Homem em surto psicótico é morto pela PM em Curitiba
Adriano Mello dos Santos, de 43 anos, foi morto a tiros durante ocorrência no Pilarzinho

O homem morto pela Polícia Militar do Paraná (PMPR) durante uma ocorrência no bairro Pilarzinho, em Curitiba, na madrugada desta sexta-feira (04), foi identificado como Adriano Melo dos Santos, de 43 anos. Segundo a família, Adriano estava em surto psicótico quando a polícia foi acionada. Os familiares contestam a ação dos policiais e apontam uma possível execução.
O velório de Adriano ocorre na Capela do Cemitério Paroquial São Marcos, em Curitiba, onde também será realizado o sepultamento. O enterro está marcado para este sábado (05).
A morte aconteceu no cruzamento das ruas Álvaro Moleta com Campo Largo da Piedade. Conforme a versão apresentada pela PM, Adriano estava com um machado e teria avançado contra os policiais.
A equipe afirmou que tentou inicialmente utilizar uma arma não letal, mas fez disparos de arma de fogo após Adriano partir para cima da equipe. O homem foi atingido e morreu no local.
A Polícia Científica foi acionada para realizar a perícia, enquanto a Polícia Civil do Paraná (PCPR) investiga as circunstâncias da morte. Com informações da Banda B, parceria do Portal aRede.
POLÍCIA MILITAR
Uma moradora registrou em vídeo o momento em que os policiais efetuaram os disparos. A gravação foi feita a certa distância da rua onde ocorreu a ação, mas mostra as sirenes de viaturas da polícia e permite ouvir a sequência de tiros.
No início, é possível ouvir um disparo e, logo depois, os gritos de pessoas que estavam no local. A moradora, assustada, afirma: “Meu Deus, matou alguém”.
Na sequência, outros tiros são ouvidos. Ao todo, mais de 15 disparos podem ser identificados. Depois, a mulher comenta: “Encheram de tiro, senhor. Misericórdia”. Mesmo após os tiros terminarem, os gritos continuam.
FAMÍLIA CONTESTA PM
Familiares de Adriano estiveram no local após a ocorrência e demonstraram revolta com a morte. O irmão afirmou que a família chamou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) porque o homem estava em surto psicótico. “Nós chamamos o SAMU porque ele estava em surto psicótico. Ele é trabalhador, não é vagabundo. O SAMU alertou que tinha que chamar uma viatura da polícia ou da Guarda Municipal para dar apoio”, relatou.
Segundo ele, a orientação recebida foi para acionar uma equipe policial ou da Guarda Municipal para auxiliar no atendimento.
O irmão também disse que tentou acalmar Adriano durante a abordagem e contestou a dinâmica apresentada pelos policiais. De acordo com o familiar, os agentes teriam avisado que atirariam caso o homem avançasse em direção à equipe. “Quando os policiais chegaram, eles já falaram que ‘se vier para o nosso lado, a gente vai atirar’. Eu tentei acalmá-lo. Eles [policiais] disseram que ‘se você entrar na frente, até você vai levar tiro’”, disse o irmão da vítima.
NOTA OFICIAL
Procurada pela Banda B, a Polícia Militar informou, em nota, que foi acionada porque um indivíduo em surto, portando um machado, estaria ameaçando pessoas em via pública. Segundo a corporação, o homem não obedeceu às ordens dadas pelos policiais.
A PM também afirmou que solicitou apoio do BOPE, mas que não foi possível isolar o local antes que Adriano avançasse contra as equipes com o machado. Conforme a corporação, os policiais fizeram disparos para neutralizar a ameaça. “Não foi possível isolar o autor, que partiu para cima das equipes com o machado em mãos. Os policiais precisaram realizar disparos de arma de fogo para neutralizar a ameaça letal do indivíduo“, diz a PM, em nota.
O caso envolvendo o homem em surto, morto pela PM em Curitiba, continua sendo investigado pela PCPR.
RESUMO
Identificação e Contexto: Adriano Melo dos Santos, de 43 anos, foi morto pela PM durante um surto psicótico no bairro Pilarzinho, em Curitiba; seu sepultamento ocorreu no sábado seguinte.
Versão Policial: A Polícia Militar informou que ele portava um machado, ameaçava pessoas na rua e avançou contra a equipe, que disparou tiros de arma de fogo após o uso sem sucesso de armas não letais.
Contestação da Família: Familiares alegam ter acionado o SAMU para socorro médico e acusam os policiais de agir com truculência e desproporcionalidade, relato endossado por vídeos de moradores que registraram mais de 15 disparos.





















