Preço do feijão-carioca cai e exportações do setor batem recorde
Compradores pressionam por preços menores diante do avanço da safra irrigada; no comércio exterior, exportações fecham o primeiro semestre de 2026 com volume recorde na série histórica

O mercado brasileiro de feijão apresenta comportamentos distintos para as duas variedades mais consumidas no país neste início de julho. Enquanto o feijão-carioca registra desvalorização devido ao aumento da oferta, o feijão-preto segue a tendência inversa, sustentado pelo encerramento da colheita nas principais regiões produtoras. As informações são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), divulgadas pelo Globo Rural.
Com o avanço gradual da colheita da safra irrigada, o mercado nacional passou a contar com uma maior disponibilidade de feijão-carioca de melhor qualidade, o que tem favorecido o abastecimento. Diante da perspectiva real de que novos volumes entrem no circuito comercial ao longo das próximas semanas, os compradores intensificaram a pressão para obter preços mais baixos.
Como reflexo dessa dinâmica, o indicador Cepea/CNA registrou, na última sexta-feira, a cotação de R$ 386,00 para a saca de 60 quilos do feijão-carioca de qualidade superior. O valor representa uma queda semanal de 2,17%.
FEIJÃO-PRETO
Por outro lado, o panorama para o feijão-preto é de restrição. O encerramento definitivo dos trabalhos de colheita no Paraná, que ocupa o posto de principal estado produtor da variedade no país, reduziu a disponibilidade do grão.
Aliado à menor oferta, a postura firme dos vendedores em defender suas margens tem sustentado as cotações em patamares elevados. Para complementar a necessidade do abastecimento interno e evitar o desabastecimento, o mercado brasileiro tem recorrido a lotes importados provenientes da Argentina. No sul do Paraná, o indicador Cepea/CNA para o feijão-preto fechou a última sexta-feira com o preço médio de R$ 209,11 por saca de 60 quilos, acumulando uma alta semanal de 1,85%.
EXPORTAÇÕES RECORDES
Se no mercado interno o balanço de forças dita os preços regionais, no comércio exterior o cenário é de forte expansão. As exportações brasileiras de feijão fecharam o primeiro semestre de 2026 com um volume recorde histórico.
De acordo com os dados oficiais da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), os embarques totais de janeiro a junho somaram 149,27 mil toneladas. Esta é a maior quantidade já registrada para o período em toda a série histórica do órgão federal, que teve início em 1997.
O desempenho do mês de junho contribuiu diretamente para a marca, com os envios ao exterior totalizando 33,30 mil toneladas, um novo recorde específico para o mês. Na outra ponta, as importações brasileiras de feijão também registraram movimentação relevante e somaram 7,68 mil toneladas, configurando o maior volume internalizado para um mês de junho desde o ano de 2021.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Carioca em queda: O avanço da colheita da safra irrigada aumentou a oferta de feijão-carioca de alta qualidade, gerando pressão dos compradores e provocando um recuo semanal de 2,17% no preço da saca (R$ 386,00).
- Preto em alta: O fim da colheita no Paraná reduziu a oferta de feijão-preto, elevando o preço da saca em 1,85% (R$ 209,11); o abastecimento do país está sendo complementado por importações da Argentina.
- Recorde de exportações: O Brasil atingiu a maior marca histórica de exportação de feijão para um primeiro semestre desde 1997, totalizando 149,27 mil toneladas embarcadas nos primeiros seis meses de 2026.





















