Coluna Fragmentos: As Misericórdias: uma tradição luso-brasileira | aRede
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Coluna Fragmentos: As Misericórdias: uma tradição luso-brasileira

A coluna ‘Fragmentos’, assinada pelo historiador Niltonci Batista Chaves, publicada entre 2007 e 2011, retorna como parte do projeto '200 Vezes PG', sendo publicada diariamente entre os dias 28 de fevereiro e 15 de setembro

Registro do 54º aniversário de funcionamento da Santa Casa de Misericórdia de Ponta Grossa, publicado pelo JM em 08 de dezembro de 1966
Registro do 54º aniversário de funcionamento da Santa Casa de Misericórdia de Ponta Grossa, publicado pelo JM em 08 de dezembro de 1966 -

João Gabriel Vieira

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Em 2012 a Santa Casa de Misericórdia de Ponta Grossa completará seu primeiro centenário de funcionamento. No decorrer desse período, ao conjugar medicina e caridade, a instituição se consolidou como uma das mais importantes casas hospitalares da história do Paraná.

As Santas Casas estão presentes no Brasil desde o período colonial e são herdeiras de uma longa tradição surgida em Portugal no final do século XV, pela a ação direta da Rainha D. Leonor de Lancaster. Naquele período as principais cidades portuguesas conviviam com um quadro social e sanitário caótico. As grandes navegações, realizadas desde o início dos Quatrocentos, levaram ao afluxo de pessoas em direção aos centros urbanos lusitanos na busca de empregos e de uma melhor qualidade de vida. Desta forma, cidades como Porto e Lisboa passaram a conviver com um significativo número de enjeitados, náufragos, mendigos, prostitutas, prisioneiros de guerra etc. A inexistência de um sistema sanitário agravava ainda mais a situação e tornava esses locais focos de miséria e de doenças de todas as espécies.

Foi em função dessa situação que D. Leonor instituiu em Lisboa a Irmandade de Invocação a Nossa Senhora da Misericórdia. O objetivo era a atuação junto aos pobres, doentes e miseráveis de todas as espécies, socorrendo-os por meio da doação de roupas e alimentos, da disponibilização de abrigo, da aplicação de remédios e pelo atendimento espiritual. Não por acaso a Virgem Maria com o manto aberto foi escolhida para simbolizar a Misericórdia. Pouco tempo depois, as Santas Casas já estavam espalhadas por outras cidades do reino e também pelas áreas de colonização portuguesa como é o caso do Brasil, onde a primeira Santa Casa surgiu em Olinda no ano de 1539.

Em 1543, o fidalgo português Brás Cubas – Donatário da Capitania de São Vicente – fundou a segunda Santa Casa na colônia, localizada na Vila de Santos. A instituição respeitava todos os princípios (sobretudo) filantrópicos que motivaram a sua origem na Metrópole, preocupando-se, prioritariamente, com os desvalidos. Ainda no século XVI outras importantes Santas Casas foram criadas no Brasil: Salvador, em 1549; São Paulo (por falta de documentação não há exatidão na data, mas acredita-se que tenha sido por volta de 1560) e no Rio de Janeiro, em 1582. As duas últimas tiveram como fundador o padre jesuíta José de Anchieta que, além de criá-las, atuou como médico, enfermeiro e boticário em ambas.

No Paraná, a primeira Santa Casa foi fundada em Paranaguá, no ano de 1835, antes mesmo do nascimento do estado (1853). A construção de uma Santa Casa em Curitiba teve início em 1868. Porém, apenas em 1880, durante a passagem do Imperador Pedro II pelo sul do Brasil, o hospital foi inaugurado na capital paranaense.

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O material original, com mais de 170 colunas, será republicado na íntegra e sem sofrer alterações. Por isso, buscando respeitar o teor histórico das publicações, o material apresentará elementos e discussões datadas por tratarem-se de produções com mais de uma década de lançamento. Além das republicações, mais de 20 colunas inéditas serão publicadas. Completando assim 200 publicações.

Publicada originalmente no dia 19 de julho de 2009.

Coluna assinada por Niltonci Batista Chaves. Historiador. Professor do Departamento de História da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Doutor em Educação pela Universidade Federal do Paraná.

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