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Hospitais da UEPG homenageiam familiares de doadores de órgãos

Cerimônia de homenagem ao Dia do Doador de Órgãos, comemorado nacionalmente em 27 de setembro, foi comemorado na última quarta-feira (28)

Cerimônia de homenagem ao Dia do Doador de Órgãos, comemorado nacionalmente em 27 de setembro, foi comemorado na última quarta-feira (28)
Cerimônia de homenagem ao Dia do Doador de Órgãos, comemorado nacionalmente em 27 de setembro, foi comemorado na última quarta-feira (28) -

Da Redação

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Nesta quarta-feira (28), fez nove meses que a família de Giovanna Menegon disse sim. O dia mais difícil para a mãe, Luana, salvou ao menos quatro vidas no Paraná – Giovanna conseguiu viver através de outros, com a doação de órgãos. Para homenagear o ato, o Hospital da Universidade Estadual de Ponta Grossa (HU-UEPG) organizou cerimônia de homenagem ao Dia do Doador de Órgãos, comemorado nacionalmente em 27 de setembro. Assim como Luana, outras 14 famílias disseram sim à doação de órgãos na instituição no último ano.

A solenidade de homenagem é iniciativa da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos (Cihdott), formada por uma equipe multidisciplinar. Foram eles que ampararam Luana Menegon, em 28 de dezembro de 2021. Voltar ao Hospital Materno-Infantil da UEPG (Humai), onde tudo aconteceu, ainda é difícil, confessa a mãe. “Apesar de ser muito difícil pra mim, só tenho a agradecer pela homenagem, pra ela que se foi. Fiquei muito emocionada”, conta. As lágrimas insistiram em permanecer durante todo o momento que Luana ficou na cerimônia.

O reencontro com a equipe que a atendeu rendeu abraços longos. “O jeito que atenderam ela, que cuidavam da minha filha, não tem nem como agradecer, nunca vou me esquecer de tudo o que fizeram por nós”, disse. Mesmo em meio à dor, o sentimento principal foi de alívio. “A decisão de doar órgãos é a mais difícil da nossa vida, mas é consolador saber que a gente pôde ajudar outras mães que estavam sofrendo com seus filhos”, ressalta.

A enfermeira Ângela Maria de Souza chefiou os procedimentos na UTI quando Giovanna estava internada. Para ela, identificar que a criança está em estado grave é um processo doloroso, tanto para a família quanto para os profissionais. “Na noite que entrei para atender a família, sabia que eles só precisavam de uma palavra de acolhimento”, relembra. Uma palavra. Para Ângela, é o detalhe que faz toda a diferença. “Tudo que a gente fizer no processo de internamento pode mudar o rumo. Com uma palavra positiva ou negativa, podemos perder uma doação”, afirma.

Luana diz que lembra exatamente das palavras que ouviu de Ângela naquele dia. “Eu disse a ela que nós precisamos libertar, que a vida continua, às vezes não do jeito que a gente imagina, mas continua”, acrescenta Ângela. A enfermeira não esconde a emoção do reencontro. “Reencontrar a Luana foi emocionante, rever é lembrar do sofrimento da dor de uma mãe em perder um filho, mas tenho certeza que estamos mais fortalecidas e abraçá-la trouxe um pouco de cura uma para outra”, sorri.

Trabalho

Antes do sim acontecer, o HU já trabalha no acolhimento dos familiares. “Atendemos desde o início do internamento”, destaca o coordenador da Cihdott, Guilherme Arcaro. O protocolo de doação de órgãos só acontece quando há morte encefálica. “A família é acompanhada e orientada sobre todo o processo de definição do diagnóstico. Quando confirmado o falecimento neurológico, nós abordamos a família sobre a possibilidade de doação dos órgãos”, explica.

Após autorização da família, o Hospital analisa os órgãos que estão em condições de doação e aciona o Sistema Estadual de Transplantes do Paraná, que realiza a busca por receptores compatíveis no Estado. “Caso não tenha alguém no Paraná, aí é ofertado em âmbito nacional”, ressalta Guilherme. No último ano, das quatorze famílias autorizaram a doação de órgãos no HU, treze eram de pacientes adultos e uma criança.

O evento de homenagem aos familiares é tradição no HU desde 2017 e envolve profissionais de todas as áreas da assistência. “É um momento muito importante e emocionante, de agradecimento para as famílias, que passaram por esse momento difícil e que mesmo assim ajudaram as pessoas”, conta a psicóloga Tatiana Martins. Por conta da pandemia, a homenagem dos anos anteriores aconteceu de maneira menos movimentada, com visitas restritas dos familiares ao Hospital. O retorno pleno das atividades é positivo para o trabalho, de acordo com Tatiana. “É um tema que não é muito comentado, quando fazemos esse tipo de ação, as pessoas acabam falando mais sobre isso, o que facilita na hora de conversar com a família, pois já sabem como funciona”, completa.

Ato de amor

Rosana Lisboa de Souza não economizou nos beijos em cada símbolo que representava os órgãos doados pela filha Suzana. “Fico muito feliz que, através dela, conseguimos ajudar muitas pessoas que precisavam de um pedacinho da minha filha”, conta. A mãe relata que ela e a filha sofreram um acidente de carro em dezembro do ano passo. Três dias depois, Suzana foi diagnosticada com morte encefálica. “Eu fiquei na UTI, mas ela esperou eu acordar para partir. Quando me deram alta, soube que o estado era grave e já autorizei a doação de tudo o que pudesse”. Suzana doou cinco órgãos. Para a mãe, a filha conseguiu viver através de outras pessoas. “Ela também se mantém viva no meu coração, na minha vida, mesmo do outro lado, e o que me conforta é que tem bastante gente aqui fora que ainda tem um pedacinho dela”.

Fazer o que Rosemeri representava em vida foi o motivo para Sandra Glinski dizer sim para a doação dos órgãos da irmã. “A nossa querida Meri sempre foi de ajudar as pessoas, sempre foi uma pessoa boa, e saber que quatro órgãos dela foram aproveitados é muito gratificante e emocionante. Seria bem a carinha dela fazer isso mesmo”, relata. Para Sandra, foi uma surpresa saber que alguns órgãos puderam ser doados. “Ela tinha medo de ter diabetes e as córneas não servirem e sempre se queixava de dor no fígado; foi uma grande surpresa em saber que córneas e fígado foram os primeiros a serem doados”, recorda. Saber que outra pessoa está feliz com a doação traz consolo para a família. “Mesmo nesse momento de luto, sabemos que todo mundo merece ser feliz. Nossa pequena foi embora, mas mesmo assim está fazendo a alegria de muita gente”.

Significado

Toda a homenagem gira em torno de uma árvore, onde familiares penduram adereços que representam o ente querido. De acordo com Ísis Midori, psicóloga membro da equipe da Cihdott, a árvore da vida é um símbolo sagrado que representa a imortalidade. “A base da árvore está amparada por três raízes, representando o doador, o receptor e a equipe hospitalar multiprofissional, a qual realiza o processo de mediação dessa doação, a ponte de acesso de um e outro”, conta. As famílias fazem parte da montagem final da árvore, pendurando os símbolos mais importantes. “As folhas maiores, em formato de estrela, representam o doador, seguindo com folhas em formato de coração, representando o número de pessoas que puderam ser ajudadas”. Os corações estão identificados com o destino do órgão doado, com sexo e idade do receptor ou centrais estaduais. “Esperamos que esse ato de doação seja repetido por muitos, por isso sempre pedimos que as pessoas conversem com suas famílias sobre isso e deixem claro os seus desejos de doar”, finaliza.

Para a diretora geral do HU, Fabiana Postiglioni Mansani, a homenagem é também um momento de reflexão. “Mostra o quanto é importante o desapego, a compaixão, a vida. Esse ato da família em aceitar fazer a doação, em um momento de tanta dor e tristeza, mantém viva a pessoa amada”. Fabiana ressalta que um ato de bondade se reflete por toda a vida de quem o fez. “Guardem com alegria a memória daquele que se foi, mas também da doação que ficou e que salvou uma outra vida. Vocês merecem ser muito felizes”, finaliza.

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