Coluna Fragmentos: Os holandeses dos Campos Gerais | aRede
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Coluna Fragmentos: Os holandeses dos Campos Gerais

A coluna ‘Fragmentos’, assinada pelo historiador Niltonci Batista Chaves, publicada entre 2007 e 2011, retorna como parte do projeto '200 Vezes PG', sendo publicada diariamente entre os dias 28 de fevereiro e 15 de setembro

No dia 17 de agosto de 1975 o JM publicou matéria dando conta da presença de uma missão holandesa nos Campos Gerais
No dia 17 de agosto de 1975 o JM publicou matéria dando conta da presença de uma missão holandesa nos Campos Gerais -

João Gabriel Vieira

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Do ponto de vista étnico e cultural, a história brasileira nesses últimos cinco séculos é originalmente marcada por nossa origem indígena, pela colonização portuguesa e pela presença africana. Ao mesmo tempo, ao longo dos séculos, outros povos contribuíram para a formação da nossa brasilidade, assentada na mestiçagem e no multiculturalismo. Tal realidade tornou o Brasil um país riquíssimo em sua cultura popular, em suas variações regionais, em seus costumes, enfim, em suas cores.

A presença holandesa nessa história é bastante antiga e relevante. No século XVI, por conta da disputa pelo controle do mercado internacional do açúcar, os holandeses desembarcaram no nordeste brasileiro e se impuseram pela força, sobressaindo daí a figura de Maurício de Nassau, um nobre com formação militar que comandou o processo de tomada de boa parte daquela região pelos holandeses, concentrando suas ações em Pernambuco.

Bem mais tarde – em meados do século XIX – e inseridas em uma política imigracionista implementada pelo Império dirigido por D. Pedro II, foi a vez de família holandesas chegarem ao Brasil e aqui se organizarem em núcleos coloniais. Nesse momento, o destaque ficou por conta da colônia de Santa Leopoldina, no Espírito Santo. Porém, o isolamento geográfico, as pragas e as epidemias, as dificuldades de adaptação a nova terra e aos seus costumes e a falta de apoio financeiro por parte do governo brasileiro acabaram minando a resistência batava e levando ao esvaziamento gradativo da colônia. Enquanto alguns voltaram para a terra pátria, outros holandeses acabaram espalhados pelo nosso território.

Já na República, mas ainda incentivados por uma política oficial de imigração, novos grupos holandeses chegaram ao Brasil, mais especificamente ao Paraná. Então o mais novo estado do país (havia se emancipado de São Paulo em 1853), era urgente e necessária a ocupação efetiva do território paranaense e também a formação de um “povo” que se identificasse com a terra. Essa política de portas abertas acabou por trazer para o estado um grande número de imigrantes de diversas etnias, como os russos-alemães, poloneses, suíços, alemães, ucranianos, italianos e holandeses.

Os batavos chegaram ao Paraná no ano de 1908 e se fixaram na região de Irati, mais precisamente na colônia de Gonçalves Junior, um núcleo que reunia imigrantes de outras nacionalidades, como poloneses e alemães. Mais tarde, em razões de dificuldades semelhantes as encontradas por aqueles que se fixaram em terras capixabas no século XIX, os holandeses ali radicados decidiram partir em busca de novas oportunidades. Foi assim que, em 1911, um pequeno grupo de famílias holandesas chegou as terras da antiga fazenda Carambeí, então transformada em uma área de colonização pela concessionária da Estrada de Ferro São Paulo – Rio Grande. Assim nasceu o mais forte e significativo núcleo de colonização holandesa contemporânea no Brasil.

Voltados para a produção agropecuária e reunidos em torno de uma cooperativa, os batavos de Carambeí tornaram-se uma referência na produção de laticínios em todo o sul do Brasil. Após o final da Segunda Guerra Mundial, novos grupos de imigrantes holandeses decidiram deixar a Europa e buscaram abrigo em terras brasileiras. Como a experiência bem sucedida de Carambeí havia se popularizado e como a região dos Campos Gerais continuava se apresentando como uma opção viável para novos imigrantes chegaram ao Paraná os grupos que acabaram formando as colônias de Castrolanda e de Arapoti.

Depois disso, outros núcleos se estruturam em estados brasileiros como São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e, até mesmo, Maranhão. Atualmente, a região dos Campos Gerais se constitui no mais representativo pólo de congregação e presença dos holandeses em nosso país.

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Em Carambeí

A chegada dos holandeses aos Campos Gerais e a estruturação da colônia de Carambeí estão diretamente relacionadas a presença da Ferrovia São Paulo – Rio Grande na região, uma vez que ela necessitava suprir seus funcionários com alimentos e outros gêneros. Nesse caso, os batavos aqui se instalaram com a atribuição de produzir laticínios que seriam, prioritariamente, comercializados com os ferroviários e seus familiares.

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O material original, com mais de 170 colunas, será republicado na íntegra e sem sofrer alterações. Por isso, buscando respeitar o teor histórico das publicações, o material apresentará elementos e discussões datadas por tratarem-se de produções com mais de uma década de lançamento. Além das republicações, mais de 20 colunas inéditas serão publicadas. Completando assim 200 publicações.

Publicada originalmente no dia 04 de julho de 2010.

Coluna assinada por Niltonci Batista Chaves. Historiador. Professor do Departamento de História da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Doutor em Educação pela Universidade Federal do Paraná.

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