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Torcedora flagrada em ato racista é afastada do emprego

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Afonso Verner

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Um incidente chamou a atenção durante a derrota do Grêmio para o Santos, em Porto Alegre, na noite desta quinta-feira (28). Em certo momento da partida, o goleiro Aranha, da equipe paulista, se descontrolou em campo apontando ao árbitro que estava sofrendo ofensas racistas por parte de alguns torcedores gremistas. O jogo chegou a ser paralisado por causa do incidente.

Flagrada em imagens capturadas pelo canal ESPN, uma torcedora, identificada como Patrícia Moreira, chama o goleiro santista de “macaco”. Um grupo de torcedores também foi flagrado gritando “uh, uh, uh” na direção de Aranha. A atitude não foi citada na súmula oficial da partida, mas, com base nas imagens, tanto o Grêmio, quanto os torcedores que cometeram o ato serão denunciados.

Logo após o término do jogo, Aranha desabafou. “Sei que torcida pegar no pé é normal, mas começaram a me chamar de “preto fedido”, a gritar “cambada de preto”. Fiquei nervoso, mas me segurei. Mas aí começou coro de macaco, eles imitando. Fizeram rapidinho, para não dar tempo de filmar. Fico nervoso com essas coisas”, disse o goleiro.

Horas após o fim da partida, o árbitro Wilton Pereira de Sampaio enviou um adendo a súmula, informando que teve acesso aos atos por meio da imprensa, mas que durante o jogo, quando Robinho e Gabigol o avisaram de que Aranha sofria ofensas, ele se dirigiu até o goleiro, que confirmou o fato. No entanto, o árbitro afirma que “nenhum integrante da arbitragem ouviu ou presenciou tais atos” e que após a paralisação, “o jogo seguiu de forma normal e sem qualquer relato por parte de outro atleta”.

Caso seja condenado pelo caso, o Grêmio pode ser punido com a “perda do número de pontos atribuídos a uma vitória no regulamento da competição, independentemente do resultado da partida, prova ou equivalente, e, na reincidência, com a perda do dobro do número de pontos atribuídos a uma vitória no regulamento da competição, independentemente do resultado da partida, prova ou equivalente; caso não haja atribuição de pontos pelo regulamento da competição, a entidade de prática desportiva será excluída da competição, torneio ou equivalente”. Já os torcedores identificados ficarão proibidos de ingressar no estádio por pelo menos 720 dias.

Torcedora identificada é afastada do trabalho

Segundo o jornal Zero Hora, A torcedora Patrícia Moreira, flagrada ofendendo o goleiro, foi afastada das suas atividades no Centro Médico Odontológico da Brigada Militar. A auxiliar de saúde foi substituída por outro funcionário da cooperativa nesta sexta-feira (29).

A decisão foi publicada pela Brigada Militar por meio de uma rede social. “Informamos que a torcedora filmada ontem, xingando o goleiro do Santos, já foi afastada de sua função na Policlínica”, escreveu  a conta oficial da corporação no twitter.

Em entrevista ao Zero Hora, o major Régis Reche, chefe do Centro Médico Odontológico, lamentou o fato. “Conversei com o diretor da empresa, mas não consegui contato com ela. Era uma funcionária competente, mas a postura pessoal que ela assumiu vai totalmente contra os nossos princípios de trabalho. É um fato profundamente lamentável”, afirmou.

Notas oficiais dos envolvidos

Os clubes envolvidos no acontecimento se manifestaram por meio de notas oficiais publicadas em seus respectivos sites oficiais. O goleiro Aranha também se manifestou por meio do site oficial do Santos. O Tricolor gaúcho se solidarizou com o jogador adversário e informou que o clube “está tomando todas as medidas possíveis para que os envolvidos neste episódio sejam identificados”.

Já o Santos lamentou a recorrência do caso, citando um fato parecido corrido com o volante Arouca, há menos de um ano, e disse esperar que “esse seja o último caso em que o futebol e a competição saudável percam espaço para um acontecimento desprezível”. O goleiro Aranha se pronunciou já nesta sexta-feira (29), se disse aliviado e citou um trecho do famoso discurso “I Have a Dream”, de Martin Luther King.

Informações de Rodrigo Dornelles, da Rádio Banda B

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