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FPA alerta para riscos no Plano Safra e impasses no crédito rural

Setor agropecuário critica pacote de R$ 610,3 bilhões devido à redução de recursos para custeio, juros elevados de até 12,5% ao ano e perda do poder de compra frente à inflação

Plano Safra 2026/27 gera apreensão na FPA por não resolver endividamento rural e restringir crédito
Plano Safra 2026/27 gera apreensão na FPA por não resolver endividamento rural e restringir crédito -

Publicado por Eduarda Gomes

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Anunciado pelo governo federal como o maior da história, o Plano Safra 2026/27 vem enfrentando duras críticas de produtores, parlamentares e especialistas do setor agropecuário. Embora o Poder Executivo destaque o volume de recursos divulgado, a avaliação do mercado é de que o pacote não repõe as perdas inflacionárias, reduz a verba destinada ao custeio da produção, mantém taxas de juros elevadas e falha em solucionar o avanço do endividamento no campo. A soma desses fatores ameaça restringir o acesso dos produtores ao financiamento e comprometer o desempenho da próxima safra.

Do montante total de R$ 610,3 bilhões previstos, R$ 525,1 bilhões foram destinados à agricultura empresarial e R$ 85,2 bilhões à agricultura familiar. Apesar do discurso oficial de recorde, o valor não acompanha a inflação em relação ao ciclo anterior, quando foram anunciados R$ 594,4 bilhões. Além disso, o setor questiona a metodologia de cálculo do governo, que incluiu R$ 38,5 bilhões oriundos de fontes que não eram contabilizadas nas edições anteriores do programa para inflar o valor final.

"TTivemos um Plano Safra que não tem nada de recorde. É um plano que vem sem resolver o endividamento rural, questão fundamental para que os produtores tenham acesso ao crédito disponibilizado para a próxima safra", destacou a senadora Tereza Cristina (PP-MS), vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

REDUÇÃO DE VERBAS

Um dos pontos mais alarmantes para os produtores é o corte nos recursos de custeio, linha voltada ao financiamento de insumos básicos como sementes, fertilizantes e defensivos. Na atual temporada, o montante para custeio sofreu uma retração de 7,18%, somando R$ 384,9 bilhões. A queda deve limitar a capacidade de investimento e desacelerar o ritmo de implantação da lavoura 2026/27.

O cenário é agravado pelo crescimento recorde da inadimplência rural, atestado por dados do Banco Central e da Serasa Experian. Com o risco em alta, as instituições financeiras tendem a endurecer as exigências para a concessão de empréstimos.

"O aumento dos custos financeiros, a restrição do crédito e o crescimento do endividamento comprimem as margens e podem comprometer o desempenho da próxima safra. Na prática, a efetiva liberação dos recursos depende da disposição das instituições financeiras em assumir riscos e da capacidade dos produtores de atender aos critérios de concessão", analisou Leandro Gilio, pesquisador e professor do Insper Agro Global.

JUROS CONTINUAM ALTOS

Apesar de tímidas reduções nas taxas de juros (entre 0,5 e 1,5 ponto percentual), os encargos seguem pesados diante da queda nos preços das commodities agrícolas. Em algumas modalidades de financiamento, os juros chegam a 12,5% ao ano.

"Eu lamento dizer, mas o Plano Safra que está no mercado, com bilhões de reais, é inacessível para a grande maioria dos produtores", declarou o deputado Alceu Moreira (MDB-RS), coordenador institucional da FPA. As informações são do portal Agrofy News.

Gilio explica que, embora o orçamento governamental para equalização de taxas tenha subido mais de 35%, o custo do crédito não caiu na mesma proporção. A taxa Selic em 14,25% ao ano aliada aos gargalos fiscais do governo reduzem o espaço para subsídios maiores. Como resultado, o financiamento permanece caro justamente no momento em que a rentabilidade dos produtores rurais está mais espremida.

LEIA ABAIXO UM RESUMO DA NOTÍCIA

- Recursos sem Reposição Inflacionária: Apesar do anúncio de R$ 610,3 bilhões, o valor não cobre a inflação frente à safra anterior e inclui R$ 38,5 bilhões de fontes anteriormente não contabilizadas.

- Corte no Custeio e Inadimplência: A verba para custeio caiu 7,18% (R$ 384,9 bilhões), o que, somado à inadimplência recorde, deve levar os bancos a endurecer as exigências de crédito.

- Juros Inacessíveis: Mesmo com pequenas reduções, as taxas chegam a 12,5% ao ano, impulsionadas pela Selic em 14,25% e por limitações no orçamento de subsídios federais.

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