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O poder da palavra na sétima arte

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Tiago Bubniak

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Se pode soar taxativo demais mencionar que é impossível não lembrar de ‘Deus da Carnificina’, de Roman Polanski, quando se assiste ao filme ‘Qual é o Nome do Bebê?’, pode-se, então, substituir o termo “impossível” por “difícil”. Há muitas semelhanças entre as duas obras. Para começar, ‘Qual é o Nome do Bebê?’ (‘Le prénom’, no original), é uma adaptação cinematográfica de um trabalho inicialmente elaborado para os palcos. A peça teatral do francês Matthieu Delaporte foi adaptada por ele mesmo, em parceria com Alexandre de La Patellière, e ambos dirigem a versão para a tela grande.

Essa é a primeira grande semelhança, da qual advêm outras duas: o ambiente no qual a ação se desenvolve é predominantemente o mesmo no decorrer de toda a trama (um apartamento) e existe uma supremacia do diálogo. O verbo corre solto nas quase duas horas de ‘Qual é o Nome do Bebê?’ e demonstra o poder que a palavra – e não somente a imagem – é capaz de ter na sétima arte. Outros dois paralelos significativos com o filme de Polanski são a crítica ao politicamente correto e a forma habilidosa com a qual os conflitos vão aflorando e desfazendo-se ou, então, intensificando-se.

A história enfoca o jantar de dois casais com um amigo em comum. Quando um dos personagens expõe o nome que decide dar ao filho que está para nascer, tem início uma série de discussões de ânimos acirrados. Elas só tendem a aumentar e os momentos de trégua dão lugar a novos debates, que acabam se afastando (ou não) do motivo inicial das reações acaloradas.

O que fica dessa sequência de embates é o retrato cômico (e levemente dramático) de uma família. Que torça o nariz quem não se identificar com pelo menos uma das situações mostradas. Afinal, como tantas vezes mencionei, os inventores do cinema têm talento especial para expor a condição humana com naturalidade fascinante. Ao fim do filme, vê-se que se está diante de gente que discute, mas supera as diferenças e quer conviver, enfim. Quer algo mais natural que isso? Além do mais, no caso específico de ‘Qual é o Nome do Bebê?’, as discussões têm muito a provocar, da reflexão séria ao riso.

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