Coluna Fragmentos: O plural de “omnis” | aRede
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Coluna Fragmentos: O plural de “omnis”

A coluna ‘Fragmentos’, assinada pelo historiador Niltonci Batista Chaves, publicada entre 2007 e 2011, retorna como parte do projeto '200 Vezes PG', sendo publicada diariamente entre os dias 28 de fevereiro e 15 de setembro

Sob a “chancela” da Casa Romano, um dos mais tradicionais estabelecimentos comerciais ponta-grossenses do século XX, o JM de 16 de outubro de 1956 publicou uma notícia a respeito da “greve dos ônibus” no Rio de Janeiro
Sob a “chancela” da Casa Romano, um dos mais tradicionais estabelecimentos comerciais ponta-grossenses do século XX, o JM de 16 de outubro de 1956 publicou uma notícia a respeito da “greve dos ônibus” no Rio de Janeiro -

João Gabriel Vieira

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Juntamente com educação, saúde e segurança, a questão do transporte coletivo urbano atualmente ocupa espaço central na agenda dos gestores públicos não só no Brasil. Como as populações mundiais tendem a se concentrar cada vez mais nas áreas urbanas, tais questões tornam-se mais complexas, dispendiosas e emergenciais.

Diferente do que aconteceu em diversos países europeus, asiáticos e até mesmo americanos, o fenômeno da urbanização no Brasil é relativamente recente. Em nosso país, foi somente em fins da década de 1960 que a população urbana superou – em números absolutos – a rural. Isso, de certa forma retardou o planejamento e os investimentos do poder público em setores estruturais como o transporte coletivo urbano, o que contribuiu para a ocorrência ou ampliação de problemas nesse campo.

Registros históricos dão conta que, em nosso país, durante os períodos colonial e imperial existiam carruagens, liteiras, cabriolés e tilburis de aluguel destinados ao transporte de pessoas nos povoados, vilas e cidades de maior porte. Ao longo do século XIX as principais cidades do Império começaram a contar com os primeiros meios de transporte coletivo. Por exemplo: em Porto Alegre, em 1865, uma carruagem colocada sobre trilhos e puxada por muares passou a transportar passageiros na área central da cidade. No caso do Paraná, foi na capital, Curitiba, que os primeiros bondes puxados por tração animal com finalidade de transportar pessoas surgiram. Isso foi em 1887.

Contudo, foi no Rio de Janeiro, capital do Império, que, ao que tudo indica, surgiu o que se pode denominar de um sistema de transporte coletivo urbano no Brasil. Maior e mais moderna cidade brasileira dos Novecentos, em 1837 o Rio passou a contar com uma grande carruagem que circulava regularmente entre o centro da cidade e seus bairros mais nobres. Cerca de três décadas depois, em 1868, foi instalada na cidade uma frota de bondes (ainda puxados por tração animal), até que, em 1908, veio a grande inovação: os veículos movidos a gasolina trazidos diretamente de Paris, considerada a capital cultural mundial daquele período. Ao final da década de 1920, o Rio de Janeiro já possuía quatro empresas de ônibus, as quais atendiam seis linhas urbanas.

Já nas décadas finais do século XX, todas as cidades brasileiras de médio e grande porte passaram a buscar meios de atender as demandas relacionadas ao transporte coletivo urbano. Desta forma, surgiram os ônibus articulados, trens, metrôs, lotações e os sistemas integrados de transporte. Mesmo assim, a implantação de sistemas eficientes de transporte coletivo passou a depender de um enorme investimento em infra-estrutura por parte dos poderes públicos. Por outro lado, sobretudo no que se relaciona aos ônibus, o que se viu foi o predomínio de grandes empresas que passaram a monopolizar os serviços e negociar o seu controle nas cidades em que atuam.

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O material original, com mais de 170 colunas, será republicado na íntegra e sem sofrer alterações. Por isso, buscando respeitar o teor histórico das publicações, o material apresentará elementos e discussões datadas por tratarem-se de produções com mais de uma década de lançamento. Além das republicações, mais de 20 colunas inéditas serão publicadas. Completando assim 200 publicações.

Publicada originalmente no dia 08 de novembro de 2009.

Coluna assinada por Niltonci Batista Chaves. Historiador. Professor do Departamento de História da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Doutor em Educação pela Universidade Federal do Paraná.

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