Coluna Fragmentos: O Senai e o ensino profissionalizante no Brasil | aRede
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Coluna Fragmentos: O Senai e o ensino profissionalizante no Brasil

A coluna ‘Fragmentos’, assinada pelo historiador Niltonci Batista Chaves, publicada entre 2007 e 2011, retorna como parte do projeto '200 Vezes PG', sendo publicada diariamente entre os dias 28 de fevereiro e 15 de setembro

Em 18 de novembro de 1966, o JM publicou matéria a respeito da reunião do Conselho Regional do SENAI, na ocasião, ocorrida em Ponta Grossa
Em 18 de novembro de 1966, o JM publicou matéria a respeito da reunião do Conselho Regional do SENAI, na ocasião, ocorrida em Ponta Grossa -

João Gabriel Vieira

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Walter Benjamin, importante intelectual alemão do século XX, certa vez afirmou que “escrever a história significa atribuir aos anos a sua fisionomia”. Levando em consideração tal assertiva, ao olharmos para a década de 1940 podemos perceber que esse período foi um dos mais importantes do século passado.

Apesar de bastante sombrio, devido a II Guerra Mundial e os delicados momentos do pós-guerra, foi nessa década que emergiu a configuração político-ideológica que vigorou até o final do século, as mulheres conquistaram importantes espaços sociais e no mercado de trabalho e o chamado Terceiro Mundo começou – mesmo que timidamente – a ser “visto” e “ouvido” pelos países ricos.

No Brasil, os anos 40 dividem-se em dois momentos claros: até 1945, quanto reinou absoluta a ditadura do Estado Novo varguista e a partir de 1946 com a retomada de uma normalidade política no país.

Foi no decorrer da primeira metade daquela década que o Brasil viu nascer a sua indústria pesada e, ao mesmo tempo, surgir a necessidade de aumentar a qualificação de mão-de-obra industrial. Nesse cenário foi criado – por um decreto presidencial em 22 de janeiro de 1942 – o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial.

O SENAI, organismo privado de interesse público, nasceu com o objetivo fundamental de formar e especializar o maior número possível de trabalhadores para a indústria. Para a sua criação foram decisivas as ações do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – Roberto Simonsen – e do presidente da Confederação Nacional da Indústria – Euvaldo Lodi.

De início, aproximadamente 15 mil alunos foram atendidos nas escolas do SENAI. O modelo seguido foi o desenvolvido no Centro Ferroviário de Ensino e Seleção Profissional, concebido pelo engenheiro suíço Roberto Mange. Com um olhar exclusivamente técnico e fundamentado numa perspectiva racional do trabalho, Mange foi o grande responsável pela elaboração e consolidação do projeto pedagógico do SENAI.

Inicialmente, o SENAI desenvolveu suas atividades no eixo Rio-São Paulo, porém, cerca de uma década após sua criação o Serviço já estava presente em praticamente todo o território nacional.

Quatro anos depois da criação do SENAI, em 1946, surgiram outros três organismos voltados para a formação técnico-profissional e para a assistência sócio-recreativa dos trabalhadores da indústria e do comércio no Brasil: o Serviço Social da Indústria (SESI), o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC) e o Serviço Social do Comércio (SESC).

Ao longo de mais de seis décadas, em que pesem as possíveis críticas pela formação essencialmente tecnicista dos trabalhadores, o SENAI e os outros Serviços prestaram um importante papel na qualificação e também no campo assistencial para os profissionais da indústria e do comércio no Brasil.

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O material original, com mais de 170 colunas, será republicado na íntegra e sem sofrer alterações. Por isso, buscando respeitar o teor histórico das publicações, o material apresentará elementos e discussões datadas por tratarem-se de produções com mais de uma década de lançamento. Além das republicações, mais de 20 colunas inéditas serão publicadas. Completando assim 200 publicações.

Publicada originalmente no dia 09 de agosto de 2009.

Coluna assinada por Niltonci Batista Chaves. Historiador. Professor do Departamento de História da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Doutor em Educação pela Universidade Federal do Paraná.

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