Coluna Fragmentos: Os euclidianos ponta-grossenses | aRede
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Coluna Fragmentos: Os euclidianos ponta-grossenses

A coluna ‘Fragmentos’, assinada pelo historiador Niltonci Batista Chaves, publicada entre 2007 e 2011, retorna como parte do projeto '200 Vezes PG', sendo publicada diariamente entre os dias 28 de fevereiro e 15 de setembro

Na década de 1950, o Centro Cultural Euclides da Cunha publicava uma coluna semanal no JM. Neste caso, a publicação data de 08 de junho de 1957
Na década de 1950, o Centro Cultural Euclides da Cunha publicava uma coluna semanal no JM. Neste caso, a publicação data de 08 de junho de 1957 -

João Gabriel Vieira

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No final do século XIX o escritor Euclides da Cunha foi contratado pelo jornal O Estado de São Paulo para acompanhar as batalhas travadas entre o Exército brasileiro e os camponeses de Canudos. Mesmo tendo chegado ao local do conflito já no final dos combates, Euclides percebeu que estava diante de um evento histórico de grandes proporções. A luta pela terra, o poder dos latifundiários, a exclusão social e o preconceito contra os negros, mestiços e indígenas que seguiam o beato Antonio Conselheiro, levaram ao extermínio de cerca de 5.000 sertanejos.

Estarrecido com o cenário de destruição e de morte que tomou conta do sertão baiano, Euclides da Cunha, defensor extremado do republicanismo e do nacionalismo, decidiu narrar os episódios da guerra de Canudos. Após o final da luta, o escritor dirigiu-se para a cidade de São José do Rio Pardo, no interior de São Paulo, onde, depois de intenso trabalho, concluiu – em 1902 – Os Sertões, um dos maiores clássicos da literatura brasileira. Em 1909, o já renomado Euclides da Cunha, então morando no Rio de Janeiro, morreu ao duelar com Dilermando de Assis, amante de sua esposa (Anna Emília Ribeiro).

A morte de Euclides provocou uma comoção nacional. Sua importância para a literatura e sua condição de um dos principais intelectuais brasileiros do início do século XX, motivou uma série de manifestações entre grupos políticos, filosóficos e artísticos em todo país. Em virtude dessa mobilização, nasceu um movimento cujo principal objetivo era o de manter vivo em toda a sociedade e, em especial, nos círculos intelectuais, os valores, princípios e bandeiras defendidas pelo autor de Os Sertões. Assim nasceu o euclidianismo!

Em 1912, tendo como local a cidade de São José do Rio Pardo, realizou-se a primeira Semana Euclidiana, marco oficial de nascimento do euclidianismo no Brasil. Ao longo do século XX, o país acompanhou a expansão desse movimento por meio da realização de Semanas e palestras, através da criação de Centros Culturais e de eventos variados que tinham como principal objetivo manter viva, no imaginário coletivo, a figura de Euclides da Cunha.

Foi dentro desse espírito euclidiano que um grupo de intelectuais ponta-grossenses, capitaneados pelo professor Faris Michaele, fundou na cidade, no ano de 1948, o Centro Cultural Euclides da Cunha.

O Centro era uma sociedade civil que congregava intelectuais locais preocupados em refletir principalmente sobre literatura, sociologia, filosofia, história, artes e ciências. Entre seus membros estavam intelectuais de formações e tendências diferentes, como: Plácido Cardon, Antonio Armando Aguiar, Ricardo Borell du Vernay, Dino Colli, Daily Luiz Wambier, Egdar Zanoni, Nivon Weigert, Clyceu Macedo, Rolando Guzzoni, Álvaro Augusto Cunha Rocha, Lourival Santos Lima, Silvio Zan, Robert Bowles etc.

De tendência acentuadamente nacionalista, o Centro congregou intelectuais que, em sua maioria, alinhavam-se a uma concepção positivista e cientificista e que consideravam a cultura e o saber como a produção mais elevada do espírito humano.

Tanto o professor Faris, como os demais membros do Centro, se enquadram na categoria que o sociólogo Luiz Rodolfo Vilhena classifica como intelectuais de província, ou seja: intelectuais do interior, polivalentes, que exerciam múltiplas atividades. Muitas vezes são autodidatas, portadores de uma cultura erudita e tendo como principal interesse discutir questões relativas à nação e ao povo brasileiro. O professor Faris presidiu o Centro Cultural desde a sua fundação até o seu falecimento, em 1977.

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O material original, com mais de 170 colunas, será republicado na íntegra e sem sofrer alterações. Por isso, buscando respeitar o teor histórico das publicações, o material apresentará elementos e discussões datadas por tratarem-se de produções com mais de uma década de lançamento. Além das republicações, mais de 20 colunas inéditas serão publicadas. Completando assim 200 publicações.

Publicada originalmente no dia 29 de novembro de 2009.

Coluna assinada por Niltonci Batista Chaves. Historiador. Professor do Departamento de História da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Doutor em Educação pela Universidade Federal do Paraná.

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