Estudante de Direito acusa colegas de turma de racismo

Uma aluna do 4º ano do curso de Direito da Faculdade Arthur Thomas, em Londrina, no norte do Paraná, denunciou vários colegas de sua turma por racismo. De acordo com Celiana Lúcia da Silva, de 48 anos, os envolvidos usavam uma conversa no aplicativo WhatsApp para ironizar a cor da pela da mulher, que é negra. Uma foto dos pés da vítima foi postada no grupo e seguida por vários comentários racistas, segundo Celiana.
“Esta é minha terceira graduação. Sou pós-graduada, inclusive. Nunca na esfera acadêmica sofri qualquer tipo de injúria. Essa é a primeira vez. Posso dizer que já sofri preconceito em outras situações, mas na universidade não tinha acontecido”, conta ao portal O Diário. Após acionar a Polícia Militar, duas viaturas foram até a faculdade para averiguar a situação. Os alunos que fizeram os comentários tiveram os nomes colocados no processo, mas não foram levados até a delegacia em um primeiro momento.
O grupo do WhatsApp tem pelo menos dez alunos, mas apenas quatro ou cinco fizeram os comentários sobre a cor da pele da mulher. Uma colega, que teve acesso às ofensas, mostrou toda a conversa e encaminhou as fotos para Celiana. “Eles tiraram sarro da minha roupa. Fizeram comentários sobre a cor da minha pele. Divulgaram uma foto do meu pé e perguntavam se eu estava de meia preta”, comenta.
A mulher diz ainda que o caso foi descoberto na última terça-feira (2), e no dia seguinte ela procurou a coordenação do curso de Direito da faculdade. “Falaram que era um problema meu e que se eu quisesse era para procurar a Justiça”, afirma. A Polícia Civil abriu inquérito para apurar o caso e os envolvidos podem responder por injúria racial.
De acordo com o portal O Diario, a Faculdade Arthur Thomas informou que está apurando todas as informações para tomar as devidas providências no caso.
Outro lado
Em entrevista ao G1, o advogado de um dos estudantes envolvidos no caso, Reinaldo Ignacio Alves Jr, disse que o episódio foi apenas uma brincadeira de mau gosto. “De fato houve uma brincadeira de mau gosto, mas que não se trata de um crime de injúria, porque nunca houve a intenção de pormenorizar a colega de classe, tanto que as brincadeiras nunca foram direcionadas diretamente a ela, para expor ela ao ridículo”, justifica.
Ainda segundo o advogado, os alunos pediram desculpa a Celiana. “Ela teria aceitado as desculpas e pediu para que o resto do grupo se retratasse. Eles irão fazer oportunamente isso”. A vítima das ofensas disse que aceitou o pedido de desculpas, mas que isso aconteceu antes que ela tivesse acesso ao conteúdo das conversas.





















