Coluna Fragmentos: A Associação dos Municípios dos Campos Gerais | aRede
PUBLICIDADE

Coluna Fragmentos: A Associação dos Municípios dos Campos Gerais

A coluna ‘Fragmentos’, assinada pelo historiador Niltonci Batista Chaves, publicada entre 2007 e 2011, retorna como parte do projeto '200 Vezes PG', sendo publicada diariamente entre os dias 28 de fevereiro e 15 de setembro

Destacada pelo JM em 06 de junho de 1971 a reunião de criação da Associação dos Municípios dos Campos Gerais
Destacada pelo JM em 06 de junho de 1971 a reunião de criação da Associação dos Municípios dos Campos Gerais -

João Gabriel Vieira

@Siga-me
Google Notícias facebook twitter twitter telegram whatsapp email

Epistemologicamente, Geografia e História sempre se constituíram como ciências e como campos de conhecimento que se complementaram e que produziram um diálogo profundo e permanente.

Nos dias atuais essa aproximação é ainda maior, com objetos, metodologias, abordagens e matrizes teóricas comuns, sendo inclusive, em alguns casos, difícil definir onde termina uma e onde começa outra ciência.

Mesmo assim, se alguém deseja provocar um belo confronto de ideias entre um historiador e um geógrafo basta colocá-los frente a frente e pedir para que cada um deles expresse como define a região dos Campos Gerais do Paraná.

Certamente o historiador dirá que essa região deve ser definida a partir de sua formação histórica, do tropeirismo e de uma identidade tropeira, do aparecimento dos pousos, das vilas e das cidades que nasceram vinculadas a essa atividade. Por sua vez, o geógrafo (sobretudo aquele ligado a geografia física e com base no geólogo Reinhard Maack) afirmará que os Campos Gerais estão situados no segundo planalto paranaense e se constituem como uma área fitogeográfica natural onde predominam campos e matas nas quais o pinheiro araucária é encontrado em grande quantidade. Pronto, a partir dessas definições a discussão provavelmente será rica e colocará em evidência as diversas possibilidades dessa definição regional.

Além disso, também é possível falar em Campos Gerais a partir de um conjunto de municípios que possuem interesses econômicos e sociopolíticos comuns e que fogem tanto da origem tropeira quanto dos limites geográficos. Desta forma, nota-se que nossa região possui uma particularidade que a torna ainda mais rica: ela pode ser definida e pensada a partir de vários princípios e perspectivas.

Percebendo a necessidade de contar com uma instância de representação regional, em 1971 vários municípios reuniram-se para a criação da Associação dos Municípios dos Campos Gerais. Nesse processo teve importante participação o engenheiro Cyro Martins, então prefeito de Ponta Grossa e também presidente da Associação dos Municípios dos Paraná. O encontro que formalizou a criação da AMCG ocorreu em Ponta Grossa, nas dependências da antiga prefeitura de nossa cidade, localizada na rua Dr. Colares onde atualmente funciona o Banco Itaú.

Desta primeira reunião fizeram parte, além de Cyro Martins, os prefeitos de Cândido de Abreu, Reserva, Telêmaco Borba, Tibagi, Ivaí, Ipiranga, Piraí do Sul, Castro, Palmeira, Cerro Azul, Adrianópolis, Sengés, Jaguariaíva, Teixeira Soares, Arapoti, Ortigueira e Imbituva. Atualmente, dezenove municípios integram a Associação que é dirigida, desde o março deste ano, pelo prefeito de Tibagi, Sinval Silva.

Desde a sua criação, é inegável o trabalho desenvolvido pela AMCG no sentido de fortalecer a região não só no seu aspecto político, mas também no que respeita ao seu desenvolvimento econômico, social e cultural. 

Reinhard Maack

Nascido na Alemanha no final do século XIX, o geólogo e naturalista Reinhard Maack chegou ao Brasil no ano de 1923. Contratado por uma mineradora, iniciou uma expedição pioneira pelo interior do Paraná, produzindo um extenso e pormenorizado relato de tudo o que encontrou: fauna, flora e tipos humanos. Na década de 1940, Maack tornou-se o primeiro “homem branco” a estabelecer contato com os Xetás, grupo de origem guarani que habitava o Paraná e que foi praticamente extinto no processo de expansão e ocupação do território estadual. Ainda na década de 1940, Maack tornou-se professor da Universidade Federal do Paraná e foi contratado como geólogo do Museu Paranaense. Apesar de bastante influenciado pelas correntes teóricas conservadoras do século XIX, contribuiu decisivamente para o conhecimento de nosso estado, deixando publicados centenas de textos científicos sobre o território paranaense. Reinhard Maack faleceu em Curitiba, no ano de 1969, aos 77 anos de idade.

.

O material original, com mais de 170 colunas, será republicado na íntegra e sem sofrer alterações. Por isso, buscando respeitar o teor histórico das publicações, o material apresentará elementos e discussões datadas por tratarem-se de produções com mais de uma década de lançamento. Além das republicações, mais de 20 colunas inéditas serão publicadas. Completando assim 200 publicações.

Publicada originalmente no dia 23 de maio de 2010.

Coluna assinada por Niltonci Batista Chaves. Historiador. Professor do Departamento de História da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Doutor em Educação pela Universidade Federal do Paraná.

PUBLICIDADE

Conteúdo de marca

Quero divulgar right