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Diretor da Agência do Trabalhador de Ponta Grossa, John Elvis Ramalho, comenta que a procura do benefício do Seguro Desemprego está constante

Foto: Arquivo JM

Da Redação | Dinheiro | 15/06/2020 as 14:37h

Mais de 50% das empresas de PG tiveram demissões

Pesquisa realizada no município mostra que das 273 empresas que participaram do estudo, 51% delas demitiu. Uma delas demitiu 240 pessoas

As demissões e a queda nas admissões foram dados preocupantes levantados na 2ª etapa da pesquisa realizada pela Câmara Técnica Permanente de Comércio e Serviços, do Conselho de Desenvolvimento Econômico de Ponta Grossa (CDEPG) em parceria com o Núcleo de Economia Regional e Políticas Públicas (Nerepp), do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), entre os dias 19 e 28 de maio e que contou com 273 questionários respondidos por empresários da cidade. Políticas públicas devem ser reavaliadas para evitar um impacto maior na economia nos próximos meses.

De acordo com a pesquisa, cerca de 51% dos estabelecimentos demitiram algum funcionário, em que, a média foi de 4.2 empregos, o dobro do que foi registrado na 1ª edição da pesquisa do CDEPG, no mês de abril, que apontou 2.1 empregos perdidos no período. O preocupante é, pois o estudo registrou uma das empresas que afirmou ter demitido 240 empregados.

Segundo a pesquisadora do Nerepp, Augusta Pelinski Raiher, considerando o tamanho das empresas, com exceção das empresas de porte médio, todas tiveram um percentual semelhante de estabelecimentos que fizeram alguma demissão, estando próximas de 50%. Ela salienta que na pesquisa anterior quem mais tinha demitido eram as de menor porte, o cenário que se modificou um pouco com a intensificação das demissões nas grandes empresas. “Em abril, o percentual de empresas de grande porte que demitiu era de 17% e em maio esse percentual passou para 50%. Assim, percebe-se que a crise começa a ser sentida mais fortemente por praticamente todos os tipos de empresas, o que é preocupante, pois quando uma grande empresa demite, dispensa em grande quantidade, e isso reverbera negativamente na economia tanto pelo aumento no desemprego, como pela consequente perda de poder de compra da população”, explica a economista.

De maneira geral, correlacionando o faturamento versus o emprego, identifica-se que uma boa parte das empresas estão iniciando um processo de recuperar parcialmente suas receitas, mas o efeito no nível de mão-de-obra empregada não é sentido. O estudo aponta as empresas que tiveram as maiores quedas do faturamento foram as que tiveram o maior percentual de estabelecimentos com alguma demissão como os segmentos do turismo, hotelaria, atrativos, transporte de pessoas, as quais tiveram 100% dos seus estabelecimentos com alguma demissão. “Novamente, os estabelecimentos do transporte de cargas, setor considerado essencial nesse período, foi o único setor que não registrou nenhum estabelecimento com demissão”, disse Augusta.

 

Dados do Caged

O Paraná é o estado do Sul do Brasil que menos perdeu postos de emprego nos quatro primeiros meses do ano, segundo os dados do novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregado. Apesar de ter iniciado o ano com a abertura de 17.733 empregos em janeiro e 28.128 em fevereiro, o saldo no Paraná ficou negativo em 22.424 postos de trabalho na soma do quadrimestre.

Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), em Ponta Grossa foram registrados em abril 1.496 admissões e 2.709 desligamentos, apresentando um saldo negativo de 1.213. No setor agropecuário foram duas admissões para 14 desligamentos; no setor de serviços 484 admissões para 1.047 desligamentos, apresentando um déficit de 563 empregos; na indústria foram 164 admissões e 539 desligamentos, o que gerou um índice negativo em 375 vagas de emprego; o comércio foi o setor mais prejudicado, registrando 341 admissões, 803 desligamentos, contabilizando um saldo negativo de 462 vagas de trabalho. Uma área que não teve impacto negativo foi construção civil que registrou 505 admissões, 306 desligamentos, mas um saldo positivo de 199 vagas.

 

Agência do Trabalhador em Ponta Grossa

O diretor da Agência do Trabalhador de Ponta Grossa, John Elvis Ramalho comenta que a procura do benefício do Seguro Desemprego está constante, mas não tão diferente do que em abril. Porém, ele admite que a queda na captação de vagas foi expressiva, pois a média era de 500 vagas oferecidas por mês, chegando a registrar até 700 vagas disponíveis. “No início de março, chegamos a oferecer num único dia, 200 vagas de emprego. Com a Agência fechada em abril, foram cerca de 190 vagas e agora está perto de 300 vagas ofertadas”, conta.

Ramalho demonstra preocupação quanto aos reflexos do desemprego com fim dos incentivos do governo, como a suspensão temporária do contrato de trabalho, ou quando findado o recurso oriundo do Seguro Desemprego. Em virtude disso, ele acredita que sejam necessárias políticas públicas para combater o desemprego. “Iniciativas como o Programa Primeiro Emprego da Prefeitura, ou mesmo outras políticas públicas de incentivo para o empresariado, vindas do governo Federal e Estadual serão necessárias para este momento”, aponta o diretor que se diz acostumado a trabalhar com adversidade, mas em um cenário com este, nem sempre é possível a todos com as ferramentas disponíveis.

A pesquisadora do Nerepp também acredita que o fim dos benefícios governamentais pode prejudicar a retomada da captação de vagas e gerar mais desempregos. Segundo ela, percebe-se que a crise começa a ser sentida mais fortemente por praticamente todos os portes de empresas. Considerando tanto empresas de grande como de pequeno porte, esta situação pode gerar um efeito dominó para toda a economia. “Quando uma grande empresa demite em massa, uma grande quantidade de trabalhadores e consumidores diminuem drasticamente o poder de compra. Este movimento pode levar a uma retração ainda maior da economia, gerando um novo ciclo de demissões e falências que seria prejudicial à todos. Em virtude disso, políticas públicas devem ser destinadas a grandes empresas também para evitar prejuízos maiores”, elucida a economista.

 

Preocupação com o mês de agosto

Henrique Platek, membro da Câmara Técnica de Comércio e Serviços do CDEPG, como relatado anteriormente por Augusta e Ramalho, a maioria das empresas colocaram funcionários em afastamento ou suspensão de contrato de trabalho em abril, perdurando dois meses. Após esse prazo, esses funcionários terão estabilidade de mais dois meses, que terminará em julho. “No começo de agosto a maioria dos empregados estará sem estabilidade em empresas com baixo faturamento, que gera um risco elevadíssimo de demissões em massa, que por sua vez geraria uma recessão profunda e duradoura. Esse é o prazo para ações governamentais e institucionais gerarem uma melhora real nos comércios e serviços. Além disso, a pesquisa demonstrou que o mês de agosto foi indicado por grande parte das empresas como o seu limite de operação na situação atual”, finaliza Platek.


Informações da assessoria de imprensa

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