Coluna Fragmentos: A educação a distância
A coluna ‘Fragmentos’, assinada pelo historiador Niltonci Batista Chaves, publicada entre 2007 e 2011, retorna como parte do projeto '200 Vezes PG', sendo publicada diariamente entre os dias 28 de fevereiro e 15 de setembro

Qualquer criança que comprasse um simples gibi no Brasil das décadas de 1970 e 80 já sabia de antemão que, ao folhear as páginas das ingênuas histórias em quadrinhos daquela época, encontraria pelo meio do caminho um anúncio do Instituto Universal Brasileiro, uma organização criada em 1941 com a missão de contribuir principalmente para a formação de mão-de-obra qualificada no país que, em meados do século passado, vivia uma fase de urbanização e industrialização intensas.
Os cursos então oferecidos pelo IUB refletiam a necessidade do Brasil em formar técnicos em eletrônica, datilógrafos, contabilistas, secretárias etc. Tais cursos eram direcionados aos brasileiros de todas as partes – do interior da Amazônia ao pampa gaúcho – e a modalidade adotada para atingir tal fim era o que chamaríamos atualmente de educação a distância, porém os recursos usados eram bastante diferentes dos utilizados nos dias de hoje. Naqueles tempos eram empregados manuais e os livros didáticos enviados pelos Correios, aos quais se somavam programas radiofônicos e, mais tarde, televisivos.
Ao final dos cursos, os alunos recebiam um diploma do Instituto Universal Brasileiro, o qual, assim como fazem atualmente muitas pessoas que possuem um diploma universitário, acabava pendurado na parede da sala da casa como sinônimo de qualificação e de orgulho de seu portador.
Desta forma, o IUB tornou-se, em nosso país, um dos precursores da educação a distância. No caso brasileiro, essa forma de ensino ganhou impulso a partir da década de 1930, com a criação do Ministério da Educação e Saúde Pública (1931) e do Instituto Rádio Monitor (1939). Outro fator determinante nesse período foi a expansão do número de emissoras e de aparelhos de rádio por todo país, sendo esse o primeiro veículo de comunicação de massas a ser utilizado para atingir e “educar” as populações espalhadas por todo território nacional.
Dos meados do século XX até os dias atuais, os avanços tecnológicos alteraram a forma de vida das sociedades contemporâneas e provocaram mudanças profundas na capacidade dos meios de comunicação de massas atingirem as pessoas e, principalmente, interagir com elas. Tal cenário também teve reflexo sobre a educação a distância.
Se – até a década final dos Novecentos – a educação a distância dependia das cartas e livros enviados pelos Correios, das transmissões de rádio ou de TV baseadas na unilateralidade da informação e na limitação do aluno a condição de ouvinte passivo, nos dias atuais o cenário é bastante diferente. Hoje, com a utilização de novas mídias – principalmente a internet – é possível estabelecer um diálogo permanente entre professores e alunos, sendo que estes podem permanentemente questionar, debater e discordar do ponto de vista de quem transmite a informação.
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O material original, com mais de 170 colunas, será republicado na íntegra e sem sofrer alterações. Por isso, buscando respeitar o teor histórico das publicações, o material apresentará elementos e discussões datadas por tratarem-se de produções com mais de uma década de lançamento. Além das republicações, mais de 20 colunas inéditas serão publicadas. Completando assim 200 publicações.
Publicada originalmente no dia 01 de novembro de 2009.
Coluna assinada por Niltonci Batista Chaves. Historiador. Professor do Departamento de História da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Doutor em Educação pela Universidade Federal do Paraná.





















