Coluna Fragmentos: Os Campos Gerais batavos | aRede
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Coluna Fragmentos: Os Campos Gerais batavos

A coluna ‘Fragmentos’, assinada pelo historiador Niltonci Batista Chaves, publicada entre 2007 e 2011, retorna como parte do projeto '200 Vezes PG', sendo publicada diariamente entre os dias 28 de fevereiro e 15 de setembro

Em 16 de outubro de 1956 o JM destacou a visita de uma delegação de Carambeí ao governador do Paraná Moisés Lupion
Em 16 de outubro de 1956 o JM destacou a visita de uma delegação de Carambeí ao governador do Paraná Moisés Lupion -

João Gabriel Vieira

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O Paraná, assim como o Brasil, tem na mistura étnica e na multiplicidade cultural uma de suas mais fortes e ricas características. Na região dos Campos Gerais (além dos descendentes diretos de índigenas, negros e portugueses) encontram-se poloneses, russo-alemães, italianos, japoneses, coreanos, sírio-libaneses, ucranianos, entre outros grupos que (seja por sua expressão numérica e/ou por sua contribuição na formação socioeconômica e cultural regional) desde a sua chegada em solo paranaense prestaram imensa colaboração para o desenvolvimento do nosso estado.

Nesse contexto, a presença holandesa em nossa região merece destaque especial. Tudo começou em 1911, quando um grupo de famílias batavas chegou aos Campos Gerais e se fixou nas cercanias da Fazenda Carambhey, próximo as terras da ferrovia São Paulo – Rio Grande, administrada pela Brazil Railway Company. Formava-se, a partir de então, o embrião do que, décadas mais tarde, viria a ser o atual município de Carambeí. Motivados pelos resultados obtidos pelos pioneiros, outras famílias holandesas decidiram imigrar para o Brasil, reforçando a presença desse grupo na região.

Nas décadas de 1950 e 1960, em duas novas ondas imigratórias, chegaram outras famílias holandesas que, respectivamente, fundaram a colônia de Castrolanda e se fixaram na cidade de Arapoti.

Esses três núcleos que marcam a presença holandesa nos Campos Gerais (Carambeí, Castrolanda e Arapoti) se caracterizam por práticas bastante típicas. Do ponto de vista identitário e cultural os holandeses adotaram uma política de preservação e valorização de suas raízes e daquilo que construíram em solo brasileiro. Quanto a questão econômica o grupo dedicou-se as atividades agrícolas e pecuárias, destacando-se a partir de dois elementos fundamentais: o permanente investimento em tecnologia e a formação de cooperativas.

O cooperativismo chegou ao Paraná no século XIX, trazido por Jean Maurice Faivre, médico francês que em meados dos Oitocentos fundou a colônia Tereza Cristina e ali estabeleceu um sistema de produção cooperativa. Porém, foi a partir da Cooperativa Hollandesa de Laticínios (mais tarde Cooperativa Batavo), implantada pelos pioneiros holandeses de Carambeí, que essa forma de produção baseada no associativismo de seus integrantes obteve sucesso em nosso estado.

Na véspera de completar um século em solo paranaense os núcleos holandeses presentes nos Campos Gerais, a partir de Carambeí, preparam-se para uma comemoração que ultrapassa a dimensão de uma grande festa voltada para a exaltação exclusiva do grupo. O projeto da construção do Parque Histórico de Carambeí, anunciado recentemente, demonstra a percepção dos holandeses quanto a importância da valorização da região na qual se encontram, da troca cultural com os outros grupos que compõem esse espaço e da percepção de que só é possível pensar em desenvolvimento a partir da conjugação de esforços e não apenas da glorificação de um grupo específico. Mais uma vez, assim como fizeram no início do século passado, os holandeses dos Campos Gerais tornam a fazer história e se projetam como pioneiros de um novo tempo!

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O material original, com mais de 170 colunas, será republicado na íntegra e sem sofrer alterações. Por isso, buscando respeitar o teor histórico das publicações, o material apresentará elementos e discussões datadas por tratarem-se de produções com mais de uma década de lançamento. Além das republicações, mais de 20 colunas inéditas serão publicadas. Completando assim 200 publicações.

Publicada originalmente no dia 11 de outubro de 2009.

Coluna assinada por Niltonci Batista Chaves. Historiador. Professor do Departamento de História da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Doutor em Educação pela Universidade Federal do Paraná.

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