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Paraná e EUA enfrentam realidades diferentes no agronegócio

Comitiva de líderes rurais paranaenses observa divergências em produtividade, logística e maquinário, além de semelhanças nos desafios econômicos e na sucessão familiar no campo

Líderes rurais do Paraná observam maquinário de alta velocidade e estrutura de armazenagem própria durante viagem técnica à fazenda da família Brelsford, em Iowa
Líderes rurais do Paraná observam maquinário de alta velocidade e estrutura de armazenagem própria durante viagem técnica à fazenda da família Brelsford, em Iowa -

Publicado por Eduarda Gomes

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Uma comitiva composta por líderes rurais do Paraná esteve em uma fazenda de milho e soja na cidade de Des Moines, localizada no Estado de Iowa, no Meio-Oeste dos Estados Unidos. Durante a visita técnica promovida pelo Sistema FAEP, os agricultores e pecuaristas brasileiros puderam comparar a agropecuária paranaense com a norte-americana. O grupo foi recebido na propriedade da família Brelsford, onde pôde esclarecer dúvidas sobre temas como crédito rural, taxas de juros, capacidade de armazenagem, insumos, maquinário agrícola, produtividade e o cenário econômico global.

A diferença mais marcante identificada pelos visitantes envolve o rendimento da lavoura de milho e a infraestrutura de armazenagem dentro das próprias propriedades. Em Iowa, a cultura do milho atinge médias de produtividade de 500 sacas por hectare, o equivalente a cerca de 280 bushels por acre.

“Eles têm um teto de produtividade de milho bem mais alto do que o nosso. Os solos deles têm um pH alto, em torno de 7,5, difícil de a gente atingir. Além disso, a quantidade de luz no período da safra e a amplitude térmica [alta temperatura de dia e queda à noite] são exatamente o que a planta necessita”, avalia Aldo Tasca, presidente do Sindicato Rural de Céu Azul, no Oeste do Paraná.

Outro ponto de divergência reside no modelo logístico interno. Enquanto a maioria dos produtores do Brasil depende de cooperativas ou de empresas cerealistas para a recepção e a secagem imediata dos grãos, a propriedade dos Brelsford, que abrange cerca de 2,4 mil hectares, armazena 100% da sua colheita no próprio local.

“Eles têm armazenagem própria para toda a produção, com secador, para depois vender direto para as indústrias. Eu também tenho silo na minha propriedade, mas presto serviço com o excedente de espaço. No caso dele, é um espaço exclusivo para a safra própria”, compara Tasca.

A disparidade em relação ao parque de máquinas agrícolas também integrou a lista de contrastes observados. Na fazenda norte-americana, a operação diária é garantida por uma colheitadeira de grande porte, um pulverizador e uma plantadeira de 36 linhas, conjunto que funciona a uma velocidade que impressionou os paranaenses.

“O maquinário deles é mais aprimorado, com um rendimento operacional superior ao nosso. A velocidade de plantio chega a 18 km/h, enquanto no Paraná a gente roda, a grosso modo, a 7 km/h. Eles têm máquinas de última geração porque sabem que o investimento tem retorno garantido, amparado por seguro rural e subsídios do governo”, aponta Eduardo Martins, presidente do Sindicato Rural de Alvorada do Sul, no Norte do Paraná.

As facilidades de acesso ao crédito e o formato da política agrícola também se destacaram como uma importante diferença entre as duas nações. “Dando um exemplo, o produtor americano citou que o custeio agrícola ou financiamento de máquinas gira em torno de 7% de juros ao ano. Para o produtor brasileiro, no mesmo nível de tecnologia, gira em 15%. A gente nota benefícios aos norte-americanos”, salienta Dalnei Menon, presidente do Sindicato Rural de Guamiranga, no Centro-Sul do Estado.

O proprietário da fazenda, Michael Brelsford, confirma que os elevados custos operacionais tornam o suporte do sistema financeiro local algo indispensável. “Temos o financiamento envolvido, com certeza. Uma colheitadeira custa um milhão de dólares. Então, temos o seguro agrícola federal [federal crop insurance, em inglês]. Quanto melhor o seu histórico de produtividade, maior a sua garantia, e o governo federal contribui significativamente com a taxa do prêmio. Essa é a nossa rede de segurança”, detalha o produtor norte-americano.

Apesar das diferenças marcantes na produtividade, no acesso a maquinários e nas taxas de financiamento, as incertezas econômicas e a preocupação em manter as novas gerações no negócio familiar configuram pontos de convergência entre o Paraná e Iowa. Mesmo munido de alta tecnologia, o produtor dos Estados Unidos enfrenta forte pressão sobre suas margens financeiras.

“Nossos insumos estão extremamente altos e os preços das commodities estão historicamente baixos. A rentabilidade não tem sido boa”, afirma Brelsford. Para assegurar a renda familiar além do cultivo de grãos, o agricultor precisou diversificar as atividades, operando granjas de suínos e uma rede de lava-rápidos na região de Des Moines.

No âmbito da sucessão familiar, Brelsford reconhece os entraves na transição de comando: “Se não há dinheiro, as gerações mais jovens não têm interesse em ficar e trabalhar. É muito difícil manter fazendas multigeracionais unidas”, revela o agricultor, cujos dois filhos trabalham atualmente na propriedade.

Para Dalnei Menon, a vivência em solo norte-americano confirmou que o arrocho econômico afeta o agronegócio globalmente, embora a realidade do produtor brasileiro imponha obstáculos adicionais. “A agricultura mundial sofre um desafio na questão econômica, e nos Estados Unidos não é diferente. Porém, os produtores brasileiros están sofrendo mais, principalmente com as políticas econômicas, o custo operacional e o mercado de commodities”, conclui o presidente do Sindicato Rural de Guamiranga.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Divergências Técnicas e Logísticas: A agropecuária de Iowa destaca-se frente à paranaense pela produtividade do milho (500 sacas/ha), pela armazenagem 100% própria nas fazendas e pelo uso de maquinário de alto rendimento com velocidade de plantio de até 18 km/h.

Crédito e Apoio Governamental: Produtores norte-americanos contam com condições financeiras mais favoráveis, como taxas de juros de custeio/maquinário em torno de 7% ao ano (contra 15% no Brasil), além de forte subsídio federal no seguro agrícola.

- Desafios em Comum: A pressão econômica por conta de insumos caros e baixas nas commodities atinge produtores dos dois países, forçando a busca por diversificação de renda e gerando dificuldades na sucessão familiar no campo.

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