MP-SP investiga suposta cobrança indevida da Caixa ao Corinthians
Apuração analisa divergência nos cálculos do financiamento da Neo Química Arena

O Ministério Público de São Paulo abriu um procedimento administrativo preparatório para apurar se a Caixa Econômica Federal cobrou valores indevidos do Corinthians relacionados à dívida da Neo Química Arena. A informação foi divulgada pela "Record".
A apuração é conduzida pelo promotor Cássio Conserino, que determinou a realização de uma perícia detalhada sobre os cálculos do financiamento do estádio. A apuração teve origem em uma representação apresentada ao órgão, que aponta uma possível divergência de R$ 255,75 milhões nos valores cobrados pela instituição financeira.
Segundo a "Record", a análise que fundamenta a representação foi elaborada por Anísio Costa Castelo Branco, que se apresenta como perito criminal investigador. O material foi produzido com base em documentos públicos relacionados ao financiamento da arena e questiona a forma como juros, multas e outros encargos foram aplicados ao longo dos anos.
Possível divergência nos valores
Cássio Conserino afirmou à "Record" que os juros cobrados pela Caixa nas parcelas em atraso apresentam variações significativas. Segundo ele, foram identificadas taxas que vão de 19% ao mês a quase 450% ao mês, sem um padrão definido.
O promotor também sustenta que a Caixa teria cometido erros nos cálculos apresentados ao Corinthians, resultando, segundo sua análise, em uma cobrança adicional de mais de R$ 280 milhões. Atualizado para agosto de 2026, esse valor chegaria a aproximadamente R$ 455 milhões.
— Tem que mostrar quanto de juros eles estão cobrando nas parcelas em atraso, porque eu encontrei juros que variam de 19% ao mês a quase, se não me engano, 450% ao mês. Não tem padrão nenhum — disse.
— A Caixa teria errado nos cálculos apresentados ao Corinthians e, consequentemente, dando um valor a mais de R$ 280 milhões, que, atualizados em agosto de 2026, chegam à beira de uns R$ 455 milhões — seguiu.
Cássio Conserino levantou ainda a possibilidade de o financiamento da Neo Química Arena já estar quitado. Atualmente, Corinthians e Caixa consideram um saldo de aproximadamente R$ 640 milhões.
— Pela perícia encaminhada ao Ministério Público pelo representante, que, diga-se de passagem, também é perito, aquele documento reflete um pagamento a mais. E, por via de consequência, a Arena já estaria quitada por conta desse pressuposto matemático equivocado ocorrido em 2019 — apontou.
Histórico da dívida do Corinthians
O financiamento da Neo Química Arena começou em 2013. Na época, o Corinthians obteve crédito de até R$ 400 milhões para a construção do estádio. Desde então, a dívida passou por diferentes negociações e alterações nas condições de pagamento.
Antes de levar o caso ao Ministério Público, Castelo Branco afirma ter tentado apresentar os questionamentos a dirigentes do Corinthians. Segundo ele, em 2020 foram enviados e-mails a Andrés Sanchez, então presidente do clube, e a Alexandre Husni, que ocupava a presidência do Conselho Deliberativo. Ainda de acordo com o perito, não houve resposta às mensagens.
Com informações do Lance!
Confira o resumo da notícia
Investigação do MPSP: O Ministério Público de São Paulo instaurou um procedimento para apurar se a Caixa Econômica Federal cobrou valores indevidos do Corinthians na dívida do financiamento da Neo Química Arena, após uma representação apontar divergências milionárias nos cálculos.
Erros de cálculo e possível quitação: A perícia apresentada indica variações despadronizadas de juros nas parcelas em atraso (de 19% a quase 450% ao mês) e cobranças extras que variam de R$ 255 milhões a R$ 455 milhões atualizados, sustentando que a dívida de R$ 640 milhões já poderia estar quitada.
Falta de resposta do clube: O perito responsável pelo estudo relatou que tentou alertar dirigentes e conselheiros do Corinthians sobre as inconsistências financeiras ainda em 2020, mas não obteve retorno das mensagens enviadas.





















