Coluna Fragmentos: O Ginásio São Sebastião e o ensino católico em PG
A coluna ‘Fragmentos’, assinada pelo historiador Niltonci Batista Chaves, publicada entre 2007 e 2011, retorna como parte do projeto '200 Vezes PG', sendo publicada diariamente entre os dias 28 de fevereiro e 15 de setembro

A sociedade ocidental contemporânea está assentada sob três revoluções que ocorreram – praticamente – de forma simultânea no século XVIII: a industrial, a político-democrática e a educacional.
Foi a partir dessas revoluções que se estruturaram os sistemas econômicos, políticos e socioculturais que norteiam as práticas, sentidos e valores presentes na contemporaneidade.
No caso do Brasil, país periférico no capitalismo, é possível afirmar que só entramos tardiamente no circuito promovido por tais revoluções, uma vez que nossa industrialização só teve início nas décadas iniciais do século passado, nossa estabilidade política e nossa liberdade democrática se configuram em episódios recentes e a perspectiva de uma educação ampla, popular e humanista foi lentamente construída ao longo dos Novecentos.
Em se tratando especificamente do sistema educacional brasileiro, ele se estruturou desde os primórdios da chegada portuguesa na colônia, porém, suas diretrizes não apontam para a massificação do ensino. Controlada pelos jesuítas, a educação colonial foi herdeira da cultura portuguesa, espalhando-se por todo o território, dirigindo-se para a elite colonial e exclusivamente católica. Com relação aos indígenas, colonos pobres e negros libertos, os jesuítas preocuparam-se mais com a catequização do que, propriamente, com a educação. Naquele modelo de sociedade, era mais necessário ensinar a esses segmentos a resignação e a obediência do que a alfabetização. Infelizmente, o ensino católico colonial prestou-se a esse serviço.
A hegemonia da educação católica no Brasil colonial foi rompida em meados do século XVIII, quando o Marquês de Pombal, então Primeiro Ministro português, influenciado pela visão iluminista e leiga, expulsou os jesuítas da colônia, deixando-a órfã de uma política e de um sistema educacional estruturados.
A principal contribuição desses religiosos, no que respeita a educação colonial, parece ter sido a transmissão de uma educação homogênea a partir da disseminação e fortalecimento de um idioma único, de uma só religião e da mesma visão de mundo, contribuindo assim, decisivamente, para o nascimento de uma – frágil – idéia de unidade e para a formação de uma identidade “nacional”.
Durante o Império é possível observar algumas mudanças consideráveis no sistema educacional brasileiro. Desde a chegada da Família Real na colônia, em 1808, o Brasil passou a experimentar um período de efervescência cultural e educacional. Foi a partir do século XIX que foram criadas a Biblioteca Nacional, as primeiras Faculdades de Medicina e Direito, a Imprensa Régia, etc. Essa realidade estimulou o aparecimento de novas escolas leigas e católicas no país ao longo daquele século.
Com o advento da República a Igreja perdeu espaço institucional. No campo educacional, passou então a imperar uma visão eminentemente leiga e científica. Como resposta, a Igreja Católica investiu na abertura de escolas católicas em todo país, com o intuito de evitar a perda de alunos e, consequentemente, de fiéis.
No caso de Ponta Grossa, tal reação católica teve início com a inauguração do Colégio Sant´Ana. No começo de 1905, três religiosas Servas do Espírito Santo – irmã Dionysia, irmã Suitberta e irmã Regina – deixaram Juiz de Fora (MG) e vieram para o interior do Paraná com a missão de abrir uma escola, o que fizeram naquele mesmo ano, dando início a história do ensino católico em nossa cidade.
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O material original, com mais de 170 colunas, será republicado na íntegra e sem sofrer alterações. Por isso, buscando respeitar o teor histórico das publicações, o material apresentará elementos e discussões datadas por tratarem-se de produções com mais de uma década de lançamento. Além das republicações, mais de 20 colunas inéditas serão publicadas. Completando assim 200 publicações.
Publicada originalmente no dia 07 de fevereiro de 2010.
Coluna assinada por Niltonci Batista Chaves. Historiador. Professor do Departamento de História da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Doutor em Educação pela Universidade Federal do Paraná.





















