Estratégia de delação de Vorcaro pode focar políticos e evitar menções ao STF | aRede
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Estratégia de delação de Vorcaro pode focar políticos e evitar menções ao STF

Avaliação inicial do banqueiro e de sua defesa busca viabilizar acordo com a PGR, mas investigações da Polícia Federal podem influenciar o rumo das negociações

Daniel Vorcaro e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes
Daniel Vorcaro e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes -

João Victor

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A possível delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao caso envolvendo o banco Master, pode ter como foco políticos e evitar citações a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A estratégia inicial, segundo fontes próximas ao caso, busca facilitar a validação do acordo pelas autoridades responsáveis. As informações foram divulgadas pela CNN Brasil.

De acordo com relatos obtidos pela emissora, pelo menos três fatores teriam motivado essa linha de atuação no acordo de colaboração.

Relação com a PGR e ministros do STF

Um dos pontos considerados na estratégia é a relação entre o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e integrantes do STF. A avaliação de pessoas próximas a Vorcaro é de que uma delação que atingisse diretamente ministros da Corte teria pouca chance de ser aceita pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Entre os nomes que poderiam aparecer em eventual colaboração está o ministro Alexandre de Moraes, devido a um contrato de cerca de R$ 129 milhões firmado entre o banco e o escritório de advocacia de sua esposa.

Estratégia da defesa

Outro fator citado envolve o novo advogado do banqueiro, José Luis de Oliveira Lima, conhecido como “Juca”. Segundo fontes ouvidas pela CNN, o defensor consideraria as relações institucionais e pessoais com integrantes do STF ao conduzir as negociações da delação.

Há ainda a proximidade do advogado com o ministro Dias Toffoli, que também poderia ser mencionado em eventual colaboração devido a negócios realizados entre o banco Master e um fundo com participação dele e de familiares.

Além disso, a avaliação de especialistas é de que uma delação que atinja integrantes das altas cortes de Brasília pode representar riscos relevantes para a atuação futura de escritórios de advocacia. Como exemplo recente, é citada a Operação Lava Jato, que enfrentou desgaste quando investigações passaram a alcançar membros do Judiciário.

Outras frentes de investigação

A expectativa é que Vorcaro trate, em eventual acordo de colaboração, de crimes financeiros e de negociações ligadas ao banco Master. O advogado também representa João Carlos Mansur, fundador da gestora Reag, atualmente liquidada, que manteve parceria com o banco em diferentes operações. A avaliação de fontes é de que Mansur também poderia buscar um acordo de delação.

Outro ponto que deve ser abordado envolve a relação do banco com carteiras de crédito consignado. Entre os principais ativos da instituição estava o cartão CrediCesta, modalidade com juros abaixo da média do mercado e direcionada principalmente a servidores públicos. O produto foi idealizado pelo ex-sócio de Vorcaro, Augusto Lima, e expandido da Bahia para outros estados antes do rompimento entre os dois.

Investigações da Polícia Federal

Apesar da estratégia inicial de evitar menções ao STF, o plano pode enfrentar obstáculos nas apurações conduzidas pela Polícia Federal do Brasil. Investigadores avaliam que há material considerado robusto envolvendo o ministro Dias Toffoli.

Nesse cenário, uma delação negociada diretamente com a Polícia Federal também surge como alternativa para Vorcaro, caso a Procuradoria-Geral da República não aceite fechar um acordo de colaboração.

RESUMO DA MATÉRIA:

- Estratégia inicial de delação de Daniel Vorcaro prevê foco em políticos e evitar citações ao STF.

- Defesa avalia que menções à Corte poderiam dificultar validação do acordo pela PGR.

- Investigações da Polícia Federal podem alterar o rumo da negociação, especialmente diante de indícios envolvendo Dias Toffoli.

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