Tombamento de igrejas em PG divide opiniões e acirra debate político | aRede
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Tombamento de igrejas em PG divide opiniões e acirra debate político

Entre a defesa da preservação histórica pela Prefeitura e as críticas da Diocese e de parlamentares, o projeto de tombamento de nove igrejas católicas amplia a discussão sobre patrimônio, autonomia religiosa e diálogo na definição das políticas culturais

Secretário de Cultura, Alberto Schramm Portugal, vereadora Joce Canto e bispo Dom Bruno
Secretário de Cultura, Alberto Schramm Portugal, vereadora Joce Canto e bispo Dom Bruno -

Julia Sansana

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A proposta da Prefeitura de Ponta Grossa para o tombamento de nove igrejas católicas transformou-se em um dos principais temas do debate político no município. Enquanto a administração municipal defende a medida como uma forma de garantir a preservação permanente do patrimônio histórico e arquitetônico, representantes da Diocese e parlamentares questionam a condução do processo e cobram maior diálogo antes da votação do Projeto de Lei nº 232/2026.

Em vídeo publicado nas redes sociais, o secretário municipal de Cultura, Alberto Schramm Portugal, afirmou que o objetivo da iniciativa é assegurar que os templos permaneçam preservados como igrejas e tenham sua importância histórica reconhecida por lei. Segundo ele, o tombamento não altera a função dos imóveis nem impõe mudanças às edificações, mas protege características arquitetônicas que fazem parte da identidade urbana de Ponta Grossa. O secretário também ressaltou que as igrejas representam elementos marcantes da paisagem da cidade e merecem proteção permanente.

A posição da Prefeitura, entretanto, encontrou resistência entre lideranças religiosas e parte da classe política. A vereadora Joce Canto criticou o encaminhamento da proposta, afirmando que a Diocese de Ponta Grossa e seus representantes não participaram da construção do projeto. Embora tenha declarado apoio à preservação do patrimônio histórico, a parlamentar defendeu que qualquer iniciativa dessa natureza deve ser construída por meio do diálogo, sem imposições. Joce também afirmou que o bispo diocesano, Dom Bruno Versari, solicitou a suspensão do processo para ampliar as discussões.

O tema ganhou novos desdobramentos na sessão da Câmara Municipal realizada na segunda-feira (13), quando Dom Bruno utilizou a Tribuna Livre para apresentar o posicionamento da Diocese. O bispo afirmou que a Igreja reconhece a importância da preservação dos templos, mas considera que o tombamento não acrescentaria mecanismos efetivos de proteção, já que a própria instituição mantém o compromisso de conservar seu patrimônio histórico, artístico e religioso. Segundo ele, alterações estruturais relevantes já dependem das normas legais existentes e da autorização dos órgãos competentes.

Durante sua manifestação, Dom Bruno ainda argumentou que existem exemplos de bens tombados que enfrentam problemas de conservação, sustentando que a proteção legal, isoladamente, não garante a preservação do patrimônio. Ao final, pediu que os vereadores analisem o projeto com cautela antes da deliberação.

A discussão também repercutiu na Assembleia Legislativa. A deputada estadual Mabel Canto manifestou apoio à necessidade de preservar o patrimônio histórico, mas defendeu que qualquer decisão seja construída com diálogo e participação da comunidade. "Defender o nosso patrimônio histórico não pode significar ignorar quem cuida dele há tantos anos. Toda decisão precisa de diálogo, respeito e participação da comunidade", declarou.

Com posições divergentes entre Executivo, Diocese e parlamentares, o projeto segue provocando debate sobre a melhor forma de conciliar a preservação do patrimônio histórico com a autonomia das instituições religiosas responsáveis pela manutenção dos templos.

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