Coluna Fragmentos: A “Aliança para o Progresso” | aRede
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Coluna Fragmentos: A “Aliança para o Progresso”

A coluna ‘Fragmentos’, assinada pelo historiador Niltonci Batista Chaves, publicada entre 2007 e 2011, retorna como parte do projeto '200 Vezes PG', sendo publicada diariamente entre os dias 28 de fevereiro e 15 de setembro

Notícia a respeito da Aliança para as Américas, publicada no JM em 03 de agosto de 1962
Notícia a respeito da Aliança para as Américas, publicada no JM em 03 de agosto de 1962 -

João Gabriel Vieira

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O início da década de 1960 foi marcado por um contexto bastante particular: o mundo, geopoliticamente dividido entre capitalistas e comunistas, vivia os dias da Guerra Fria; os movimentos pacifistas, negros, feministas e de estudantes ganhavam força; a partir da França, Jean Paul Sartre se encarregava de disseminar pelo mundo sua ideia do engajamento de artistas e intelectuais nas causas humanitárias e políticas; no Brasil, a euforia pela conquista da Copa de 1958 e a expectativa pelo bi-campeonato contribuía para diminuir as tensões sociais no país; no leste europeu a União Soviética se impunha como modelo a ser seguido pelos países da “Cortina de Ferro”; em Cuba, a revolução liderada por Fidel Castro e Che-Guevara começava a incomodar os Estados Unidos e fazia crescer naquele país o sentimento da necessidade de adotar medidas contra o avanço do comunismo no continente.

Foi assim que, logo após chegar ao poder, o presidente John Fitzgerald Kennedy, assessorado por um grupo de intelectuais e diplomatas, decidiu criar a “Aliança para o Progresso”, um programa de ações que tinham como objetivo principal, impedir que a chama revolucionária iniciada pelos cubanos atingisse as Américas. Diferentemente das práticas habituais de repressão política adotadas pela maioria dos presidentes norte-americanos que o antecederam, Kennedy optou por ações mais sutis como forma de manter o controle político continental.

Oficialmente a “Aliança para o Progresso” foi criada no Encontro do Conselho Econômico e Social Interamericano, realizado no Uruguai em agosto de 1961, e sua justificativa era a de contribuir com a aceleração do desenvolvimento econômico latino americano. Não há como se desconsiderar uma clara relação entre a revolução cubana de 1959 e a criação da Aliança. A possibilidade de expansão de processos revolucionários marxistas pelas Américas preocupou seriamente os Estados Unidos, país que sempre controlou política, ideológica e economicamente essa região.

A proposta da “Aliança para o Progresso” era a de garantir o avanço de reformas e programas de desenvolvimento socioeconômico nos países da América Latina. Originalmente, a idéia se pautou na valorização dos movimentos e governos de tendências mais populares para que estes não se sentissem seduzidos pela perspectiva revolucionária cubana.

Porém, com o assassinato de John Kennedy, em novembro de 1963, é possível afirmar que o projeto original da “Aliança” seguiu um caminho diferente. Ao invés de valorizar os movimentos e governos populares e de incentivar reformas sociais na América Latina, os Estados Unidos acabaram por favorecer e, até mesmo, apoiar o ciclo das ditaduras militares que se implantaram no continente. 

A “Aliança para o Progresso” perdeu força a partir de 1966, quando os Estados Unidos passaram a se preocupar e a investir a maior parte dos seus recursos na Guerra do Vietnã. Com o estabelecimento de ditaduras visceralmente alinhadas aos princípios político-ideológicos norte-americanos e com a consequente eliminação dos eminentes riscos de avanço do comunismo nas Américas, a manutenção da ajuda financeira ao continente tornou-se desnecessária. Desta forma, em 1973, a Organização dos Estados Americanos decidiu extinguir o conselho que fora criado para implantar e gerenciar a “Aliança para o Progresso”.

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O material original, com mais de 170 colunas, será republicado na íntegra e sem sofrer alterações. Por isso, buscando respeitar o teor histórico das publicações, o material apresentará elementos e discussões datadas por tratarem-se de produções com mais de uma década de lançamento. Além das republicações, mais de 20 colunas inéditas serão publicadas. Completando assim 200 publicações.

Publicada originalmente no dia 27 de setembro de 2009.

Coluna assinada por Niltonci Batista Chaves. Historiador. Professor do Departamento de História da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Doutor em Educação pela Universidade Federal do Paraná.

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