UEPG celebra os 90 anos do Serviço Social no Brasil | aRede
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UEPG celebra os 90 anos do Serviço Social no Brasil

A trajetória da profissão de assistente social começou oficialmente em 1936, com a criação da primeira escola de Serviço Social do país

A trajetória da profissão de assistente social começou oficialmente em 1936, com a criação da primeira escola de Serviço Social do país
A trajetória da profissão de assistente social começou oficialmente em 1936, com a criação da primeira escola de Serviço Social do país -

Publicado por Julia Sansana

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A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) recebeu, entre os dias 13 e 14 de maio, um evento em comemoração ao Dia do(a) Assistente Social e aos 90 anos do Serviço Social no Brasil. Promovida pelo curso de Serviço Social da UEPG em parceria com o Núcleo do Conselho Regional de Serviço Social do Paraná (Nucress) de Ponta Grossa e Região, a programação reuniu estudantes, professores, profissionais e representantes da categoria em debates sobre democracia, direitos sociais, formação profissional e os desafios contemporâneos da atuação do assistente social.

A trajetória da profissão de assistente social começou oficialmente em 1936, com a criação da primeira escola de Serviço Social do país. Realizado no Campus Centro, o evento comemorativo contou com palestra da professora Esther Luíza de Souza Lemos, da Unioeste, além de painéis, oficinas e seminários integrativos. A abertura incluiu uma apresentação cultural do Movimento Conceição, com batalha de slam e de rima.

A coordenadora do curso de Serviço Social da UEPG, professora Silmara Carneiro e Silva, destacou que a profissão mantém, ao longo de sua história, um compromisso com a construção de uma sociedade mais inclusiva. “E para chegarmos num contexto de emancipação humana, precisamos não só lutar pela garantia de direitos, mas olhar olho no olho, face a face e estar abertos e abertas ao diálogo com as diversidades humanas”, afirmou.

Para a coordenadora, a marca dos 90 anos representa uma construção coletiva feita por diferentes gerações de assistentes sociais. “Esse lugar melhor de amanhã está sendo construído aqui, no presente. Então, que esse futuro, que está sendo gestado hoje, aqui e agora, possa incluir todos e todas. E não há lugar melhor para pensar essa inclusão de todos e todas que a universidade”. Silmara também ressaltou a realização conjunta do evento entre UEPG e Nucress como símbolo de fortalecimento da profissão. “Nós buscamos unidade na diversidade. E pensar a profissão, uma profissão crítica e que tem a capacidade de ação, exige de nós, formadores e formadoras, diálogo permanente com a sociedade”.

Chefe do Departamento de Serviço Social da UEPG, o professor Peterson Alexandre Marino explicou que o evento foi pensado como um espaço de reflexão sobre a profissão, especialmente a partir da realidade regional. “Estamos comemorando o dia do assistente social, uma data importante para a gente estar sempre relembrando a importância da profissão, especialmente nos anos mais recentes, com a implantação de várias políticas públicas onde o assistente social está atuando”, comentou. Segundo Peterson, a programação buscou aproximar universidade, estudantes e entidades representativas da categoria. “Há uma parceria com o Conselho Regional de Serviço Social, o Cress, e o Nucress aqui de Ponta Grossa. Tem havido a participação dos alunos também na organização do evento”.

HISTÓRIA DA PROFISSÃO

As reflexões sobre os 90 anos do Serviço Social brasileiro passaram pela história da profissão e pelas mudanças sociais e políticas que transformaram sua atuação ao longo das décadas. “Hoje eu estou no cargo de diretora do Setor de Ciências Sociais Aplicadas, mas eu estou, na verdade eu sou assistente social, e já faz mais de três décadas”, comentou a professora Sandra Maria Scheffer. “Somando com meu tempo de graduação, já tenho 40 anos entre estudo e profissão, com muito orgulho”. Sandra mencionou que, a partir da promulgação da Constituição em 1988, alterou-se completamente a forma de pensar políticas públicas, o trabalho do assistente social passa a englobar vários segmentos e, com isso, precisou se atualizar.

A diretora do setor lembrou que sua turma de graduação escolheu o nome “Eterno Aprendiz”, expressão que, segundo ela, continua definindo a profissão. “A gente era rebelde e não demos o nome da turma de um professor, que naquela época se dava. A gente deu o nome ‘eterno aprendiz’. E é assim, a profissão faz com que a gente se renove, faz com que a gente precise estar atento a todas as modificações”, afirmou. Ao falar aos estudantes presentes, Sandra ressaltou os desafios e os sentidos da atuação do assistente social. “É uma profissão que lida com as mazelas, com as vulnerabilidades, mas terão muitas alegrias, muitos momentos que vocês vão ver que contribuímos com um processo emancipatório de uma comunidade, de uma família”.

O Grande Auditório do Campus Centro também se transformou em espaço de memória e reconhecimento. Durante o evento, participantes foram convidados a deixar mensagens em um varal de homenagens dedicado a profissionais do Serviço Social. Em sua fala, a representante do Nucress, Maysa Nuermberg de Vasconcellos Costa, fez uma homenagem à assistente social Reni Aparecida Eidam, falecida no último dia 3 de maio. Segundo ela, Reni teve trajetória marcada pela defesa dos direitos das mulheres e pela atuação ética e engajada junto à categoria profissional no Paraná. “Sua partida nos entristece, mas também nos convoca a seguir lutando, seguir defendendo direitos, seguir acreditando que o serviço social é uma profissão que transforma realidades”, declarou.

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  • A trajetória da profissão de assistente social começou oficialmente em 1936, com a criação da primeira escola de Serviço Social do país
    A trajetória da profissão de assistente social começou oficialmente em 1936, com a criação da primeira escola de Serviço Social do país
  • Palestra da professora Esther Luíza de Souza Lemos, da Unioeste
    Palestra da professora Esther Luíza de Souza Lemos, da Unioeste
  • Durante o evento, participantes foram convidados a deixar mensagens em um varal de homenagens dedicado a profissionais do Serviço Social
    Durante o evento, participantes foram convidados a deixar mensagens em um varal de homenagens dedicado a profissionais do Serviço Social
  • O Grande Auditório do Campus Centro também se transformou em espaço de memória e reconhecimento
    O Grande Auditório do Campus Centro também se transformou em espaço de memória e reconhecimento
  • A trajetória da profissão de assistente social começou oficialmente em 1936, com a criação da primeira escola de Serviço Social do país
    A trajetória da profissão de assistente social começou oficialmente em 1936, com a criação da primeira escola de Serviço Social do país
  • O reitor da UEPG, professor Miguel Sanches Neto, celebrou os 90 anos da profissão
    O reitor da UEPG, professor Miguel Sanches Neto, celebrou os 90 anos da profissão
  • Entre as atividades realizadas no evento, esteve os painéis “Diferentes sujeitos, uma só luta”
    Entre as atividades realizadas no evento, esteve os painéis “Diferentes sujeitos, uma só luta”
  • O evento auxiliou os estudantes a compreenderem as diversas áreas de atuação e o mercado de trabalho
    O evento auxiliou os estudantes a compreenderem as diversas áreas de atuação e o mercado de trabalho
  • UEPG celebra os 90 anos do Serviço Social no Brasil

Segundo Maysa, celebrar os 90 anos do Serviço Social significa também reconhecer o trabalho de profissionais. “Celebrar essa data é muito mais do que lembrar a trajetória histórica da profissão. É reconhecer a potência coletiva de milhares de assistentes sociais que ao longo de nove décadas construíram cotidianamente uma profissão comprometida com os direitos humanos, com a democracia, com a justiça social e com a defesa intransigente da dignidade humana”.

Maysa destacou que o Serviço Social atua em diferentes espaços e políticas públicas, da saúde à educação, da assistência social aos movimentos sociais, e que seria justamente nessa multiplicidade que reside a força coletiva da profissão. “Falar em unidade na diversidade é reconhecer que nossa categoria é múltipla”, comentou. A representante do Nucress também reforçou a importância, no contexto atual, da participação popular e da construção democrática das políticas públicas. “Talvez nunca tenha sido tão necessário que afirmemos a radicalidade democrática no Brasil”.

A participação estudantil também marcou a programação. Representando os alunos do curso de Serviço Social na mesa de abertura do evento, a estudante Kauana de Almeida destacou a importância dos espaços de debate para a formação profissional. “Esse evento é muitíssimo importante. Poder ter uma visão para além da sala de aula é o que fortalece a nossa formação profissional”, afirmou. Para Kauana, as atividades fortalecem o tripé universitário formado por ensino, pesquisa e extensão. A estudante também ressaltou a importância simbólica da comemoração dos 90 anos da profissão e da convivência com profissionais que participaram das transformações históricas do Serviço Social brasileiro: “Estar aqui ao lado de profissionais que estão engajados nessa luta é uma honra”.

INÍCIO DO CURSO NA UEPG

No encerramento da mesa de abertura, o reitor da UEPG, professor Miguel Sanches Neto, celebrou os 90 anos da profissão e destacou a importância do Serviço Social. “Se a gente imaginar que a primeira universidade brasileira foi criada em 1912, nós estamos imaginando que essa profissão está na raiz da formação universitária do Brasil. O curso de Serviço Social está na essência daquilo que a gente entende como universidade pública. Celebrar essa epopéia de 90 anos mostra principalmente a permanência de uma profissão que é fundamental num país com tantas divergências sociais”, afirmou. “Nós temos um país para ser reconstruído, para ser pensado e repensado. E nós temos o maior orgulho, enquanto universidade pública, de ter o curso de Serviço Social”.

O reitor relembrou a implantação do curso noturno de Serviço Social na UEPG, iniciada em 2022, quando a graduação passou a contar com turmas nos períodos matutino e noturno. Segundo ele, a ampliação representa um passo importante na democratização do acesso ao ensino superior público. “Temos dois tipos de estudantes. Temos o estudante profissional, que é aquele que pode se dedicar unicamente ao estudo, e temos o profissional estudante, que é aquele que tem que trabalhar e fazer o seu estudo. Então, a universidade pública tem que abrir cursos no noturno também e essa palavra ‘também’ é muito importante, senão o profissional não consegue ter acesso a nossa universidade. A nossa que eu digo, a universidade pública, que é a nossa no sentido mais amplo porque ela é do povo brasileiro, do contribuinte brasileiro”, afirmou.

Filho e neto de analfabetos, Miguel afirmou que a chegada à reitoria da UEPG exemplifica a força transformadora da educação pública. “Essa é a magia da universidade pública, fazer com que pessoas que estão em outras camadas sociais e nunca tiveram acesso a nenhum tipo de formação pudessem ocupar lugar de fala, lugar de decisão”, comentou.

EXPERIÊNCIAS PROFISSIONAIS 

Entre as atividades realizadas no evento, esteve os painéis “Diferentes sujeitos, uma só luta”, em que os estudantes do curso de Serviço Social ouviram o relatos de experiências profissionais de assistentes sociais. Segundo a professora Caroline Wynnek, mediadora de um dos painéis, “o principal objetivo é fazer com que os alunos se enxerguem na profissão através dos relatos, tanto de que quem está começando a carreira, já inserido, no mercado de trabalho e fazendo o que gosta, quem está no meio da sua trajetória e quem já têm mais experiência está com uma carreira consolidada. Para que os alunos consigam se enxergar atuando, ver áreas em que eles possam se identificar e começar a construir também a sua trajetória”.

O painel mediado pela professora reuniu alunos do primeiro e do quarto ano. “O objetivo de juntar turmas foi para eles também interagir entre eles. O primeiro ano, às vezes ainda meio perdido, podem conversar com alunos do quarto ano e acabar se inspirando, ver que já fizeram estágio em um lugar que almeja, então trouxemos esse momento de interação para eles se conhecerem uns aos outros também”, explica. Caroline se formou pela UEPG em 2022, realizou mestrado na mesma instituição e atuou profissionalmente na área da saúde, no Hospital Universitário (HU-UEPG). Hoje, é docente do Departamento de Serviço Social. “Acabei me encontrando na profissão de uma forma que hoje eu fico até admirada do quanto eu me encontrei, da carreira que eu fui construindo. Para mim, estar aqui hoje vendo os outros profissionais e estando como mediadora do evento é um motivo de muito orgulho”, afirmou.

Um dos participantes foi o assistente social André Henrique Melo Correa, graduado pela UEPG em 2019. “Voltar para a UEPG, rever professores e conhecer estudantes novos, a futura geração de assistentes sociais, é um momento que muito me alegra, um exercício de memória e de aprendizado também”, declarou. “Eu devo muito à UEPG, justamente por ter me formado aqui, por ter conhecido professoras muito boas, por ter construído rede também com estudantes de outros cursos, por ter estabelecido relações com os profissionais da Universidade, desde a cozinha até a segurança”.

A aluna do primeiro ano Rafaela Guebert disse que o painel foi uma oportunidade de tirar dúvidas e saber mais sobre a atualidade da profissão. “Foi muito bom ouvir as histórias de cada um; a professora Lenir, por exemplo, que contou sobre como era antes e como é agora, a evolução da profissão. E também ouvir dois profissionais que são mais próximos da gente, da nossa geração mesmo [André e a assistente social Tatiane Haddad]. Eu achei muito interessante a parte em que eles falaram sobre as aparências, sobre como eles tiveram que se impor. Foi tudo muito interessante”, afirmou.

RESUMO

Celebração e debates na UEPG: A Universidade Estadual de Ponta Grossa sediou, nos dias 13 e 14 de maio, um evento em comemoração ao Dia do Assistente Social e aos 90 anos do Serviço Social no Brasil. Promovida em parceria com o Nucress regional, a programação reuniu a comunidade acadêmica e profissionais em palestras, oficinas e painéis focados na democracia, direitos sociais e desafios contemporâneos da profissão.

História, transformações e memória: O evento resgatou a trajetória da profissão (iniciada em 1936) e destacou como a promulgação da Constituição de 1988 reformulou a atuação do assistente social no desenvolvimento de políticas públicas. Houve também um momento de homenagem e memória à assistente social Reni Aparecida Eidam, falecida no início de maio, reconhecida por sua defesa ética da categoria e dos direitos das mulheres.

Democratização do ensino e troca de experiências: O reitor da UEPG enfatizou que a criação do turno noturno em 2022 ampliou o acesso à universidade para o "profissional estudante". Além disso, o evento promoveu painéis de integração que reuniram calouros e formandos para ouvir relatos de profissionais em diferentes fases da carreira, auxiliando os estudantes a compreenderem as diversas áreas de atuação e o mercado de trabalho.

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