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Coluna Fragmentos: Os Encontros Médicos em Ponta Grossa

A coluna ‘Fragmentos’, assinada pelo historiador Niltonci Batista Chaves, publicada entre 2007 e 2011, retorna como parte do projeto '200 Vezes PG', sendo publicada diariamente entre os dias 28 de fevereiro e 15 de setembro

Em 24 de maio de 1969 o JM noticiou o Encontro de Médicos Peritos e Coordenadores de Assistência Social do Paraná, realizado pela Associação Médica de Ponta Grossa
Em 24 de maio de 1969 o JM noticiou o Encontro de Médicos Peritos e Coordenadores de Assistência Social do Paraná, realizado pela Associação Médica de Ponta Grossa -

João Gabriel Vieira

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O ano de 1930 marcou, para o Brasil, um momento de mudanças profundas. A chegada de Getulio Vargas ao poder correspondeu ao final do período que os historiadores denominam de Primeira República e ao início da chamada “Era Vargas”. Mais do que uma questão de nomenclatura, a partir desse momento ocorreram alterações significativas nos modelos político e econômico, na estrutura social e no campo cultural brasileiro.

O Estado varguista passou a controlar as classes profissionais/trabalhadoras, fazendo surgir os partidos e sindicatos ditos “pelegos” (controlados pelo Estado). A institucionalização das diversas categorias profissionais tornou-se uma exigência do recém-criado Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio e assim nasceram entidades de classe que serviram, num primeiro momento, para organizar, normatizar e disciplinar trabalhadores de todos os níveis e setores.

Em Ponta Grossa, a criação da Sociedade Médica Pontagrossense, em 18 de agosto de 1931, exemplifica o processo que então se iniciou em nível nacional. Essa instituição, em 1951, quando o país já vivia outro contexto histórico, passou a se denominar Associação Médica de Ponta Grossa, congregando – profissional, técnica e academicamente – a grande maioria dos esculápios que atuavam na cidade. Nos meados do século XX, a medicina vivenciou profundas mudanças provocadas pela descoberta e popularização de novas drogas, pelo aparecimento de novas técnicas cirúrgicas e de novas terapias, e, principalmente, pelo avanço das especializações médicas.

Porém, as especializações exigiam estudos e atualizações constantes em um momento em que os meios de comunicação e a transmissão dos conhecimentos – comparados aos dias atuais – ainda eram consideravelmente limitados. Desta forma, ou os médicos princesinos passaram a se deslocar para outros centros – como Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro – em busca de informações e aprimoramentos.

A partir da década de 1960, com o crescimento populacional e também com o aumento do número de médicos na cidade, a Associação Médica de Ponta Grossa decidiu investir de forma mais incisiva na qualificação de seus associados. Assumindo o seu papel de instituição que congregava oficialmente o corpo de médicos locais, a Associação passou a promover periodicamente Encontros, Simpósios, Jornadas e Congressos como, por exemplo, o Encontro de Médicos e Peritos de Assistência Social. Realizado em meados de 1969, esse evento teve abrangência estadual e teve por objetivo ampliar “o entrosamento e aperfeiçoamento das normas técnicas dentro da perícia médica” (JM, 24/05/69) e trouxe à cidade o superintendente regional do Insituto Nacional de Previdência Social, um representante da Central do Instituto de Assistência Social do Rio de Janeiro, além do sub-coordenador da perícia médica do estado do Paraná.

Desde então, eventos dessa natureza, promovidos pela Associação Médica de Ponta Grossa, tornaram-se cada vez mais comuns, constituindo-se em uma das tradições mais valorizadas na instituição. Com isso, é possível afirmar que a Associação, além de cumprir o seu papel de entidade de classe, atuou socialmente, qualificando os médicos para atender a população de Ponta Grossa e dos Campos Gerais.

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O material original, com mais de 170 colunas, será republicado na íntegra e sem sofrer alterações. Por isso, buscando respeitar o teor histórico das publicações, o material apresentará elementos e discussões datadas por tratarem-se de produções com mais de uma década de lançamento. Além das republicações, mais de 20 colunas inéditas serão publicadas. Completando assim 200 publicações.

Publicada originalmente no dia 14 de fevereiro de 2010.

Coluna assinada por Niltonci Batista Chaves. Historiador. Professor do Departamento de História da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Doutor em Educação pela Universidade Federal do Paraná.

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