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Por que não resistimos aos alimentos doces e gordurosos?

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Ao longo do tempo alimentos que só eram consumidos de vez em quando, como os refrigerantes e sorvetes, hoje são oferecidos diariamente e em porções cada vez maiores. É um apelo muitas vezes irresistível, e um grande problema para quem deseja emagrecer ou manter a saúde. Confira as razões para essa ‘atração fatal’ com o médico clínico geral e psiquiatra Cyro Masci.

Um fato científico é que nosso cérebro apresenta características que foram formatadas em épocas remotas, quando o modo de vida e o mundo eram muito, mas muito mesmo, diferentes do que é hoje. O mundo mudou, mas o cérebro continua basicamente o mesmo. Vivemos numa era de abundância, mas com um cérebro preparado para conviver com falta de comida.

Em outras palavras, nós saímos de um mundo onde a escassez de alimentos era a regra, mas esse mundo não saiu de dentro de nós. O resultado é que comemos mais do que o necessário, e ingerimos alimentos que, se forem excessivos, podem trazer muitos problemas.

Imagine nossos ancestrais distantes. Tipo da idade da pedra, onde a fonte de comida era coletada, não plantada. E os animais caçados, não criados. Eles dificilmente tinham acesso a alimentos doces. Uma fruta eventual, um favo de mel ocasional, eram presentes dos deuses. E caçar um animal com muito estoque de gordura era garantia de um farto banquete. Foi assim que nosso cérebro aprendeu a jamais desprezar alimentos doces. E apreciar comida gordurosa.

Com a civilização nasceu a indústria de alimentos. E com ela comidas que nunca existiram na natureza, capazes de oferecer tanto a gordura quanto o açúcar juntos, como o sorvete, o chantilly ou ainda o chocolate, entre vários outros.

E o nosso cérebro, lembre-se, foi formatado para aproveitar cada oportunidade, jamais desprezar um presente desses. Resultado: comemos comida que nunca existiu na natureza, e que carrega um apelo profundo ao nosso cérebro, que é de comer sempre que puder e, para algumas pessoas, comer o máximo que conseguir. A ordem é aproveitar o momento e estocar o máximo possível, para nosso cérebro ancestral é uma chance que pode não se repetir tão cedo.

E como é que nosso cérebro favorece esse comportamento? Como é que esse fato foi estabelecido como conduta desejável? Basicamente nosso sistema nervoso nos presenteia com aumento de alguns transmissores químicos que nos dão grande sensação de prazer, como a dopamina, a serotonina e algumas endorfinas.

A cada vez que você obedece às ordens ancestrais, formatadas para a sobrevivência do ser humano primitivo, é presenteado com hormônios que dão sensação de deleita e grande satisfação. E, como tudo que nos dá prazer, pode levar, literalmente, a vício, a um comportamento que busca cada vez mais prazer, em intervalos de tempo cada vez menores.

O resultado é tanto o aumento do peso corporal quanto de doenças relacionadas ao excesso desse tipo de alimento, como o diabetes.

A conclusão imediata é que programas de tratamento voltados ao emagrecimento devem levar esses fatos muito a sério, e devem possuir instrumentos para modificar nosso relacionamento com as áreas mais primitivas do cérebro, aquelas que foram muito úteis aos nossos ancestrais na motivação e seleção de alimentos, mas que hoje causam muitos problemas de saúde.

A boa notícia é que nosso cérebro tem uma grande capacidade de adaptação e aprendizado, o que chamamos de Neuroplasticidade. Um bom tratamento de emagrecimento não se limita restringir calorias, ele deve promover as condições necessárias para que haja uma reeducação efetiva, que o cérebro literalmente mude seu modo de funcionamento. Felizmente podemos mostrar ao cérebro que existe uma forma melhor de nos motivar e fornecer prazer sem ter que seguir cegamente as diretrizes que foram úteis aos nossos ancestrais. Nosso cérebro entende, aprende e muda para melhor.

Informações da assessoria.

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