Paraná garante pódio nas exportações de soja e milho no país
Mesmo com o avanço logístico do Arco Norte na importação de insumos, o estado se consolidou como o 3º maior exportador de soja do Brasil em 2025

O Paraná reafirmou a sua força no agronegócio e consolidou-se como o terceiro maior exportador de soja em grãos do Brasil. Segundo os dados oficiais do Anuário Agrologístico 2026 - Volume 3, apresentado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), os produtores paranaenses enviaram 11,29 milhões de toneladas da oleaginosa para o mercado internacional no ano passado, posicionando o estado no terceiro lugar do ranking nacional, logo atrás de Mato Grosso (32,06 milhões de toneladas) e de Goiás (12,94 milhões de toneladas).
O desempenho do estado impulsionou o resultado do país, cujas exportações acumuladas de soja atingiram a marca histórica de 108,18 milhões de toneladas, uma alta de 9,48% em comparação com 2024. No escoamento dessa safra, o Porto de Paranaguá demonstrou grande relevância ao responder sozinho por 13,4% de todos os embarques do grão no Brasil, dividindo o protagonismo nacional com o complexo do Arco Norte (36,2%) e o Porto de Santos (32%).
O Paraná também garantiu uma fatia expressiva no mercado externo de milho, cujas vendas nacionais somaram 40,98 milhões de toneladas (alta de 3%). O corredor de exportação de Paranaguá foi a rota de saída para 10,4% de todo o cereal comercializado pelo país no exterior, ficando atrás apenas do Arco Norte (48%) e de Santos (36,9%). O Mato Grosso liderou a oferta do cereal com 56%, seguido por Goiás com 11%.
MUDANÇAS NOS INSUMOS
Por outro lado, o relatório da Conab aponta que o crescimento acelerado da produção agropecuária nas regiões Centro-Oeste e Norte alterou a dinâmica das importações. O Porto de Paranaguá perdeu o posto de principal porta de entrada de adubos e fertilizantes do país para o Arco Norte. A inversão consolidou-se no ano passado, quando o complexo do Norte registrou 13,36 milhões de toneladas de insumos internalizados, contra 10,89 milhões de toneladas desembarcadas no terminal paranaense.
A série histórica entre 2021 e 2025 mostra que a entrada de fertilizantes por Paranaguá registrou uma leve queda de -0,8%, enquanto o Arco Norte disparou 62,7%. Segundo o superintendente de Logística Operacional da Conab, Thomé Guth, esse movimento é explicado pela consolidação do "frete de retorno". As carretas e composições viajam em direção aos portos do Norte carregadas com grãos e retornam para as regiões produtoras vizinhas abastecidas com adubos, reduzindo drasticamente os custos logísticos operacionais.
O presidente da Conab, Sílvio Porto, avaliou que esse deslocamento nos últimos 10 anos encurtou as distâncias para o escoamento do Centro-Norte do país. Antigamente, quase todo o grão de Mato Grosso precisava descer para Santos ou Paranaguá, mas os investimentos públicos em infraestrutura voltados para os portos do Pará e do Maranhão (Itaqui) conseguiram absorver essa fatia de mercado.
DESAFIOS NA INFRAESTRUTURA
O avanço contínuo nas colheitas brasileiras segue pressionando a malha de transportes nacional. O Anuário indica que, entre 2010 e 2025, a participação do modal hidroviário saltou de 8% para 15% nas exportações de grãos. Em contrapartida, as ferrovias perderam espaço proporcional, recuando de 53% para 38% no mesmo período de 15 anos. A Conab ressalta que, por conta dessa pressão, o modal rodoviário continua amplamente estabelecido e é o mais utilizado pelos produtores para escoar as safras em momentos de pico e estresse logístico.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Destaque nos Grãos: O Paraná consolidou-se como o 3º maior estado exportador de soja do Brasil, com a marca de 11,29 milhões de toneladas enviadas ao mercado internacional no ano passado.
- Protagonismo de Paranaguá: O porto paranaense manteve a sua relevância estratégica no escoamento da safra nacional, sendo a rota de saída de 13,4% da soja e de 10,4% do milho exportados pelo país.
- Inversão nos Fertilizantes: Diante da expansão das fronteiras agrícolas do Centro-Norte, o Arco Norte assumiu a liderança na importação de fertilizantes (13,36 mi t), superando o volume desembarcado em Paranaguá (10,89 mi t), que registrou estabilidade (-0,8%) nos últimos cinco anos.





















