Área de uva encolhe 21% no Paraná com avanço da agroindústria
Participação de uvas destinadas à fabricação de vinhos e sucos avança de 23,7% para 35,4% da colheita; uvas de mesa respondem por 80% do valor de produção do estado

O mercado de uvas passa por uma ampla reestruturação geográfica e comercial tanto no cenário global quanto no mercado interno brasileiro. Dados consolidados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) indicam que a uva foi a quarta fruta mais cultivada no mundo em 2024, respondendo por 7,3% das 1,0 bilhão de toneladas de frutas colhidas globalmente.
Ao todo, foram registradas 75,9 milhões de toneladas da fruta cultivadas em 6,4 milhões de hectares no planeta, sendo que o Brasil figura como o 12º maior produtor mundial, com uma participação de 2,4% nas vindimas globais. Conforme dados da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), deste total mundial, 49,2% destinam-se ao consumo in natura (uvas de mesa), 42,3% para a vinificação e 7,6% para passas.
No Brasil, a estimativa oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o ano de 2026 aponta para uma colheita nacional de 2,2 milhões de toneladas de uvas em uma área de 83,2 mil hectares. O Rio Grande do Sul lidera a produção nacional de forma disparada, detendo 47,7% do volume colhido nos parreirais do país, com foco agroindustrial (vinhos, espumantes, sucos, vinagres e geleias).
Na sequência da produção nacional de uvas aparecem os estados de Pernambuco (34,5%), São Paulo (6,4%) e Bahia (4,9%) que, somados à produção gaúcha, concentram 93,5% do volume brasileiro. Os polos irrigados de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA) fundamentam sua atuação nas uvas finas de mesa para o mercado externo e doméstico. O Paraná ocupa a quinta colocação nacional, respondendo por 2,7% da produção do país, com uma estimativa de colheita de 58,0 mil toneladas de uvas em uma área próxima a 4,0 mil hectares em 2026.
De acordo com o Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), divulgado nesta quinta-feira (16), o Deral registrou, em levantamento de 2025, uma área de 3,2 mil hectares de parreirais produtivos distribuídos em 258 dos 399 municípios do estado. A produção paranaense foi de 50,4 mil toneladas, gerando um Valor Bruto de Produção (VBP) de R$ 389,7 milhões, o que consolida a uva como a terceira fruta de maior retorno financeiro nos pomares paranaenses (em um universo preliminar da fruticultura estadual em 2025 de 56,2 mil hectares, 1,5 milhão de toneladas e VBP total de R$ 4,3 bilhões).
A viticultura paranaense vivenciou uma importante transformação nos últimos dez anos. Influenciada por um reposicionamento da uva de mesa no cenário nacional, a área de cultivo no estado diminuiu 21% entre 2016 e 2025, com recuo de 6,3% nas toneladas colhidas.
Há vinte anos (dados de 2006), as uvas de mesa (finas e rústicas) representavam 76,3% da colheita estadual, caindo para 64,6% em 2025. O espaço foi ocupado pelas uvas destinadas à transformação agroindustrial, que saltaram de uma fatia de 23,7% da colheita em 2006 para 35,4% em 2025. Apesar da perda de área física, em termos financeiros o segmento de uvas de mesa ainda é o mais representativo por possuir maior valor de mercado, gerando R$ 312,3 milhões (80,1% do VBP total da cultura), enquanto as uvas industriais geraram R$ 77,4 milhões (19,9%).
Geograficamente, o município de Marialva, no norte do Paraná, destaca-se como a principal referência em uvas finas de mesa, cultivando 450 hectares com produção de 13,5 mil toneladas e gerando VBP de R$ 129,6 milhões (concentrando sozinho 28,5% da área e 41,5% do volume e receita das uvas finas de mesa). Rosário do Ivaí, na região central paranaense, foca na produção de uvas rústicas de mesa, colhendo 1,5 mil toneladas em 150 hectares com receita de R$ 14,4 milhões (8,6% de área e 4,6% em volume e receita). Já no sul do estado, o destaque é Bituruna, polo de vinhos e sucos premiados, que conta com 100 hectares de parreirais destinados à agroindústria, registrando colheita de 1,5 mil toneladas e VBP de R$ 6,5 milhões (8,4% da produção e receita do segmento agroindustrial estadual).
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Mudança no perfil produtivo: A uva para fins agroindustriais (vinho e suco) aumentou sua participação nas colheitas paranaenses de 23,7% em 2006 para 35,4% em 2025, compensando o recuo das uvas de mesa.
- Redução na área cultivada: A viticultura no Paraná registrou uma contração de 21% na área de cultivo e uma queda de 6,3% no volume total colhido entre 2016 e 2025.
- Polos produtores: Marialva lidera a produção de uvas de mesa no estado (gerando R$ 129,6 milhões em VBP), enquanto Bituruna desponta na produção de vinhos e sucos no Sul do Paraná.





















