Guerra encarece fertilizantes e custo do milho 26/27 pode subir quase 5%
Baixa contratação de insumos deixa produtores mais vulneráveis à alta dos fertilizantes que chega a 30% desde o início da guerra, aponta o Imea

A escalada das tensões no Oriente Médio e o bloqueio do Estreito de Ormuz impactarão o custo de produção da safra de milho 2026/27. Projeções do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) indicam que, com a alta dos fertilizantes nitrogenados, que chegou a 30% na última semana, o custo operacional efetivo (COE) da cultura pode aumentar até 4,68%. Isso é equivalente a 5,9 sacas de milho por hectare.
O estudo do Imea considerou como referência o preço do milho disponível em Sinop (MT) — R$ 45 por saca em 4 de março de 2026. De acordo com a análise, mesmo um aumento mais moderado já teria impacto relevante nos custos da cultura. Em um cenário de alta de 10% nos fertilizantes nitrogenados, o COE subiria cerca de 1,56%. Se o reajuste chegar a 20%, a elevação no custo operacional poderia alcançar 3,12%.
O cenário de pressão ocorre diante de uma baixa comercialização de insumos no maior estado produtor de grãos do Brasil. Conforme dados do Imea, os produtores matogrossenses negociaram 5,95% dos insumos para o milho 2026/27. O índice está 7,85 pontos percentuais abaixo da safra passada. “Logo as negociações estão no início”, sinaliza o documento, reforçando que, historicamente, as compras se concentram no primeiro e segundo trimestres. “Assim, como grande parte das aquisições ainda precisa ocorrer, o produtor pode ficar mais exposto a possíveis preços mais elevados de fertilizantes ao longo do ano”, complementa.
A preocupação do setor está ligada à forte dependência brasileira de fertilizantes importados, uma vez que o País importa cerca de 80% dos insumos utilizados nas lavouras. Somente no ano passado, segundo os dados do estudo, foram importadas cerca de 17,5 milhões de toneladas de fertilizantes nitrogenados, com destaque para fornecedores como China, Rússia, Nigéria, Omã e Catar.
Parte relevante desse comércio, no entanto, depende de rotas logísticas que passam pelo Oriente Médio ou estão conectadas ao fluxo de energia da região, fator que aumenta a sensibilidade do mercado a crises geopolíticas. O Estreito de Ormuz, atualmente afetado pela guerra envolvendo Israel, Estados Unidos e o Irã, é uma das principais rotas marítimas globais e responde pelo escoamento de aproximadamente 20% da produção mundial de petróleo, além de ser estratégico para o transporte de gás natural e derivados utilizados na produção de fertilizantes.
Os fertilizantes nitrogenados são um dos principais componentes do custo da produção de milho, especialmente em sistemas de alta tecnologia. Por isso, oscilações nos preços desses insumos tendem a se refletir rapidamente nas margens dos produtores, conforme o Imea.
LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA
- Alta nos Custos de Produção: A tensão no Oriente Médio e o bloqueio do Estreito de Ormuz elevaram o preço dos fertilizantes nitrogenados em 30% em apenas uma semana. Segundo o Imea, esse cenário pode aumentar o Custo Operacional Efetivo (COE) do milho em até 4,68%, o que representa um gasto adicional de 5,9 sacas por hectare.
- Exposição do Produtor: A comercialização de insumos para a safra 2026/27 está atrasada, com apenas 5,95% das compras realizadas em Mato Grosso. Como a maioria das aquisições ocorre no primeiro semestre, o produtor está altamente exposto às variações de preços causadas pela crise internacional.
- Dependência Externa e Logística: O Brasil importa cerca de 80% dos fertilizantes que utiliza. O conflito envolvendo Israel, EUA e Irã afeta o Estreito de Ormuz, rota vital por onde passa 20% do petróleo mundial e insumos energéticos essenciais para a fabricação de adubos nitrogenados, pressionando as margens do agronegócio brasileiro.
Com informações: Agro Estadão.





















