Do caminhão ao aterro: o caminho do lixo e a tecnologia da Ponta Grossa Ambiental e da Zero Resíduos
A reportagem especial acompanha o trabalho dos coletores da PGA e o percurso dos resíduos até a destinação final no aterro

O cuidado com o meio ambiente começa muito antes da destinação final dos resíduos. Em Ponta Grossa, esse processo envolve uma cadeia estruturada que vai desde o trabalho diário dos coletores nas ruas até o tratamento tecnológico realizado no aterro sanitário. Essa integração é um dos destaques do 3º Painel Digital Meio Ambiente e Sustentabilidade, que apresenta cases de empresas comprometidas com soluções ambientais.
Nas ruas, o trabalho começa cedo. Equipes da Ponta Grossa Ambiental percorrem bairros diariamente, garantindo que os resíduos domiciliares sejam coletados de forma eficiente e segura. Com rotas planejadas e monitoramento em tempo real, os caminhões operam com tecnologia que permite acompanhar toda a operação, desde o trajeto até a execução do serviço.
Durante a reportagem, a equipe do Portal aRede acompanhou de perto a rotina das equipes, que deixou evidente que o trabalho dos coletores exige muito mais do que agilidade. Nas ruas, eles enfrentam riscos constantes que muitas vezes passam despercebidos pela população.
Cachorros soltos nas residências, sacolas mal posicionadas e materiais descartados de forma inadequada fazem parte do dia a dia. Em alguns casos, resíduos perfurantes, como espetinhos, ficam expostos para fora das sacolas, podendo causar acidentes. Por outro lado, atitudes simples fazem a diferença: deixar as cestas de lixo do lado de fora das casas e amarrar corretamente as sacolas facilita o trabalho e contribui para a segurança desses profissionais que garantem a limpeza da cidade.

O caminho do lixo
Após a coleta, os resíduos seguem para uma nova etapa: a destinação final no aterro sanitário da Zero Resíduos, onde tecnologia e controle ambiental entram em ação.
De acordo com o coordenador de operações, Matheus Tamiozo, o processo começa assim que o caminhão chega à unidade. “A partir do momento que o caminhão chega na operação, ele é descarregado e começa o processo em si. O trator esteira faz o enleiramento do resíduo no maciço, e depois o compactador realiza a compactação e o espalhamento”, explica.

Um dos grandes diferenciais da operação está na tecnologia utilizada. O aterro conta com um compactador de origem europeia, considerado inovador no setor. “Essa tecnologia é única na América Latina e trouxe um ganho de cerca de 30% na compactação do resíduo. Isso amplia a vida útil do aterro, porque conseguimos ocupar melhor o espaço disponível”, destaca Tamiozo.
Após a compactação, o cuidado continua. Todo o material recebe cobertura diária, medida essencial para evitar impactos ambientais. “A cobertura impede a presença de vetores, como ratos e aves. Garantimos segurança e controle da operação”, completa.

Paralelamente, o aterro opera com um sistema contínuo de drenagem. À medida que a área é ampliada, são instalados drenos verticais e horizontais para a coleta de chorume e captação de gases gerados pela decomposição dos resíduos.
O tratamento do chorume é um dos pontos mais sensíveis da operação. Todo o líquido passa por um processo completo dentro da própria unidade. “O sistema é físico, químico e biológico. O chorume sai da célula, passa por lagoas de tratamento e, ao final, atinge os parâmetros exigidos para o lançamento no Rio Guaraúna”, explica o coordenador. Segundo ele, o processo envolve diversas etapas, incluindo equalização, tratamento sem oxigênio, aeração e polimento final, garantindo segurança ambiental no descarte.

Outro avanço importante está no aproveitamento energético. O biogás gerado no aterro já é captado e, atualmente, passa por queima controlada para reduzir seu impacto. No entanto, uma nova etapa está em implantação. “Estamos finalizando a planta de biometano, com previsão de operação nos próximos meses. Hoje o gás é queimado para reduzir danos, mas em breve ele será purificado e transformado em combustível”, afirma Tamiozo.
A iniciativa permitirá que o gás gerado a partir dos resíduos seja utilizado como energia renovável, seja para abastecimento veicular, uso industrial ou geração elétrica.
Todo esse processo revela que a gestão de resíduos vai muito além do descarte. É uma cadeia integrada, que começa no esforço diário dos coletores e se completa com tecnologia, inovação e responsabilidade ambiental. Em Ponta Grossa, esse modelo mostra que é possível transformar um desafio urbano em uma solução sustentável, conectando trabalho humano, engenharia e cuidado com o futuro.





















