Carreata em Ponta Grossa cobra esclarecimentos sobre morte de adolescente em ação policial
Ato pacífico reuniu familiares e apoiadores de jovem de 17 anos morto no início do ano e voltou a questionar a versão oficial do caso
Publicado: 11/01/2026, 17:51

Familiares, amigos e apoiadores do adolescente Luiz Eduardo Silveira Quadros dos Santos, de 17 anos, realizaram uma carreata na tarde de sábado (10), em Ponta Grossa, para pedir esclarecimentos sobre a morte do jovem durante uma ação da Polícia Militar. O caso ocorreu no dia 1º de janeiro de 2026 e, segundo os parentes, ainda carece de explicações públicas.
A mobilização teve início no bairro Uvaranas, onde os participantes se reuniram antes de seguir em carreata até o Centro da cidade. O ato foi marcado pelo caráter pacífico e pelo apelo por respostas das autoridades responsáveis pela apuração da ocorrência.
Durante o trajeto, os manifestantes utilizaram balões brancos e pretos como símbolo de luto e reforçaram que a iniciativa não teve como objetivo promover confronto, mas manter o caso em evidência. De acordo com a família, até o momento não houve detalhamento oficial sobre as circunstâncias que levaram à morte do adolescente. Ao final da carreata, os balões foram soltos em homenagem ao jovem, em um momento marcado por silêncio, emoção e manifestações de apoio de moradores que acompanharam o percurso.
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CASO - A ação aconteceu na tarde do dia 1º de janeiro, por volta das 15h, na Vila Costa Rica. Conforme o relato inicial da Polícia Militar, Luiz Eduardo teria fugido de uma abordagem por estar em uma motocicleta sem placa e sem capacete. Após acompanhamento até a estrada municipal Sebastião Bastos, o adolescente teria tentado fugir a pé e, ainda segundo a PM, apontado uma arma de fogo contra os policiais, o que teria motivado a reação da equipe. O jovem foi atingido, não resistiu aos ferimentos e morreu no local. Uma arma foi recolhida e a motocicleta apresentava sinais de adulteração. A PM informou que instaurou procedimento administrativo para apurar os fatos e determinou o afastamento temporário do policial envolvido.
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FAMÍLIA CONTESTA VERSÃO DA POLÍCIA - No início do mês, a família divulgou nas redes sociais um vídeo que, segundo os parentes, mostra Luiz Eduardo saindo de casa momentos antes da ocorrência. Nas imagens, o adolescente aparece sem camiseta, deixando a residência em uma motocicleta. Para os familiares, o registro reforça a versão de que ele não estaria armado naquele momento, argumento usado para contestar a narrativa de confronto apresentada após a ação policial.
Em publicações nas redes sociais, parentes descreveram o jovem como alguém que havia acabado de almoçar com a família e saído de casa como “tantos outros adolescentes”. Eles reconhecem que Luiz Eduardo cometeu infrações de trânsito, como conduzir motocicleta sem capacete e em situação irregular, mas defendem que tais condutas não justificariam um desfecho fatal. Segundo o relato, o adolescente teria fugido por medo de perder a motocicleta ou de sofrer agressões, e não por envolvimento em crimes.
A família afirma ainda que o pai tentou intervir ao perceber a movimentação policial e teria pedido para que os disparos não fossem efetuados. Pouco depois, ouviu os tiros que resultaram na morte do filho. Os parentes dizem não buscar vingança ou indenização, mas cobram uma apuração detalhada e transparente. “Queremos a apuração real dos fatos e que o nome de Luiz Eduardo seja respeitado”, diz o texto divulgado.
Além da carreata, familiares e amigos também realizaram um protesto na quinta-feira (8), na avenida General Carlos Cavalcanti, em frente ao campus de Uvaranas da UEPG. No ato, eles reforçaram o pedido por justiça, afirmaram que o adolescente não possuía antecedentes e reiteraram a versão de que ele não estaria armado no momento da intervenção policial.
LEIA ABAIXO O RESUMO DA MATÉRIA:
- Carreata pacífica percorreu Ponta Grossa para cobrar esclarecimentos sobre a morte de adolescente durante ação da PM.
- Família contesta a versão oficial de confronto e divulgou vídeo para reforçar pedido de apuração detalhada.
- Polícia Militar instaurou procedimento administrativo e afastou temporariamente o policial envolvido.




















