Patrimônio cultural: Ponta Grossa reúne para além de imóveis, tradições protegidas | aRede
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Patrimônio cultural: Ponta Grossa reúne para além de imóveis, tradições protegidas

Município tem 83 bens tombados, 10 reconhecidos pelo Estado e 17 manifestações e referências culturais protegidas como patrimônio imaterial

Mansão Villa Hilda completa 100 anos em 8 de setembro de 2026
Mansão Villa Hilda completa 100 anos em 8 de setembro de 2026 -

Sara Dalzotto

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Ponta Grossa tem 83 bens tombados pelo município, 10 reconhecidos pelo Estado e 17 manifestações e referências culturais protegidas como patrimônio imaterial. Entre estações ferroviárias, igrejas, casarões, museus, praças, paisagens e tradições, o patrimônio protegido reúne marcas de diferentes períodos da história da cidade. O desafio, porém, vai além do reconhecimento desses bens.

Segundo a prefeita Elizabeth Schmidt, a prioridade da administração municipal é fazer com que preservação, ocupação e desenvolvimento urbano caminhem juntos. “Não queremos pensar o patrimônio apenas como um prédio antigo que precisa permanecer em pé. Queremos preservar sua história, garantir sua conservação e, sempre que possível, dar a ele uma função contemporânea e aproximá-lo da população”.

Mansão Villa Hilda completa 100 anos

Um dos prédios históricos mais icônicos de Ponta Grossa completa 100 anos no dia 8 de setembro: a Mansão Villa Hilda. Construída por Alberto Thielen, industrial e comerciante de Ponta Grossa, proprietário da Cervejaria Adriática, a Villa Hilda, concluída em 1926, é uma das mais importantes edificações históricas do município.

O prédio, tombado pelo Patrimônio Cultural do Paraná em 1990, teve diferentes funções e acompanhou parte importante da história da cidade. Por muitos anos, abrigou a Biblioteca Pública de Ponta Grossa e também já foi sede da Secretaria Municipal de Cultura. Desde 2023 abriga o Museu Municipal Aristides Spósito, que reúne parte do acervo do antigo Museu Época, fechado em 2016.

Grande Auditório do Ópera é reinaugurado

O Grande Auditório do Cine-Teatro Ópera voltou a receber o público no dia 02 de setembro deste ano, após passar pela maior intervenção já realizada no espaço. Construído em 1947 em estilo art-decô, o edifício marca materialmente o início da modernidade arquitetônica em Ponta Grossa.

As obras entregues em setembro incluíram a substituição de rufos e calhas, a troca total do teto de gesso e a instalação de iluminação em LED nas sancas. Também foram renovadas a iluminação das vitrines internas, o carpete e a pintura do Auditório A. Os camarins foram readequados e o espaço recebeu um novo elevador de maior capacidade na área do palco. Os auditórios A, B e C ganharam balizadores nas escadas e o banheiro masculino foi revitalizado. No palco do Auditório A, uma nova tela retrátil substituiu a antiga estrutura de tecido utilizada para informações, avisos e divulgação de apoiadores e patrocinadores. A cortina também passou a contar com acionamento automatizado.

Grande Auditório do Cine-Teatro Ópera foi reinaugurado
Grande Auditório do Cine-Teatro Ópera foi reinaugurado |  Foto: Divulgação/PMPG.

Placas com QR Code ampliam acesso ao patrimônio em PG

Como forma de ampliar o acesso dos ponta-grossenses às informações sobre os bens protegidos, a Secretaria Municipal de Cultura está instalando novas placas de identificação nos imóveis que integram o patrimônio cultural do município.

Ao todo, cerca de 150 novas placas serão colocadas em diferentes pontos da cidade, substituindo as antigas sinalizações.

As novas placas contam com QR Code que direciona diretamente para o Sistema de Informações do Patrimônio Cultural, onde estão disponíveis conteúdos sobre a história dos bens, fotografias, informações sobre sua preservação e os processos de tombamento.

Cerca de 150 novas placas serão colocadas em diferentes pontos da cidade
Cerca de 150 novas placas serão colocadas em diferentes pontos da cidade |  Foto: Divulgação/PMPG.

Como funciona a proteção dos bens

O Conselho Municipal do Patrimônio Cultural (Compac) integra o Sistema Municipal de Cultura de Ponta Grossa, junto ao Conselho Municipal de Política Cultural e à Conferência Municipal de Cultura.

A proteção de um bem começa pela identificação de seu interesse cultural e pela realização de estudos que permitam avaliar aspectos históricos, arquitetônicos, artísticos, urbanísticos, paisagísticos, sociais ou culturais. No caso do tombamento, a análise passa pelo Compac e pode incluir uma proteção preliminar enquanto o processo é realizado.

O proprietário é comunicado e tem direito à manifestação e à impugnação antes da decisão definitiva. Depois da instrução do processo, cabe ao Conselho deliberar sobre a proteção definitiva.

O tombamento não impede necessariamente o uso do imóvel. O proprietário continua responsável pela conservação do bem e, em caso de intervenções que possam comprometer suas características ou sua memória, precisa observar os parâmetros previstos na legislação.

Fiscalização vai além do tombamento

O reconhecimento de um imóvel como patrimônio protegido não encerra o processo de preservação. Segundo a Secretaria Municipal de Cultura, o Município acompanha a conservação dos bens e fiscaliza intervenções realizadas nos imóveis. Quando é identificada uma possível irregularidade, podem ser realizadas vistorias e notificações, além da aplicação das medidas previstas na legislação.

A Secretaria avalia, no entanto, que a fiscalização precisa atuar antes que o patrimônio chegue a uma situação de perda.

A responsabilidade pela conservação também está prevista na legislação municipal. Segundo o promotor de Justiça João Conrado Blum Júnior, do Ministério Público do Paraná, o artigo 35 da Lei Municipal nº 8.431/2005 determina que a proteção e a conservação do bem tombado são responsabilidades do proprietário, que deve observar as determinações da legislação e do Compac.

Em caso de abandono ou ameaça de patrimônio protegido, o Ministério Público pode expedir Recomendação Administrativa, celebrar Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta (TAC) ou, caso essas medidas sejam insuficientes, propor ação civil pública.

Leia o resumo da notícia

Acervo cultural e restaurações: Ponta Grossa conta com dezenas de bens protegidos e celebra marcos como os 100 anos da Mansão Villa Hilda e a recente reinauguração do Cine-Teatro Ópera (construído em 1947), que passou por ampla reforma estrutural e tecnológica.

Acessibilidade e utilidade pública: Para aproximar a população do patrimônio, a administração municipal busca dar funções contemporâneas aos prédios e está instalando cerca de 150 placas com QR Code que direcionam para informações e fotos históricas dos imóveis.

Processo de proteção e fiscalização: A tutela dos bens cabe ao Compac, devendo os proprietários manter a conservação dos imóveis; em casos de abandono ou intervenções irregulares, o município e o Ministério Público podem intervir com notificações, TACs ou ações civis públicas.

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