PG deve excluir burocracias e promover inclusão digital como 'Cidade Inteligente'
O conselheiro de Saúde do Grupo aRede, Mário Montemór Netto, avalia que transformação tecnológica dos serviços públicos é positiva, mas precisa ser de fácil acesso

O conselheiro de Saúde do Grupo aRede, Mário Rodrigues Montemór Netto, avalia que Ponta Grossa tem um "diagnóstico de alta performance" com um sistema nervoso digital excelente. Todavia, há um alerta para a transformação tecnológica do acesso aos serviços públicos, pois é preciso que o Município promova a democratização das ferramentas que a tornam em cidade inteligente.
Confira abaixo a opinião na íntegra de Mário, que é médico, Diretor de Saúde da ACIPG, presidente da AMPG, professor do curso de Medicina da UEPG e conselheiro de Saúde do Portal aRede:
"O Sistema Nervoso de uma "Smart City" e a Prevenção da Exclusão Digital
Na biologia, a inteligência de um organismo não é medida pelo tamanho do seu cérebro, mas pela velocidade, precisão e integração das suas sinapses — a capacidade de enviar comandos, processar informações e responder rapidamente aos estímulos do ambiente. Ao analisarmos Ponta Grossa, eleita pelo quarto ano consecutivo como uma das 21 comunidades mais inteligentes do mundo, o diagnóstico clínico é de alta performance: nossa cidade desenvolveu um sistema nervoso digital de excelência.
Mas, como médico e Conselheiro de Saúde, preciso fazer o alerta: a tecnologia não é a cura em si mesma; ela é o bisturi de precisão. O que nos torna de fato uma "Smart City" é como usamos essa ferramenta para promover a homeostase (equilíbrio) financeira e social da população.
Desinflamando o Organismo Urbano
Historicamente, o cidadão ponta-grossense sofria de uma inflamação crônica e dolorosa: a burocracia. Filas de madrugada para vagas em escolas, meses perdidos para emitir alvarás e lentidão extrema.
A evolução de "Cidade Digital" para "Cidade Inteligente" atuou como um potente anti-inflamatório. Hoje, a prefeitura não apenas eliminou o papel; ela integrou seus órgãos. A redução de 85% no tempo médio de resposta significa que o poder público parou de desperdiçar a energia vital do cidadão. Quando um morador de um bairro distante agenda sua consulta pelo Zap PG ou acompanha um processo pelo celular, ele economiza passagem de ônibus e preserva seu dia de trabalho. A tecnologia vira, assim, um gerador direto de saúde financeira para as famílias.
O Córtex Criativo e o Sistema Imunológico
Dois órgãos vitais se destacam nesta evolução metabólica. O primeiro é a Estação Hub, que funciona como o córtex pré-frontal do nosso ecossistema. É lá que o pensamento criativo encontra estrutura para desenvolver as empresas que serão a base nutricional (emprego) dos nossos jovens.
O segundo é a Muralha Digital, nosso novo sistema imunológico. Com 780 câmeras conectadas à inteligência artificial, ela atua como uma rede de macrófagos, detectando "patógenos" (criminalidade e irregularidades) e garantindo uma resposta rápida das forças de segurança, curando o problema antes que a violência deixe sequelas graves na sociedade.

O Risco Clínico: A "Neuropatia Periférica" Digital
Todo tratamento agressivo, contudo, tem efeitos colaterais que precisam ser monitorados. O risco de um organismo hiperconectado é perder a sensibilidade nas suas extremidades — o que chamamos de "neuropatia periférica". Se a tecnologia avançar sem a democratização do acesso (Cidadania Digital), criaremos áreas isquêmicas na cidade. O relato da professora Rosi Kapp, do distrito rural de Itaiacoca, é o nosso sinal vital de alerta: muitas crianças dependem exclusivamente da escola pública para acessar a internet.
A manutenção do atendimento presencial nos CRAS e a ampliação do programa PG Conectada não são luxos ou favores do governo; são os "vasodilatadores" básicos para que idosos e moradores da periferia não fiquem isolados do cérebro governamental.
O selo internacional de "Comunidade Inteligente" é motivo de imenso orgulho e atrai "sangue novo" (investimentos) para a nossa economia. Mas o nosso prontuário exige vigilância: uma cidade só é verdadeiramente inteligente e cumpre seu verdadeiro papel terapêutico e curativo quando a tecnologia e a modernização digital encurtam a distância entre quem sofre a dor e quem tem o poder de aplicar o remédio. Uma cidade saudável de verdade é aquela em que o sistema nervoso digital trabalha, incansavelmente, para manter cada uma de suas células vivas, conectadas, ativas e, acima de tudo, humanas."
Conselho da Comunidade
Composto por lideranças representativas da sociedade, não ocupantes de cargo eletivo, totalizando 14 membros, a iniciativa tem o objetivo de debater, discutir e opinar sobre pautas e temas de relevância local e regional, que impactam na vida dos cidadãos, levantados semanalmente pelo Portal aRede e pelo Jornal da Manhã, com a divulgação em formato de vídeo e/ou artigo.
Conheça mais detalhes dos membros do 'Conselho da Comunidade' acessando outras notícias sobre o projeto.





















