indigestão provocada pelo que se vê é exatamente o que se espera ao entrar em contato com a obra; é algo profundamente proposital, com cada diálogo e situação calculadamente inseridos para estar onde deveriam estar.

O insólito, aquilo que parece não fazer sentido, está onde está justamente para compor um retrato de um universo... insólito, que parece não fornecer muito sentido para quem o ocupa, tamanho é o poder enlouquecedor do deslumbramento. Pois é: isso é Cronenberg. Em boa forma. Ou melhor: em ótima forma.

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