Médica infectologista do Centro Hospitalar São Camilo esclarece dúvidas sobre hantavírus
Bianca Hoekstra explica formas de transmissão, sintomas e reforça importância da prevenção e do atendimento médico especializado

O hantavírus voltou a chamar atenção nos últimos dias após casos registrados no exterior e também uma confirmação no Paraná. O assunto gerou preocupação entre moradores de Ponta Grossa e de diversas regiões do país. Para esclarecer dúvidas sobre a doença, o Portal aRede entrevistou a médica infectologista Bianca Hoekstra, do Centro Hospitalar São Camilo, que explicou como ocorre a transmissão, quais são os sintomas e por que o vírus não possui potencial para causar uma pandemia.
Vírus é um velho conhecido pela medicina
Segundo a especialista, apesar da recente repercussão, o hantavírus não é uma doença nova para a medicina. “O hantavírus não é um vírus novo. É um vírus novo nas notícias, mas para nós, especialmente infectologistas, é um vírus conhecido há algumas décadas”, explicou Bianca durante a entrevista.
A médica detalha que o vírus é transmitido principalmente por pequenos roedores silvestres, especialmente camundongos de campo, e não pelos ratos urbanos normalmente associados à leptospirose. A contaminação acontece quando a pessoa inala partículas de urina ou fezes desses animais presentes no ambiente. “Quando a pessoa entra em contato com partículas desses roedores e inala através de partículas muito fininhas suspensas no ar, ela pode se contaminar”, afirmou.
Apesar da repercussão internacional após casos ligados a um cruzeiro, Bianca reforça que o hantavírus dificilmente se espalha entre pessoas. “Ele não tem potencial para ser pandêmico. A transmissão de pessoa para pessoa é muito difícil e acontece apenas em uma cepa específica, chamada cepa andina”, destacou. Segundo ela, mesmo nos casos já estudados na América do Sul, a transmissão familiar registrada foi inferior a 2%.
Sintomas e prevenção
A infectologista também explicou como a doença age no organismo. Após a contaminação, o vírus pode atingir células dos vasos sanguíneos, provocando vazamento de líquidos, complicações cardíacas e pulmonares. “Isso provoca uma dilatação do coração e também um edema pulmonar, ou seja, um acúmulo de líquidos dentro dos pulmões”, explicou.
Os sintomas iniciais, porém, costumam ser semelhantes aos de outras doenças virais, como gripe, dengue e Covid-19. “A pessoa vai ter dor de cabeça, febre, mal-estar e dor no corpo. O quadro clínico é indistinguível de outras doenças virais”, ressaltou Bianca. O principal alerta, segundo ela, está no histórico de exposição da pessoa a ambientes com presença de roedores.
A médica também chamou atenção para os cuidados preventivos, especialmente para pessoas que trabalham ou frequentam galpões, depósitos e locais fechados. “O ideal é deixar o ambiente ventilado antes da limpeza e molhar o local para evitar que partículas contaminadas subam no ar”, orientou. O uso de equipamentos de proteção individual e máscaras apropriadas também é recomendado em locais de maior risco.
Tratamento e caso registrado em Ponta Grossa
Sobre tratamento, Bianca explicou que ainda não existe medicação específica contra o hantavírus. “O tratamento é de suporte. A gente tenta manter a pessoa viva até ela eliminar o vírus”, comentou. Ela reforçou ainda a importância de procurar atendimento médico diante de sintomas mais intensos, principalmente quando houver falta de ar, dor no peito ou cansaço extremo.
Durante a entrevista, a infectologista também comentou sobre o caso registrado em Ponta Grossa neste ano. Conforme informações divulgadas pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), trata-se de um caso isolado, sem relação com a cepa andina que ganhou repercussão internacional. “É um caso esporádico que acontece eventualmente mesmo. A expectativa é que o Paraná registre menos de uma dezena de casos ao longo do ano”, afirmou Bianca.
Ao final da entrevista, a médica reforçou o papel da prevenção e da conscientização da população. “O melhor jeito é a gente se prevenir. Animal silvestre não é animal doméstico. Não manipule, não cuide e mantenha afastado das casas e galpões”, concluiu.





















