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Coluna Fragmentos: As rodovias e o desenvolvimento paranaense

A coluna ‘Fragmentos’, assinada pelo historiador Niltonci Batista Chaves, publicada entre 2007 e 2011, retorna como parte do projeto '200 Vezes PG', sendo publicada diariamente entre os dias 28 de fevereiro e 15 de setembro

Em 31 de outubro de 1956 o JM publicou um artigo sobre o projeto de asfaltamento da rodovia Ponta Grossa-Curitiba
Em 31 de outubro de 1956 o JM publicou um artigo sobre o projeto de asfaltamento da rodovia Ponta Grossa-Curitiba -

João Gabriel Vieira

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Em 1953, Bento Munhoz da Rocha Neto, então governador do Paraná, promoveu inúmeras comemorações e eventos por conta do centenário de emancipação política do estado. Além dessa data festiva, a década de 1950 correspondeu a um momento de mudanças significativas para o Paraná.

Foi nesse decênio que ocorreu uma ocupação efetiva do território paranaense; que nasceu – de fato – um sentimento e uma consciência a respeito do “ser paranaense”; que novas regiões emergiram pujantes e que os Campos Gerais perderam espaço econômico e prestígio político no contexto estadual.

Para Ponta Grossa, a década de 1950 também correspondeu a um momento de modificação de sua condição de núcleo hegemônico do interior paranaense. A intensificação das atividades cafeeiras no norte e da agropecuária no sudoeste paranaense fez com que as novas cidades que surgiram em tais regiões passassem a ocupar lugar de destaque no “hinterland” estadual.

Percebendo os novos tempos, autoridades e lideranças ponta-grossenses se organizaram com o intuito de garantir o prestígio e o poder que a cidade conquistara ao longo da primeira metade dos Novecentos. Nesse sentido, intelectuais concentraram-se em torno de entidades culturais como o Centro Cultural Euclides da Cunha e a Sociedade de Cultura Artística Brasílio Itiberê (SCABI), os políticos redobraram suas ações na região dos Campos Gerais, e entidades de classe, como a ACIPG, passaram a exigir maior atenção dos poderes públicos – municipal e estadual – para com Ponta Grossa.

A década de 1950 foi também um momento de inflexão no projeto de desenvolvimento nacional que havia se iniciado nos anos 30 daquele século. Por exemplo, do ponto de vista do sistema de transportes, as ferrovias, que por décadas significaram o principal meio de movimentação para cargas e passageiros em todo país e que foram decisivas para o fortalecimento de Ponta Grossa, perderam rapidamente espaço para as rodovias e para os automóveis.

Em 1956, ao assumir a presidência da República, Juscelino Kubitschek estabeleceu o seu “Plano de Metas” e passou a investir na melhoria e expansão das estradas de rodagens por todo o interior do Brasil. Para que a indústria automobilística, uma das “meninas dos olhos” de JK, se instalasse e ganhasse espaço, era fundamental que o país possuísse um sistema rodoviário amplo, integrado e de boa qualidade. No final daquela década os primeiros veículos totalmente produzidos em solo brasileiro já circulavam pelo território nacional.

A soma de fatores, como a abertura e o desenvolvimento de novas regiões no Paraná e o avanço do sistema rodoviário nacional ajudam a compreender os motivos que provocaram a brusca perda de importância de Ponta Grossa no cenário estadual naquele período.

Além dos Campos Gerais deixarem de se apresentar como a única região efetivamente produtiva no estado, a expansão da malha rodoviária pelo território paranaense contribuiu para que as pessoas e cargas que cruzavam o Paraná não mais tivessem que, obrigatoriamente, passar pelos Campos Gerais e por Ponta Grossa, deslocando o eixo econômico estadual e possibilitando o desenvolvimento paranaense como um todo.

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Rodovias

Desde o seu nascimento, o Paraná ocupou lugar um estratégico no sentido de integrar o sul brasileiro as regiões centrais do país. Inicialmente esse papel foi exercido pelos caminhos das tropas, depois pelas ferrovias e, por fim, pelas rodovias. De acordo com o anuário estatístico do IBGE de 1939, dos 15.461 km de rodovias existentes no estado, 14.945 km eram de terra, 412 km eram de pedra britada, 97 km eram de terra melhorada, 4 km eram de asfaltadas e 2,5 km eram recobertas por cimento. Ao terminar a década de 1950 essa realidade já era bastante diferente. A partir de meados do século passado as rodovias assumiram papel preponderante para o desenvolvimento estadual.

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Os caminhos do Paraná

A abertura de estradas no Paraná confunde-se com o processo de ocupação e povoamento do seu território. Inicialmente as terras paranaenses foram cortadas por caminhos, trilhas e rotas indígenas e coloniais. No século XIX foi a vez das ferrovias, com destaque para a construção da Estrada da Graciosa (inaugurada em 1885), da Estrada de Ferro do Paraná e da Ferrovia São Paulo – Rio Grande. Durante o século XX foi a vez da ampliação e melhoria do sistema rodoviário paranaense. Desde a década de 1920, tanto o poder público estadual como o Governo Federal, passaram a investir na melhoria das estradas já existentes e na abertura de novas rodovias, como foi o caso da Estrada da Ribeira (1927) e da Estrada do Cerne (década de 1930), que cumpriram importante papel para o desenvolvimento da economia regional nas décadas iniciais do século passado.

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O material original, com mais de 170 colunas, será republicado na íntegra e sem sofrer alterações. Por isso, buscando respeitar o teor histórico das publicações, o material apresentará elementos e discussões datadas por tratarem-se de produções com mais de uma década de lançamento. Além das republicações, mais de 20 colunas inéditas serão publicadas. Completando assim 200 publicações.

Publicada originalmente no dia 17 de outubro de 2010.

Coluna assinada por Niltonci Batista Chaves. Historiador. Professor do Departamento de História da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Doutor em Educação pela Universidade Federal do Paraná.

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