Em artigo, Aldo Bona destaca vanguarda das IES | A Rede - Aconteceu. Tá na aRede! Portal aRede - Aconteceu! Tá na aRede!
Publicidade

Ponta Grossa

Aldo Nelson Bona é Superintendente Geral de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná

Foto: Aline Jasper/UEPG

Da Redação | Ponta Grossa | 30/03/2020 as 17:28h

Em artigo, Aldo Bona destaca vanguarda das IES

Superintendente destaca conjunto de ações adotadas no Paraná no combate ao coronavírus

Para Aldo Nelson Bona, Superintendente Geral de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (SETI), é graças à capilaridade do Sistema Estadual de Educação Superior, com sua rede bem distribuída no Estado, graças à existência de uma bem estruturada fundação de amparo à pesquisa, a Fundação Araucária, e graças à determinação e ao apoio do Governador do Estado, Carlos Massa Ratinho Júnior, que foi possível à Superintendência de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, SETI, conceber e colocar em funcionamento o maior programa extensionista de combate ao novo Corona vírus.

Leia, na íntegra, o artigo de Aldo Bona:

Pandemia e Ciência (Pública)

Nos últimos anos as Universidades Públicas, onde se concentra a maior parte de produção científica da nação, enfrentam uma narrativa que, na essência, questiona sua importância e prega sua dispensabilidade por ser um ônus financeiro ao Estado Brasileiro. De acordo com essa linha argumentativa, o mercado supriria a produção de conhecimento e a formação de mão de obra qualificada, desonerando o estado. Em alguns poucos países de primeiro mundo, dizem, isso é uma realidade.

Na base dessa concepção está o entendimento de que a maioria da população deve contratar sua própria provisão social e que, por isso, o Estado só deveria apoiar aquele “residual” humano que é incapaz de cuidar do seu próprio bem-estar, ou seja, os pobres. Entretanto, o que se omite do debate público é que, no caso brasileiro, a estrutura social e produtiva é diametralmente oposta à do primeiro mundo. Não há dúvidas de que os países com maior grau de complexidade econômica e renda geram sistemas mais robustos de proteção social. Se a arquitetura econômica de uma sociedade é produto da forma como as empresas governam sua própria produção de bens e serviços, como se relacionam com outras empresas e com sistemas de educação e treinamento, então as estratégias empresariais variam entre as nações e as respostas na busca da coordenação são necessariamente diversas. O Brasil é um País com forte desigualdade social, de baixa capacidade competitiva em termos tecnológicos e de grande heterogeneidade estrutural. As empresas multinacionais, majoritariamente, transferem tecnologias de suas matrizes e cumprem um papel específico nos elos das cadeias globais. Por sua vez, os grupos empresariais domésticos são marcadamente organizações familiares com baixa propensão em investir em pesquisa e desenvolvimento, salvo raríssimas exceções. Esse fenômeno produz um mercado de trabalho flexível, fragmentado e de baixa capacitação.

Nesse cenário a capacidade do Estado e suas instituições na promoção da regulação econômica, extra mercado, é fator decisivo na estratégia de crescimento. O mercado de trabalho é de baixa qualificação, dificultando investimentos que demandam mão de obra especializada. O emprego informal é persistente, apesar dos esforços de formalização. A capacitação vocacional nas empresas ocorre só em situações pontuais e naqueles setores em que trabalhadores e empresários se coordenaram para formar mão de obra.  Dessa forma, em nosso país, as Universidades Públicas atuam no sentido da desmercantilização – geração de externalidades positivas pelo investimento público – do avanço tecnológico e da formação de competências para a estrutura econômica. Ou seja, o avanço da tecnologia e a formação de mão de obra ficam menos dependentes da estrutura econômica e mais dependentes do poder público.

A pandemia do Covid-19 está revelando que: 1) nos países desenvolvidos, onde o Estado atua mais fortemente na coordenação econômica, há sistemas de proteção social mais robustos e preparados para mitigar problemas sociais dessa natureza; 2) nos países, ainda que em desenvolvimento (ex: Coréia do Sul), onde o investimento em ciência e tecnologia é elevado, a resposta é mais efetiva, reduzindo os danos e preservando a vida. No Brasil não vivemos nenhuma dessas alternativas apontadas acima. E ainda assim, o que vemos é que, apesar do decréscimo sucessivo nos investimentos públicos em ciência e tecnologia e das pesadas críticas sobre a relevância das Universidades Públicas, torna-se cada vez mais evidente a importância destas instituições no combate à Pandemia. Algumas lideranças políticas e grande parte da sociedade voltam suas esperanças para Deus e para a ciência. Em relação à ação divina o estado nada pode fazer. Em relação à ciência, as políticas públicas para o setor são devedoras de um grande fazer. É contraditório que a nação exija da ciência respostas rápidas quando os investimentos feitos no setor estão em decréscimo a cada ano. Mais de 90% de toda a ciência brasileira é produzida nas universidades públicas, daí porque o entre parênteses no título deste pequeno ensaio. Pede-se socorro à ciência brasileira justamente no momento em que a ciência vem pedindo socorro. Mas ainda assim as Universidades públicas não faltarão em relação ao seu compromisso social.

Apenas para citar um exemplo, cabe destacar que no Paraná, o segundo estado da federação que mais investe em ciência, de acordo com o ranking da Federação das Indústrias do Estado do Ceará, FIEC, as universidades públicas estão na vanguarda da produção de informações, cientificamente referenciadas, para a sociedade e para os tomadores de decisão. Além disso, em seus laboratórios produzem desde álcool em gel e glicerinado para distribuição em massa, máscaras de proteção individual, testes de medicamentos e até testes de maior complexidade para detecção do vírus. É graças à capilaridade do Sistema Estadual de Educação Superior, com sua rede bem distribuída no Estado, graças à existência de uma bem estruturada fundação de amparo à pesquisa, a Fundação Araucária, e graças à determinação e ao apoio do Governador do Estado, Carlos Massa Ratinho Júnior, que foi possível à Superintendência de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, SETI, conceber e colocar em funcionamento o maior programa extensionista de combate ao novo Coronavírus. O referido programa, por meio das Universidades, colocou em ação junto à sociedade mais de mil pessoas para atuar em várias frentes: no controle do fluxo de pessoas nas divisas do Estado, em centrais de informação para orientar e direcionar os cidadãos paranaenses, nos laboratórios e nas unidades de saúde de todas as Regionais de Saúde e em unidades do sistema prisional. Essa poderosa ação extensionista será determinante na consecução da estratégia de combate ao vírus montada pelo Governo do Paraná e sua realização tornou-se possível pela existência das universidades públicas, estaduais e federais, que são um patrimônio da nação e não podem ser desprezadas no reposicionamento econômico e social do Brasil após vencida a pandemia.

Texto: Aldo Nelson Bona – Superintendente Geral de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (SETI).

email sharing button
email sharing button
email sharing button
email sharing button

Publicidade

Recomendados

Publicidade

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Campos Gerais 20/01/2021 ás 21:30h
Publicidade
Campos Gerais 20/01/2021 ás 20:45h
Cotidiano 20/01/2021 ás 20:30h
Publicidade
Ponta Grossa 20/01/2021 ás 19:31h
Publicidade

LIVES RECENTES

Ao Vivo
ao vivo | 20/01/2021 ás 15:44h

Fesuva segue até este domingo em PG

Saiba o que muda com o novo decreto em PG
Conheça a ÁgilPress Seguros & Consórcios
Troca de tiros com a PM deixa rapaz ferido em PG
Ver Mais
Publicidade

PONTA GROSSA

Ponta Grossa | 20/01/2021 ás 19:21h

ÁgilPress oferta opções de seguros e consórcios em PG

Ponta Grossa 20/01/2021 ás 19:13h
Ponta Grossa 20/01/2021 ás 18:50h
Publicidade
Ponta Grossa 20/01/2021 ás 17:50h
Publicidade

COTIDIANO

Cotidiano | 20/01/2021 ás 19:30h

CCR RodoNorte fará obras de manutenção na BR 277

Publicidade
Cotidiano 20/01/2021 ás 13:00h
Cotidiano 20/01/2021 ás 12:20h
Publicidade

VÍDEOS

Campos Gerais | 19/01/2021 ás 08:21h

Irati registra ao menos 30 pontos de alagamentos

Ver Mais

CAMPOS GERAIS

Campos Gerais | 20/01/2021 ás 19:00h

Palmeira inicia campanha de vacinação contra o coronavírus

Campos Gerais 20/01/2021 ás 17:40h
Publicidade
Campos Gerais 20/01/2021 ás 15:00h
Publicidade

MIX

Mix | 20/01/2021 ás 18:10h

Meyrielen Mendes é eleita Miss Ponta Grossa 2021

Mix 16/01/2021 ás 05:30h
Publicidade
Publicidade

ESPORTE

Esporte | 20/01/2021 ás 18:40h

Fábio Alemão celebra sequência invicta de jogos do Fantasma

Publicidade
Esporte 19/01/2021 ás 20:16h
Publicidade

INSANA

Insana | 05/01/2021 ás 17:40h

Idoso morre e família descobre que uma perna foi 'esquecida'

Insana 11/12/2020 ás 12:20h
Publicidade
Publicidade

VAMOS LER

Vamos Ler | 16/12/2020 ás 19:30h

Alunos interagem com professor peruano em aula de Espanhol

AGRONEGÓCIO

Agronegócio | 19/01/2021 ás 20:45h

Agronegócio do PR tem recorde histórico de exportações

Publicidade

ROMULO CURY

Romulo Cury | 20/01/2021 ás 06:30h

Confira a coluna RC desta quarta-feira (20/01)

BOM DIA ASTRAL

Bom Dia Astral | 20/01/2021 ás 06:00h

Confira seu horóscopo desta quarta-feira (20/01)

EMPREGOS

Empregos | 20/01/2021 ás 06:05h

Confira as vagas de emprego desta quarta-feira (20/01)

Publicidade

MAIS LIDAS

Ponta Grossa | 18/01/2021 ás 14:39h

Jovem encontrada no Lago de Olarias morre no hospital

Ponta Grossa 14/01/2021 ás 16:40h
Ponta Grossa 14/01/2021 ás 13:37h
Publicidade
Publicidade