Coluna Fragmentos: O cooperativismo brasileiro
A coluna ‘Fragmentos’, assinada pelo historiador Niltonci Batista Chaves, publicada entre 2007 e 2011, retorna como parte do projeto '200 Vezes PG', sendo publicada diariamente entre os dias 28 de fevereiro e 15 de setembro

Em 1945, ano em que teve fim a II Guerra Mundial, a realidade socioeconômica internacional era bastante delicada. A hedionda herança deixada por aquele conflito atingiu proporções mundiais: milhões de pessoas morreram diretamente em decorrência da Guerra em, pelo menos, quatro continentes; o desequilíbrio causado pela morte de um grande número de homens em idade produtiva fez com que a capacidade econômica da Europa caísse drasticamente; o continente europeu teve que receber grande apoio financeiro dos Estados Unidos (via Plano Marshall) para poder se reorganizar; e, finalmente, o mundo passou a conviver com a polarização político-ideológica entre capitalismo e comunismo.
Nesse cenário de reconstrução mundial surgiu a Organização das Nações Unidas (ONU) tendo como objetivos mediar situações de tensão e propiciar um diálogo permanente entre países e, assim, evitar novos conflitos; contribuir na recuperação dos países afetados pela II Guerra e desenvolver projetos e programas voltados para a redução da pobreza, da violência, para a valorização da vida e para o respeito aos direitos básicos próprios a toda humanidade.
A partir de sua criação, a ONU integrou em sua estrutura diversas organizações e instituições que contribuíssem com tais princípios. Nesse sentido, em 1946, a Aliança Cooperativa Internacional (ACI) tornou-se uma das primeiras Organizações Não Governamentais a integrar o Conselho da ONU.
Devido a existência de um grande número de cooperativas na Europa, a ACI foi criada no final do século XIX com a finalidade de reunir e assessorar essas organizações. Ao que tudo indica, a primeira cooperativa européia surgiu em 1844, quando um pequeno grupo de tecelões da cidade inglesa de Manchester se associou para tentar fugir da excessiva exploração fabril da época. Esses trabalhadores fundaram a Sociedade dos Probos e Pioneiros de Rochdale (o maior bairro operário da cidade) e foram tão bem sucedidos que uma década depois já possuíam cerca de 1400 associados. O sucesso desse modelo de organização inspirou outros trabalhadores europeus que passaram a formar novas cooperativas até que, em 1895, nasceu a Aliança Cooperativa Internacional.
No caso brasileiro, existem diversas versões a respeito da primazia de nossas cooperativas. As interpretações mais radicais falam da existência de formas de trabalho cooperativo ainda no período colonial, no entanto não há registro de uma institucionalização desse modelo. No século XIX é possível encontrar várias informações quanto a existência de práticas cooperativas. Por exemplo, foi nesse século que surgiu – no Rio de Janeiro – o Movimento Cooperativista Brasileiro e que o médico francês Jean Maurice Faivre chegou ao Paraná liderando um grupo de trabalhadores europeus e organizando uma sociedade estruturada em bases cooperativas. Contudo, a primeira organização oficial de uma cooperativa em nosso estado ocorreu na região dos Campos Gerais e foi promovida pelos holandeses da colônia de Carambeí.
No começo do século XX, diversas experiências estruturadas no cooperativismo foram desenvolvidas em São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Ao longo desse século, as cooperativas multiplicaram-se pelo país até que, em 1969, foi criada a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e, em 1998, nasceu o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop).
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O material original, com mais de 170 colunas, será republicado na íntegra e sem sofrer alterações. Por isso, buscando respeitar o teor histórico das publicações, o material apresentará elementos e discussões datadas por tratarem-se de produções com mais de uma década de lançamento. Além das republicações, mais de 20 colunas inéditas serão publicadas. Completando assim 200 publicações.
Publicada originalmente no dia 07 de março de 2010.
Coluna assinada por Niltonci Batista Chaves. Historiador. Professor do Departamento de História da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Doutor em Educação pela Universidade Federal do Paraná.





















