Morre em PG o músico Marinho Gallera, nome ligado à MPB e à cena cultural paranaense
Compositor, letrista e arranjador faleceu aos 78 anos; velório ocorre no Parque Campos Gerais e cremação está marcada para esta terça-feira (10)

A música popular brasileira perdeu nesta segunda-feira (9) um de seus nomes ligados à cena cultural do Paraná. Morreu em Ponta Grossa o músico, compositor e arranjador Mario Amadeu Gallera, conhecido artisticamente como Marinho Gallera, aos 78 anos.
Ele estava internado no Hospital Unimed. O corpo está sendo velado nesta terça-feira (10) na capela do Cemitério Parque Campos Gerais, e a cremação está prevista para as 16h.

Origem e primeiros contatos com a música
Marinho Gallera nasceu em Araraquara, no interior de São Paulo, filho de Amadeu e Adelina Dorsa Gallera. O contato com a música começou ainda na infância, quando acompanhava atividades do Coral Araraquarense e da Rádio Cultura da cidade.
Durante o ensino médio, cursado em São Paulo, aproximou-se do universo artístico e cultural. Nesse período, teve contato com o teatro do diretor José Celso Martinez Corrêa e conheceu o escritor Ignácio de Loyola Brandão, também natural de Araraquara, amizade que se manteria ao longo de toda a vida.
Parcerias musicais e trajetória artística
Aos 20 anos, Gallera mudou-se para Curitiba para estudar Ciências Sociais na Universidade Federal do Paraná (UFPR). No mesmo período, venceu o Festival da Canção de Araraquara, passo importante para consolidar sua trajetória musical.
Na capital paranaense, iniciou uma parceria marcante com o compositor Paulo Vitola. A dupla construiu uma relação criativa que dialogava com diferentes expressões artísticas, aproximando música, teatro e literatura, em um ambiente que também contou com a presença do poeta Paulo Leminski.

Entre os principais trabalhos da parceria entre Gallera e Vitola estão os discos “Onze Cantos” (1978), “Curitiba, Cidade da Gente” (álbum duplo lançado em 1981) e “Velhos Amigos” (2006). Parte desse repertório está reunida no projeto Nós de Pinho, que disponibiliza partituras produzidas ao longo de cinco décadas de colaboração entre os artistas.
Já a parceria com Paulo Leminski teve registro no trabalho “Fazia Poesia” (2004). Ao longo da carreira, Gallera também participou de diversos projetos como letrista, compositor e arranjador, além de atuar na produção de trilhas e jingles.
Últimos anos em Ponta Grossa
Desde 2019, Marinho Gallera residia em Ponta Grossa, cidade onde vive um de seus filhos, o também músico Athon Gallera, que trabalha na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), no Departamento de Jornalismo.
Na cidade, participava ocasionalmente de eventos culturais e encontros em bares, muitas vezes acompanhado do jornalista Ben-Hur Demeneck. Nessas ocasiões, costumava compartilhar histórias de sua convivência com nomes importantes da música brasileira, como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Moraes Moreira e Dominguinhos, além de relembrar momentos ao lado do poeta Paulo Leminski.

Em 2021, participou de um show ligado à exposição “Múltiplo Leminski”, realizada na UEPG, ao lado de Estrela Leminski, Téo Ruiz e do filho Athon. No ano seguinte, esteve presente na universidade para acompanhar uma palestra de Ignácio de Loyola Brandão.
Na última semana, já hospitalizado, comemorou o aniversário de 78 anos ao lado da família e de amigos que o visitaram no hospital.
RESUMO DA MATÉRIA:
- O músico Marinho Gallera morreu aos 78 anos em Ponta Grossa; velório ocorre no Parque Campos Gerais e a cremação será às 16h desta terça-feira.
-Natural de Araraquara (SP), teve trajetória marcada por parcerias com Paulo Vitola e Paulo Leminski.
- Desde 2019 morava em Ponta Grossa, onde participou de eventos culturais e manteve proximidade com artistas e amigos da cena local.





















