Planejamento urbano cumpre papel na construção de uma PG mais sustentável
Conselheiro de Urbanismo do Grupo aRede, Henrique Wosiack Zulian destaca a função do planejamento urbano na acessibilidade de programas ambientais em Ponta Grossa

Ponta Grossa vem ampliando suas políticas de reciclagem por meio de investimentos em tecnologia, educação ambiental, inclusão social e fortalecimento da coleta seletiva.
O conselheiro da área de Urbanismo do Grupo aRede, Henrique Wosiack Zulian, afirma que os avanços demonstram o compromisso do município com a sustentabilidade, mas também revelam um desafio maior: alinhar as políticas ambientais ao planejamento urbano da cidade.
Segundo o urbanista, reciclar é apenas uma parte da solução. O próximo passo é construir uma cidade capaz de tornar os comportamentos sustentáveis mais simples, acessíveis e eficientes para toda a população.
Para ele, investimentos em equipamentos, programas ambientais e conscientização devem caminhar lado a lado com um crescimento urbano mais organizado, capaz de aproximar pessoas, serviços e oportunidades.
OPINIÃO
Confira abaixo a opinião na íntegra de Henrique, graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), pós-graduado pela Escola da Cidade e mestre na área de Projeto Arquitetônico pela Universidade de São Paulo (FAU-USP). Ele também tem dezesseis premiações em concursos de arquitetura pelo Brasil, inclusive em Ponta Grossa:
"Ponta Grossa está ampliando suas políticas de reciclagem, investindo em tecnologia, educação ambiental, incentivos à população e valorização dos catadores.
Quando falamos em sustentabilidade urbana, estamos falando de construir cidades capazes de tornar os comportamentos sustentáveis mais fáceis, acessíveis e eficientes para todos, além da economia nos cofres públicos.
Em cidades mais compactas, os serviços públicos conseguem alcançar mais pessoas com menos deslocamentos, menor consumo de combustível e menor custo operacional. A coleta seletiva, por exemplo, torna-se mais eficiente quando as distâncias são menores e a densidade urbana é adequada. Os próprios pontos de entrega voluntária, estações de reciclagem e programas como o Recicla PG conseguem atender um número maior de moradores com uma infraestrutura relativamente reduzida.
A experiência de Ponta Grossa mostra que sustentabilidade não depende apenas de investimentos em equipamentos ou campanhas. Ela depende também da forma como a cidade cresce. Quanto mais espalhada e dispersa for a ocupação urbana, mais difícil e caro se torna oferecer coleta seletiva, educação ambiental, transporte público e outros serviços essenciais.
Outro aspecto relevante é a integração entre poder público, universidades, cooperativas e população. A reciclagem deixa de ser apenas uma questão ambiental e passa a ser uma política de inclusão social, geração de renda e fortalecimento comunitário. O trabalho das associações de catadores, os projetos desenvolvidos pela UEPG e iniciativas como o Projeto Elas demonstram que a sustentabilidade urbana é construída por pessoas, não apenas por máquinas e estruturas.
Talvez a principal lição seja essa: cidades sustentáveis não são aquelas que apenas recolhem melhor o lixo. São aquelas que conseguem aproximar pessoas, serviços e oportunidades. Quando o planejamento urbano caminha junto com as políticas ambientais, a reciclagem deixa de ser uma ação isolada e passa a fazer parte de um projeto maior de cidade: mais eficiente, mais inclusiva e mais preparada para os desafios do futuro".
CONSELHO DA COMUNIDADE
Composto por lideranças representativas da sociedade, não ocupantes de cargo eletivo, totalizando 14 membros, a iniciativa tem o objetivo de debater, discutir e opinar sobre pautas e temas de relevância local e regional, que impactam na vida dos cidadãos, levantados semanalmente pelo Portal aRede e pelo Jornal da Manhã, com a divulgação em formato de vídeo e/ou artigo.
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