Coluna Fragmentos: Um “camisa-verde” ponta-grossense
A coluna ‘Fragmentos’, assinada pelo historiador Niltonci Batista Chaves, publicada entre 2007 e 2011, retorna como parte do projeto '200 Vezes PG', sendo publicada diariamente entre os dias 28 de fevereiro e 15 de setembro

No início do século XX, Ponta Grossa podia ser classificada como uma cidade eclética, na qual, núcleos e projetos filosóficos e políticos de diferentes tendências conviviam e disputavam espaços.
Desde centros anticlericais e livre pensadores, círculos socialistas, grupos anarquistas, até grupos maçônicos, ligas católicas, uniões espíritas eram encontrados em Ponta Grossa entre as décadas de 1900 e 1930.
Com o passar do tempo, porém, as propostas mais liberais ou progressistas minguaram e prevaleceram na cidade os projetos mais conservadores, expressando as idéias próprias do modelo sociopolítico fundador dos Campos Gerais, traduzidas de forma singular na expressão “Ponta Grossa tem dono”, explicitada “DEMocraticamente” (desculpem, não resisti ao trocadilho infame) em meados da década de 1990 no decorrer de uma acirrada disputa pela prefeitura local.
Em 1932, Plínio Salgado – um jovem escritor paulista ligado ao grupo ultranacionalista do modernismo e influenciado pelo pensamento católico conservador então em voga no país – criou um movimento político e social denominado Integralismo.
Inspirado em projetos radicais de direita (como os adotados por Francisco Franco na Espanha, Antonio Salazar em Portugal e Benito Mussolini na Itália), mas ao mesmo tempo constituído a partir da realidade sociocultural brasileira, o Integralismo defendia o estabelecimento de um Estado forte e estruturado em torno da figura de um grande líder. Para Plínio e seus seguidores a democracia enfraquecia as sociedades e, em função disso, deveria ser rejeitada como modelo de constituição social.
Fundamentado na defesa dos princípios de ordem, hierarquia e autoridade, os integralistas adotaram uma estratégia discursiva que ressaltava a necessidade de valorização da família, o respeito a Deus acima de todas as coisas e o combate intransigente ao comunismo ateu, o que contribuiu decisivamente para tornar o projeto integralista popular. Apesar de contar com pessoas de diversas classes sociais, foi entre as classes médias urbanas que o movimento, por seu ideário, mais conquistou seguidores. A necessidade permanente de uma revolução moral também foi outro forte princípio do movimento liderado nacionalmente por Plínio Salgado.
Em Ponta Grossa, o Integralismo teve grande aceitação na década de 1930. O próprio Plínio passou pela cidade em 1935, ocasião em que falou para uma numerosa platéia no Éden Teatro (atual Cine Ópera). De acordo com documentos da época, estima-se que mais de 1000 ponta-grossenses filiaram-se à Ação Integralista Brasileira (partido político derivado do Integralismo). Entre os militantes “camisas-verdes”, como eram popularmente chamados os integralistas, encontravam-se: Albino Wiecheteck (industrial), Olímpio de Paula Xavier (advogado), Antônio Dechandt (comerciante), Adelino Oliveira (contador), João Cecy Filho (advogado), Luiz Cundari (funcionário da Prada), Francisco Menezes (oficial de justiça), Odilardo Freitas (funcionário do Banco do Brasil) etc.
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O material original, com mais de 170 colunas, será republicado na íntegra e sem sofrer alterações. Por isso, buscando respeitar o teor histórico das publicações, o material apresentará elementos e discussões datadas por tratarem-se de produções com mais de uma década de lançamento. Além das republicações, mais de 20 colunas inéditas serão publicadas. Completando assim 200 publicações.
Publicada originalmente no dia 06 de setembro de 2009.
Coluna assinada por Niltonci Batista Chaves. Historiador. Professor do Departamento de História da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Doutor em Educação pela Universidade Federal do Paraná.





















