Golpe de Jesus: criminosos usam fé para clonar voz e aplicar golpes
Advogado e delegado alertam sobre abordagem que pode ser usada para obter dados

O golpe de Jesus, segundo o advogado, é uma estratégia que usa a manipulação da fé.
"Golpistas entram em contato por telefone e, quando a pessoa é abordada, ele fala: ‘Olha, eu posso ler um texto da Bíblia Sagrada. O senhor autoriza ou a senhora autoriza eu ler um texto da Bíblia Sagrada?’", disse Luciano Katarinhuk, advogado.
Luciano afirma que os golpistas induzem a pessoa a repetir palavras e frases específicas.
"Ele lê um texto, um salmo, um provérbio, depois fala: ‘Senhora, concorda? O senhor concorda com esse texto?’ ‘Sim, concordo.’ E, no final, ele fala: ‘O senhor aceita Jesus como o senhor da sua vida, como o seu salvador?’ ‘Sim, eu aceito.’ Com esse ‘sim, aceito’, ‘sim, eu concordo’, ‘sim, eu autorizo’, ele consegue montar um padrão de voz e consegue utilizar isso, com todas as ferramentas, para aplicação de golpe, abrir conta bancária, fazer financiamento e outros tipos de golpe", falou o advogado.
Mas, segundo a Polícia Civil, é preciso ficar atento. Há dois fatores importantes.
"O que nós orientamos? Quando for atender um telefonema de uma pessoa ou de outro interlocutor, fique muito ligado àquilo que a pessoa vai falar, porque pode ser que eles irão te estimular a falar para captar o seu tom de voz e depois utilizar isso por inteligência artificial para aplicar golpes em terceiros. Esse é o primeiro ponto: utilização da voz.
O outro ponto é, por exemplo, a pessoa falar assim: ‘Viu, Patrícia, eu vou te mandar no seu WhatsApp um aplicativo da Bíblia com vários salmos para você ler’, ou seja, presumindo aquela boa-fé. Quando a pessoa clica nesse link, por melhor que a pessoa possa ser, ela está dando acesso ao aparelho celular para esse golpista.
A partir do momento que a pessoa clica nesse link, ela perde o acesso ao celular. Perdendo o acesso ao celular de maneira remota, o golpista pode contrair empréstimos, fazer transações bancárias, enfim", afirmou Bruno Amaral, delegado da Polícia Civil de Cascavel.
Com informações de Catve.com.
Confira o resumo da notícia
A abordagem pela fé: Os criminosos entram em contato por telefone oferecendo a leitura de trechos bíblicos para induzir a vítima a responder frases como "sim", "concordo" e "autorizo".
Captura da voz para golpes: As respostas afirmativas são gravadas para mapear o padrão vocal da vítima ou reusadas via inteligência artificial para abrir contas, fazer financiamentos ou enganar terceiros.
Invasão por links maliciosos: A Polícia Civil alerta que os golpistas também enviam links falsos, como de aplicativos bíblicos que, ao serem clicados, dão acesso remoto ao celular para a realização de transações bancárias indevidas.





















