Ponta Grossa alcança meta de alfabetização; desafio agora é formar cidadãos | aRede
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Ponta Grossa alcança meta de alfabetização; desafio agora é formar cidadãos

Conselheiro de Urbanismo do Grupo aRede, Henrique Zulian avalia que o município deve promover o desenvolvimento do pensamento crítico e autonomia aos ponta-grossenses

Henrique Wosiack Zulian é conselheiro da área de Urbanismo
Henrique Wosiack Zulian é conselheiro da área de Urbanismo -

Lilian Magalhães

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Ponta Grossa alcançou a meta de 83% de crianças alfabetizadas em 2025, um resultado que reforça os avanços da educação municipal. Para o conselheiro da área de Urbanismo do Grupo aRede, Henrique Wosiack Zulian, a conquista deve ser celebrada, mas também encarada como o início de uma nova etapa na formação das futuras gerações.

Segundo o urbanista, alfabetizar é apenas o primeiro passo. O desafio agora é garantir que essas crianças desenvolvam pensamento crítico, autonomia e capacidade de interpretar o mundo. Para ele, investimentos em tecnologia, inovação e capacitação docente são importantes, mas devem caminhar ao lado do fortalecimento da leitura, da cidadania e da formação humana.

Opinião do especialista

Confira abaixo a opinião na íntegra de Henrique, graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), pós-graduado pela Escola da Cidade e mestre na área de Projeto Arquitetônico pela Universidade de São Paulo (FAU-USP). Ele também tem dezesseis premiações em concursos de arquitetura pelo Brasil, inclusive em Ponta Grossa:

VÍDEO
| Autor: Colaboração/aRede.

"Ponta Grossa alcançou 83% de crianças alfabetizadas já em 2025, o que é algo que deve ser comemorado. E o que vem após essa comemoração? Alfabetizar uma criança é um passo fundamental, mas não é o destino final da educação. É o começo.

Num país onde cerca de um terço da população adulta enfrenta dificuldades para interpretar textos, compreender informações complexas ou expressar ideias de forma clara, fica evidente que aprender a juntar letras e formar palavras não é suficiente. O verdadeiro desafio é transformar a alfabetização em autonomia.

Uma criança alfabetizada precisa também aprender a pensar, argumentar, questionar, criar e compreender o mundo ao seu redor. Afinal, "A leitura do mundo precede a leitura da palavra."

Quando a cidade investe em laboratórios de aprendizagem criativa, robótica, programação, cultura maker e capacitação permanente dos professores, ela sinaliza que compreende que o futuro não será construído apenas por pessoas que sabem ler textos, mas por pessoas capazes de interpretar problemas, encontrar soluções e trabalhar coletivamente.

Ao mesmo tempo, é preciso cuidado para não cairmos na armadilha de acreditar que tecnologia, por si só, resolve os desafios da educação. Um laboratório moderno não substitui o desenvolvimento da leitura crítica, da capacidade de argumentação, da sensibilidade humana, da convivência e da cidadania. A educação do século XXI precisa formar pessoas que saibam programar um robô, mas também compreender uma notícia. Que consigam construir um protótipo, mas também construir uma opinião própria. Que dominem a tecnologia sem se tornarem dependentes dela.

E a cidade também não deixa de ser uma espécie de sala de aula, afinal, crianças não são formadas apenas dentro da escola. Há bibliotecas públicas bem distribuídas pelos bairros? Há parques em que aconteçam regulares atividades direcionadas à criatividade e à cultura? Há museus com incentivos municipais? Há espaços públicos de convivências e trocas que não sejam assépticos e não estejam atrelados apenas ao consumo?

Por isso, o resultado alcançado por Ponta Grossa deve ser visto não como uma linha de chegada, mas como a abertura de uma nova etapa. A cidade mostrou que consegue alfabetizar mais crianças. Agora surge uma missão de garantir que essas crianças se tornem adultos capazes de interpretar a realidade, participar da vida pública, exercer sua cidadania e construir, por conta própria, seus caminhos".

Conselho da Comunidade

Composto por lideranças representativas da sociedade, não ocupantes de cargo eletivo, totalizando 14 membros, a iniciativa tem o objetivo de debater, discutir e opinar sobre pautas e temas de relevância local e regional, que impactam na vida dos cidadãos, levantados semanalmente pelo Portal aRede e pelo Jornal da Manhã, com a divulgação em formato de vídeo e/ou artigo.

Conheça mais detalhes dos membros do 'Conselho da Comunidade' acessando outras notícias sobre o projeto.

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