Mente ativa e digital após os 60 anos

Acessar as redes sociais, conversar com familiares por meio de softwares de comunicação e divertir-se com jogos online. Engana-se quem pensa que essas são situações típicas somente de jovens e adultos.
Atualmente, o número de idosos ativos é crescente e não se resume somente à prática de atividades físicas. A busca pelo conhecimento e a inclusão digital também passaram a fazer parte da vida da população acima dos 60 anos.
Uma das razões que pode explicar essa mudança de comportamento é o avanço do envelhecimento da população. A expectativa de vida do brasileiro passou 62,7 para 73,9 anos entre 1980 e 2013, um crescimento real de 11,2 anos.
Esse envelhecimento populacional vem acompanhado da grande disseminação das tecnologias em todos os espaços da sociedade e o ensino da informática pode contribuir com o desenvolvimento de uma velhice mais saudável.
Foi com esse pensamento que um grupo de cerca de 30 idosos resolveu ingressar em um curso para aprender a lidar com as ferramentas do computador. Leonira Pereira Ramos, 77 anos, aluna do curso, procura absorver tudo que pode. “Eu sempre fui ativa, desde criança, vivia em cima dos livros. Tudo que eu posso aprender, eu procuro aprender. Já fiz cursos, fui em palestras. Já tinha até Facebook”, conta.
Cérebro saudável
De acordo com a professora da turma, Sabine Cassol, a inclusão digital da terceira idade contribui para a saúde mental e também física. “Deixa a mente deles mais ativa, pois permite que exercitem bastante a memória. O uso do mouse auxilia a treinar a coordenação motora”.
Já Zelita Casagrande Martini, 68, vê no curso uma complementação para uma vida mais saudável e a oportunidade de desmitificar preconceitos. “A gente vê jovens com cabeça de idoso e idosos com cabeça jovem. Toda a experiência que adquirimos é aprendizado, é bom pra saúde, pra vida. Também faço exercícios e, assim, me mantenho sempre ativa”.
O ritmo de aprendizado é um pouco mais lento e a quantidade de recursos que o computador e a internet oferecem podem até assustar um pouco, mas também servem de incentivo para superar os supostos desafios impostos pela idade. “Eu procuro ler sempre, mas como me disseram que a informática ajuda, eu também quis fazer. Quero aprender pra melhorar a cabeça, pra não deixar os neurônios parados. Se a gente não fizer nada que mexa com a ideia, a gente fica cada vez mais esquecida. Sempre digo que não tenho maior idade e, sim, estou na melhor idade, porque estou sempre disposta e nunca me entrego. O que vale é a nossa cabeça”, destaca Zilá Barreto Capraro, 82.
A socialização também torna-se outro ponto importante no grupo. Em cada uma das aulas, que acontecem três vezes por semana após a ginástica, há a troca de experiências, de apoio e o desenvolvimento de amizades. “Aqui eles têm contato com os colegas, veem que não são os únicos que estão aprendendo. Há também o contato com outras pessoas pela internet. Quando vão viajar ou fazer uma excursão, os alunos já pesquisam fotos e pontos turísticos da internet e mostram e comentam uns com os outros. Todos nós necessitamos dessa troca. Estar em sociedade faz bem para todo mundo”, finaliza a professora.
Informações da Assessoria de Imprensa.





















