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Brasil precisa expandir mercado internacional, dizem especialistas

Atualmente, o país responde por apenas 1,2% do comércio global

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Fernando Rogala

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Mesmo tendo um dos maiores Produtos Interno Bruto (PIB) do mundo, o Brasil continua tendo dificuldades no mercado internacional. Atualmente, o país responde por apenas 1,2% do comércio global, resultado da falta de uma política externa mais ousada, conforme análise dos especialistas presentes no 5º Fórum de Agricultura da América do Sul. O evento ocorreu no Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba (PR), e reuniu mais de 500 participantes de todos os elos da cadeia produtiva do agronegócio.

Com exceção do Mercosul, o país não realizou acordos bilaterais ou regionais com grandes nações, tendo preferido apostar em negociações pela Organização Mundial do Comércio (OMC) – o que se mostrou uma estratégia equivocada, segundo o professor de comércio exterior da Universidade Positivo, Gustavo Iamin. “Europa, Japão e Coreia do Sul se basearam no modelo exportador após a Segunda Guerra Mundial e obtiveram sucesso. Comércio é uma via de mão dupla. É preciso importar para equilibrar a balança econômica”. Ele participou do painel “Mercado Internacional: desafios e oportunidades à exportação” que ocorreu na quinta-feira (24).

A consultora em negócios internacionais, Tatiana Palermo, que também debateu o tema, destacou o papel do agronegócio na expansão de mercado e na recuperação econômica do país – principalmente devido a capacidade de expansão da área plantada em aproximadamente 115 milhões de hectares. “A participação do agronegócio brasileiro no mercado mundial é de 7,04%. É preciso atenção nas altas tarifas de importação e uma maior agressividade no mercado para aumentar esse índice”, afirmou.

O crescimento da demanda por alimentos também devem contribuir para o ganho de mercado internacional. A projeção de crescimento populacional até 2050 é alta, estima-se que o número de habitantes no mundo chegue a quase 10 milhões. Aliada a essa expectativa, fatores como longevidade, fertilidade e alteração na renda per capita em diversos países têm reorganizado a demanda por alimentos no planeta. Atender a essa necessidade, exige atenção a aspectos que podem afetar o volume de oferta de produtos pelo setor.

Para o coordenador do Núcleo Econômico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Renato Conchon, que participou do painel “Oferta e demanda: fundamentos que reorganizam a ordem global”, é preciso refletir sobre como o setor e o país vão se posicionar diante de uma mudança tão drástica e uma demanda tão grande. Por isso é importante estar atento aos alertas de crescimento e mudanças climáticas.

Mais temas

Outros dois assuntos foram pauta na programação de quinta-feira (24) do 5º Fórum de Agricultura da América do Sul. No painel "Russia: Grande Player do Inverno" o destaque foi o trabalho que o país tem desenvolvido ao longo dos últimos anos para assumir a liderança entre os principais exportadores de trigo. “O papel importante foi feito com sementes de alta qualidade, e também aumentando o maquinário agrícola", destaca o membro do Russian Grain Union, Maksim Golovin.

Com o aumento da oferta do produto russo, nunca houve tanto trigo disponível no mercado, chegando a aproximadamente 737 milhões de toneladas, segundo o diretor do Sindicato das Indústrias de Trigo no Estado do Paraná (Sinditrigo-PR), Daniel Kummel. "O volume é muito grande e o consumo não acompanhou a produção. Consequentemente, o trigo vai sofrer efeito nessa campanha devido à quantidade disponível", relatou.

No painel “Reconstrução da confiança e ampliação do mercado de carnes”, o consultor veterinário da Cobb-Vantress, Guilherme Castro, destacou que o país deve apostar no potencial da carne de frango, pois, atualmente, é o único exportador de aves livre do diagnóstico da gripe aviária. “Temos um sistema de integração extremamente profissional, gerando tecnologia no campo. O Brasil exporta tecnologia com profissionais e conhecimento”, concluiu.

Com informações da assessoria de imprensa.

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