Ministério Público abre inquérito para investigar supostas práticas de ditadura no BBB 26
Órgão apura denúncias de riscos físicos e psicológicos em dinâmicas do reality exibido pela Globo

O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um inquérito civil para apurar possíveis práticas consideradas degradantes no BBB 26, reality show exibido pela Rede Globo. A investigação busca analisar denúncias relacionadas a dinâmicas do programa que, segundo representações encaminhadas ao órgão, poderiam expor participantes a riscos físicos e psicológicos. As informações são da Banda B, parceira do Portal aRede.
De acordo com a decisão do MPF, algumas atividades exibidas no programa estariam sendo questionadas por, em tese, submeter participantes a situações que poderiam configurar tratamento desumano ou degradante.
.
Episódios envolvendo participantes estão entre os pontos analisados
Entre os casos citados nas representações está o de duas crises convulsivas sofridas pelo participante Henri Castelli durante uma prova de resistência. O episódio levantou questionamentos sobre os limites físicos exigidos dos confinados em determinadas dinâmicas do programa.
Outro ponto mencionado no inquérito envolve a dinâmica conhecida como “Quarto Branco”, na qual nove participantes teriam permanecido isolados no mesmo ambiente por seis dias, com acesso apenas a água e biscoitos.
O MPF também analisa a situação envolvendo o participante Breno, que teria sido submetido a uma espécie de “exílio” em uma área externa da casa, permanecendo isolado dos demais concorrentes.
.
Denúncia cita comparação com práticas da ditadura
Uma das representações recebidas pelo Ministério Público partiu da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP). Segundo o órgão, a metodologia utilizada na dinâmica do Quarto Branco apresentaria semelhanças com práticas de tortura empregadas durante a ditadura militar no Brasil.
No documento, o MPF ressalta que a proibição da tortura e de tratamentos desumanos ou degradantes está prevista na Constituição Federal de 1988. O inciso III do artigo 5º estabelece que ninguém deve ser submetido a esse tipo de prática.
Ainda segundo o órgão, a “normalização do sofrimento alheio como forma de espetáculo” seria incompatível com os princípios constitucionais voltados à construção de uma sociedade justa e solidária.
Globo ainda não comentou investigação
Até o momento, a Rede Globo não se pronunciou oficialmente sobre a abertura do inquérito civil por parte do Ministério Público Federal.
A investigação deve reunir informações e avaliar as denúncias apresentadas para verificar se houve eventual violação de direitos ou exposição indevida dos participantes durante o reality show.
.
RESUMO DA MATÉRIA:
- MPF abriu inquérito civil para investigar possíveis práticas degradantes no BBB 26.
- Denúncias citam crises convulsivas em prova de resistência e dinâmica do Quarto Branco.
- Globo ainda não se manifestou sobre a investigação.





















